sábado, 29 de agosto de 2026

Os Retornados: Voltar para onde ?

 Vou tentar me expressar, sim — sobre algo observado, conversado e agora vou nesta crônica falar um pouco mais profundo do que uma questão de falso acolhimento.

O drama do retornado não é somente: “não estão me acolhendo”. É também:

“Eu voltei para reencontrar aquilo que um dia me fez amar este lugar, mas aquilo que eu procuro já não existe da mesma maneira.”

Ele não retorna apenas para uma igreja. Ele retorna à sua memória afetiva daquele lugar. Volta procurando pessoas, gestos, músicas, amizades, formas de culto, simplicidade, vínculos, talvez até uma versão de si mesmo que existia ali. Mesmo sabendo que ele mesmo passou por transformações ao longo dos anos, mesmo tendo a consciência de que é fruto de uma construção sociopolítica e espiritual de tudo que o compôs em estudos, afiliações, relacionamentos, amores, ganhos e perdas... Ele sabe que como retornado não precisa apenas se readaptar à comunidade; precisa elaborar o luto pela comunidade que deixou para trás.

E então acontece algo devastador: o lugar está lá, mas o lugar que ele guardava dentro de si desapareceu.

É quase um luto.

Ele olha para o banco onde sentava.

A música mudou.

As pessoas mudaram.

Os amigos foram embora.

A maneira de receber mudou.

Os antigos costumes desapareceram.

Até a linguagem parece outra.

E ele pensa:

*_OS RETORNADOS — VOLTAR PARA ONDE?*_ 

Talvez ninguém conte ao retornado sobre uma das maiores dores de voltar:

às vezes, aquilo que ele voltou para encontrar já não está mais lá.

Ele retorna carregando saudade.

De necessidade de pertencimento.

Não apenas de pessoas.

Mas de um tempo.

De uma música.

De um abraço.

De uma maneira de conversar.

De uma simplicidade que ficou guardada na memória.

Ele não voltou apenas para frequentar novamente uma igreja.

Voltou para reencontrar uma experiência.

E então entra.

Olha ao redor.

O prédio está lá.

Os bancos estão lá.

O púlpito está lá.

As Escrituras estão lá.

Mas alguma coisa não está.

Aquilo que sua memória dizia que estaria esperando por ele.

E surge uma pergunta silenciosa:

“Eu voltei... mas para onde?”

O estranho sentimento de voltar para casa e não reconhecê-la... Parece ter nova cor, novo cheiro...

Existe uma espécie de luto que acontece quando retornamos a um lugar que amávamos e descobrimos que ele mudou.

Não necessariamente para pior.

Apenas mudou.

As pessoas cresceram.

Algumas partiram.

Outras chegaram.

Os costumes foram modificados.

A linguagem mudou.

A liderança mudou.

As relações mudaram.

A própria pessoa que retorna também mudou.

E talvez seja esse o grande paradoxo:

ele deseja encontrar a igreja que deixou, mas aquela igreja também ficou no passado. Agora parece uma ilusão de um desejo.

O retornado pode ter idealizado aquele lugar durante os anos de afastamento.

Sua memória guardou os melhores momentos.

Guardou os abraços.

As amizades.

As orações.

As conversas depois do culto.

As pessoas que o fizeram sentir-se pertencente ao grupo, só algo sócio religioso.

Enquanto isso, a vida continuou.

E agora ele descobre que estava tentando voltar não apenas para um lugar.

Estava tentando voltar para um tempo.

E tempo nenhum aceita ser visitado duas vezes da mesma maneira.

A ferida do retorno

Por isso, nem todo retornado consegue explicar o que sente.

Ele talvez diga:

— “A igreja mudou.”

Mas talvez exista algo muito maior por trás dessa frase:

“Eu não encontrei aquilo que me fazia sentir em casa.”

E isso pode ser profundamente doloroso.

Porque ele esperava encontrar acolhimento e encontrou formalidade. Só o cumprimento porque está ali, porque todo o tempo afastado não buscaram saber o por quê...

Esperava encontrar velhos amigos e encontrou desconhecidos.

Esperava sentir familiaridade e encontrou estranhamento e pequenas panelinhas.

Esperava recuperar pertencimento e descobriu que precisará construí-lo novamente, mas agora tem o seu constructo antigo num sistema mudado.

É como voltar à casa da infância depois de muitos anos.

A casa continua no mesmo endereço.

Mas já não é a mesma casa.

Porque, na verdade, quem mudou não foi apenas a casa.

Foi ele....

E existe ainda outro paradoxo:

Talvez a comunidade também olhe para o retornado e pense:

“Ele mudou.”

E provavelmente mudou mesmo.

Mas o retornado também olha para a comunidade e pensa:

“Vocês mudaram.”

E ambos podem estar certos.

Não existe necessariamente um culpado.

Existe o tempo.

Existe a vida.

Existem escolhas.

Existem perdas.

Existem transformações.

Existem medos...

Será que ele pode ser uma maçã estragada no cesto tão arrumadinho ?

O problema começa quando um espera encontrar no outro a fotografia congelada do passado.

Psicologicamente, isso é um reencontro com a memória

A memória afetiva não guarda apenas fatos.

Guarda sensações.

Cheiros.

Vozes.

Músicas.

Rostos.

Rituais.

Sentimentos.

Por isso, quando retornamos a um lugar significativo, esperamos inconscientemente que o ambiente devolva aquilo que sentimos um dia.

Mas nenhum lugar consegue fazer isso sozinho.

O passado não mora mais naquele lugar.

Ele mora dentro de nós.

E talvez essa seja uma das tarefas mais difíceis do retornado:

aceitar que não poderá recuperar exatamente o que perdeu.

Precisará descobrir se consegue construir algo novo.

E aqui está o grande desafio espiritual

Talvez Deus não esteja convidando o retornado a recuperar a igreja que existia antes.

Talvez esteja convidando-o a descobrir o que pode nascer agora.

Não voltar para repetir.

Voltar para reconstruir.

Não exigir que tudo seja como antes.

Mas perguntar:

“O que podemos construir a partir daqui?”

"O que eu vou fazer com isso que descobri?"

Porque uma fé madura também precisa aprender a conviver com as mudanças.

O retornado precisa de acolhimento.

Mas a comunidade também precisa de compreensão.

Ela não recebe apenas alguém que voltou.

Recebe alguém cuja história continuou longe dali e isso assusta.

E ele não reencontra apenas uma congregação.

Reencontra pessoas que também viveram suas próprias histórias e que batem no peito sobre terem permanecido, e cada vez que isso é falado soa como uma chicotada de "eu sou melhor que você porque eu permaneci".

Teria talvez o verdadeiro acolhimento seja este

Não dizer:

“Aqui está tudo igual.”

Porque não está.

Mas dizer:

“Nós mudamos. Você mudou. Algumas coisas ficaram para trás. E eis a dificuldade: Mas existe espaço para construirmos novamente.”

Isso é muito mais honesto.

Porque talvez o retornado não precise recuperar o passado.

Precise apenas descobrir que o presente ainda pode oferecer pertencimento.

Ele voltou ferido.

Mas não quer um espaço que o queira sangrando, e deverá saber ter o equilíbrio emocional para os dedos que o usarão como exemplo.

Talvez tenha esperado encontrar a velha gaze.

Mas descobriu que até a farmácia mudou de lugar e não há antisséptico.

Então talvez seja preciso parar.

Sentar.

Escutar.

Reconhecer as perdas.

Chorar algumas ausências.

Dar nome à saudade.

Equilibrar o luto...

E somente depois começar novamente.

Porque há retornos que não são simplesmente uma volta.

São um novo nascimento dentro de um lugar que já foi conhecido.

Pois, talvez o maior erro que uma comunidade possa cometer seja exigir que alguém que acabou de voltar corra antes de aprender novamente a caminhar.

Acolher o retornado é compreender que algumas pessoas precisam de tempo.

Precisam ser ouvidas.

Precisam perceber que não serão julgadas pela história que carregam.

Precisam descobrir que podem fazer perguntas.

Precisam saber que podem discordar, o que para muitos se torna ameaça e não uma oportunidade de te ensinar os dogmas e as novas regras.

Precisam sentir que sua presença não depende de desempenho.

Porque talvez o verdadeiro milagre não seja alguém voltar para a igreja.

Talvez seja alguém voltar e, pela primeira vez depois de muito tempo, sentir que pode permanecer.

E talvez essa seja uma das maiores tarefas da igreja:

não apenas abrir suas portas para quem retorna,

mas abrir também o coração daqueles que permaneceram.

Porque voltar para Deus pode acontecer em um instante.

Voltar a confiar nas pessoas pode levar muito mais tempo.

Talvez a pergunta mais importante para quem retorna não seja:

“A igreja ainda é como antes?”

Mas:

“Existe aqui um lugar onde eu possa ser quem me tornei? Me aceitarão?”

E talvez a pergunta para a comunidade seja ainda mais difícil:

“Somos capazes de acolher não apenas quem está voltando, mas a pessoa que ela se tornou?”

Porque o retornado não voltou para encontrar o passado.

Voltou procurando um lugar no presente.

E talvez seja justamente aí que começa o verdadeiro reencontro.


— Abilio Machado

Psicoteologia: para além das paredes e para dentro da alma.

Você 🫵 não leu "Os ded8grejados" leia tocando no link https://ensinamentosdopapainoel.blogspot.com/2026/08/os-desigrejados-quando-fe-sai-pela.html


#OsRetornados #Acolhimento #Psicoteologia #Igreja #Fé #FeridasDaAlma #Pertencimento #Espiritualidade #Psicologia #Autoconhecimento #EntenderParaTransformar

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Os desigrejados: quando a fé sai pela porta da igreja

 


Os desigrejados: quando a fé sai pela porta da igreja

Por Abilio Machado 

Há pessoas que deixaram a igreja, mas não deixaram Deus.


E talvez essa seja a primeira coisa que precisamos compreender quando falamos dos chamados “desigrejados”.


O termo costuma ser usado para identificar pessoas que não frequentam regularmente uma instituição religiosa, embora algumas continuem acreditando em Deus, cultivando a espiritualidade, lendo as Escrituras, orando e buscando uma relação com o sagrado.


Mas há uma pergunta escondida por trás dessa palavra:


o que fez alguém sair?


Nem sempre foi falta de fé.


Às vezes foi excesso de dor.


Há quem tenha saído porque encontrou hipocrisia onde esperava acolhimento. Há quem tenha sido ferido por líderes religiosos. Outros cansaram de viver uma fé baseada no medo, na culpa e na vigilância constante. Alguns foram embora depois de perceber que a instituição parecia mais preocupada em preservar suas estruturas do que em cuidar de suas pessoas.


E há aqueles que simplesmente descobriram que já não conseguiam acreditar da mesma maneira.


Também existem os que nunca abandonaram Deus. Apenas abandonaram uma determinada maneira de procurá-Lo.


Talvez seja por isso que o fenômeno dos desigrejados não possa ser explicado simplesmente com frases como:


“Perdeu a fé.”


“Está afastado de Deus.”


“Quer viver do seu jeito.”


Essas explicações podem ser confortáveis, mas são pequenas demais para explicar uma realidade tão humana.


O lado psicológico


Existe uma dimensão psicológica importante nessa ruptura.


Toda instituição cria pertencimento, identidade, vínculos e também expectativas.


Quando alguém passa anos acreditando que determinado espaço é sua família espiritual e, de repente, experimenta rejeição, julgamento ou violência simbólica, a saída pode ser também uma forma de autopreservação.


Às vezes, sair não significa abandonar a fé.


Significa tentar sobreviver emocionalmente a uma experiência religiosa que se tornou insuportável.


Mas aqui aparece o primeiro porém.


Sair de uma igreja não resolve automaticamente todas as feridas produzidas dentro dela.


Podemos abandonar o templo e continuar carregando seus bancos dentro da cabeça.


Podemos deixar o púlpito e continuar ouvindo a voz do pregador dentro da consciência.


Podemos parar de frequentar cultos e continuar vivendo sob a culpa, o medo e a necessidade de aprovação que aprendemos ali.


É possível sair da instituição sem sair do conflito interior.


Por isso, algumas pessoas precisam não apenas de distância religiosa, mas de elaboração psicológica.


E o lado teológico?


Aqui precisamos ter cuidado.


A Bíblia apresenta tanto a dimensão comunitária quanto a dimensão pessoal da fé.


Jesus encontrou pessoas em casas, estradas, montanhas, sinagogas e junto ao mar. A experiência espiritual nunca esteve limitada a quatro paredes.


Mas o cristianismo também não nasceu como uma religião absolutamente individualista.


Existe comunidade.


Existe partilha.


Existe serviço.


Existe cuidado.


Existe o outro.


Por isso, transformar o “desigrejado” em uma espécie de novo modelo de espiritualidade perfeita também seria um erro.


Porque uma pessoa pode sair de uma instituição opressora e encontrar liberdade.


Mas também pode sair de toda comunidade porque não deseja mais ser confrontada, contrariada ou responsabilizada.


E esse é um dos grandes poréns.


Às vezes, o problema não está apenas na igreja.


Às vezes, está também na nossa dificuldade de conviver com aquilo que nos incomoda.


Uma comunidade saudável não existe para concordar conosco o tempo inteiro.


Ela também nos confronta.


Ela nos tira do centro.


Ela nos ensina que fé não é apenas sentir Deus, mas aprender a amar pessoas que pensam, sentem e vivem de maneira diferente de nós.


Quando a liberdade vira isolamento


Existe uma diferença entre liberdade espiritual e isolamento espiritual.


A primeira pode significar amadurecimento.


A segunda pode transformar-se em uma espécie de bolha onde somente aquilo que confirma nossas convicções é aceito.


“Eu e Deus” pode ser uma experiência profundamente verdadeira.


Mas “eu, Deus e ninguém mais” pode esconder também uma dificuldade de relacionamento.


Porque religião pode adoecer.


Mas a ausência absoluta de vínculos também pode adoecer.


A comunidade pode ferir.


Mas o isolamento também pode ferir.


A instituição pode produzir dependência.


Mas a autonomia exagerada pode produzir narcisismo espiritual.


E talvez seja justamente aí que precisamos abandonar as respostas prontas.


Os desigrejados não são todos iguais


Há desigrejados que estão procurando Deus.


Há desigrejados que estão fugindo da religião.


Há desigrejados que estão feridos.


Há desigrejados que estão decepcionados.


Há desigrejados que simplesmente não acreditam mais.


Há aqueles que encontraram uma espiritualidade mais madura fora da instituição.


E há aqueles que apenas trocaram uma igreja física por uma igreja virtual onde escolhem somente aquilo que desejam ouvir.


Por isso, antes de perguntar:


“Por que ele saiu da igreja?”


Talvez devêssemos perguntar:


“O que aconteceu com ele dentro da igreja?”


E depois perguntar:


“O que está acontecendo com ele agora?”


Porque nem todo afastamento é rebeldia.


Assim como nem toda permanência é fidelidade.


Há pessoas dentro das igrejas que estão profundamente distantes de Deus.


E há pessoas fora delas que continuam procurando-O sinceramente.


Talvez a pergunta mais importante


Talvez Deus não esteja tão preocupado com o lugar onde nos sentamos no domingo quanto com aquilo que fazemos com o amor que recebemos.


Porque é possível ocupar um banco de igreja e permanecer indiferente à dor do outro.


É possível conhecer dezenas de versículos e não saber acolher uma pessoa ferida.


É possível defender a doutrina correta e desenvolver um coração completamente errado.


Mas também é possível sair da igreja e transformar a própria dor em arrogância.


É possível usar os erros de uma instituição como justificativa para não pertencer a lugar algum.


É possível transformar a própria liberdade em uma nova religião.


E talvez seja esse o grande desafio dos desigrejados:


não trocar uma prisão por outra.


Se a igreja que deixamos nos ensinou a ter medo de Deus, precisamos descobrir um Deus que não seja construído pelo medo.


Se ela nos ensinou a odiar quem pensa diferente, precisamos reaprender o amor.


Se nos ensinou a depender cegamente de líderes, precisamos recuperar a consciência.


Mas, se ela nos feriu, precisamos também cuidar das feridas para que a nossa dor não se transforme em identidade.


Porque sair da igreja pode ser necessário.


Mas sair da igreja não significa necessariamente encontrar a liberdade.


A liberdade começa quando conseguimos olhar para nossa história sem precisar negar aquilo que vivemos.


Talvez alguns desigrejados estejam apenas procurando uma casa espiritual onde possam respirar.


Talvez alguns estejam procurando Deus.


Talvez alguns estejam procurando a si mesmos.


E talvez alguns estejam tentando descobrir se ainda conseguem acreditar depois de terem sido decepcionados justamente por aqueles que diziam representar a fé.


No fim, talvez a pergunta não seja:


“Você está na igreja?”


Talvez seja:


“O que a sua fé está fazendo de você?”


Porque se ela não produz amor, compaixão, responsabilidade, humildade e capacidade de cuidar do outro, talvez devêssemos ter coragem de olhar para dentro.


E isso vale para quem está dentro da igreja e para quem está fora dela.


Afinal, Deus não cabe em nossos templos.


Mas também não cabe no nosso ego.


E talvez a verdadeira maturidade espiritual comece justamente quando descobrimos que pertencer a Deus não é simplesmente encontrar um lugar para sentar, mas encontrar uma maneira de viver.


— Abilio Machado

Psicoteologia, para além das paredes e para dentro da alma.

O verdadeiro espírito do Natal

 


O Verdadeiro Espírito do Natal

O encanto do Natal vai muito além dos presentes; ele habita no acolhimento genuíno, na empatia e na forma como nos conectamos uns com os outros.

O trabalho do Papai Noel — e de quem vive essa magia — é um exercício profundo de amor. É oferecer um abrigo em forma de abraço, um calor que desarma qualquer dia difícil e faz qualquer coração se sentir seguro. Mais do que ouvir pedidos, o Papai Noel exerce a escuta atenta, aquela que acolhe anseios, segredos e esperanças sem julgamentos.

E quando chega a vez da "palavra", ela se transforma em bálsamo: um conselho amigo, um incentivo carinhoso ou um sorriso que renova a fé na humanidade. É a empatia traduzida em tempo dedicado ao outro, mostrando a cada criança e adulto que eles são vistos, ouvidos e amados.

Que possamos resgatar essa essência acolhedora em nossos próprios dias, espalhando escuta, carinho e abraços sinceros por onde passarmos! 🎅❤️✨

Nepal e Tibete 26 de agosto de 2026

 



🏔️ Nove da manhã na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Fila de caminhões esperando pra cruzar, expediente normal na alfândega de Gyirong. A câmera de segurança pega o instante em que uma parede de lama entra de lado no enquadramento — e em minutos o posto de fronteira inteiro deixa de existir.


🌊 A água desceu o vale do rio Bhote Koshi levando ponte, estrada e pelo menos duas hidrelétricas, e cobriu casas rio abaixo em Nuwakot e em Dhading. O conselho de turismo do Nepal montou uma lista preliminar de viajantes cujo paradeiro está sendo verificado: são centenas de nomes, a maioria estrangeiros.


🧭 O governo respondeu no mesmo dia. O chanceler Shishir Khanal disse ao parlamento que um terremoto provocou o deslizamento, e que o deslizamento bloqueou o rio. Só que o catálogo sísmico da região tem um evento só naquela manhã, magnitude 4,4 — pequeno demais para arrancar uma montanha. Dave Petley, do blog de deslizamentos da União Geofísica Americana, diz que a leitura está invertida: o sinal não é a causa, é a própria avalanche de rocha e gelo sendo gravada. O chão não tremeu antes. Tremeu por causa disso.


👁️ E esse vale já tinha feito isso: o centro de pesquisa da montanha sediado em Katmandu aponta que o mesmo afluente já inundou duas vezes, com intervalo de 14 meses. Petley escreve que o risco desses colapsos é subestimado e que as grandes hidrelétricas do Himalaia são destruídas por eles de novo e de novo. O ponto de origem foi achado por satélite: a imagem de 25 de agosto mostra a montanha; a do dia seguinte, não. Comente o que mais te impressionou nessa história, e siga O Mundo a Fundo para mais engenharia e desastres que ninguém explica direito.


🇳🇵❤️ UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA AO POVO DO NEPAL e TIBETE 🎅


Ao povo do Nepal, neste momento em que a dor atravessa casas, famílias e corações, quero deixar uma palavra que nenhuma tragédia pode destruir: esperança.


Não existem palavras capazes de apagar a tristeza de quem perdeu alguém, de quem viu sua história ser interrompida ou de quem agora precisa recomeçar entre as marcas da destruição.


Mas existe a solidariedade.

Existe a mão que se estende.

Existe o abraço que atravessa fronteiras.

E existe a esperança de que, mesmo depois da noite mais escura, um novo amanhecer sempre encontrará um caminho.


Que Deus conforte os que choram, fortaleça os que precisam reconstruir suas vidas e ilumine aqueles que estão trabalhando para salvar, cuidar e amparar.


Do Brasil, envio ao Nepal meu carinho, minha solidariedade e minha oração.


Que a esperança renasça em cada coração.

Que a vida encontre forças para continuar.

E que o amor seja maior que a dor.


Com carinho e solidariedade,


🎅 Papai Noel Abilio Machado

Porque a esperança também precisa chegar onde o coração mais necessita.


🇳🇵❤️🇧🇷


Momento de desespero dos operários...

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O III Reich na Amazônia...

 


A desconhecida história de dominação da Amazônia pretendida pelo III Reich, e seus atores que chegaram em Belém como se fosse uma expedição científica, e que aqui, recebeu apoio do Governo paraense. Buscavam o mapeamento do Rio Jari, no Amapá, e o caminho para a Guiana Francesa, fundamental, no plano alemão de conquista da região.


Um livro de 1938 achado recentemente num sebo em Berlim traz anotações precisas da expedição. Intitulado "Mistérios do Inferno da Mata Virgem", o diário do geologista e piloto Otto Schulz-Kampfhenker revela que os quatro oficiais alemães teriam outros interesses que os científicos - buscavam os acessos e caminhos do Amapá até a Guiana Francesa, região estratégica a ser ocupada na guerra que se aproximava.


Os exploradores partiram de Belém, e levaram 11 toneladas de suprimentos e munição para 5 mil tiros. Enviaram para a Alemanha as peles de 500 mamíferos diferentes, centenas de répteis e anfíbios e 1.500 objetos arqueológicos. Produziram 2.500 fotografias e 2.700 metros de filme 35mm que mostram índios, caboclos, animais, peles, cobras e outros espécimes exóticos do mundo tropical.


Aproveitaram para testar um hidroavião com flutuadores de compensado de madeira, técnica inédita na época, e algumas armas e equipamentos não detalhados no livro. A missão foi repleta de incidentes. O piloto errou duas vezes a rota de Arumanduba, de onde partiriam.


Somente ao chegarem ao rio descobriram que era raso, encachoeirado e pedregoso, inviabilizando o uso da aeronave. O jeito foi seguir a pé e de barcos, com a contratação de caboclos para fazer o trabalho braçal.


A expedição, porém, continuava azarada. Um dos alemães, Joseph Greiner, contraiu malária e morreu poucos dias depois. Foi enterrado ali mesmo, numa ilha do Rio Jari, onde está a cruz com a suástica.


A expedição prosseguiu por mais um ano, até fevereiro de 1937, com ajuda de caboclos e índios. Malária, repetidos acidentes e apendicite atacaram os alemães. Otto quase perdeu a vida ao tentar subir as violentas corredeiras do rio. Para os índios, os alemães estavam sendo castigados por terem matado uma sucuri de sete metros, animal sagrado cuja morte traz azar. A expedição terminou e os sobreviventes retornaram à Alemanha.


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Fonte: Revista Brasileiros - 22.04.2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Vitimismo crônico

 



O vitimismo crônico começa quando a pessoa deixa de contar uma dor e passa a construir a própria identidade em torno dela.



É quando tudo acontece contra mim, ninguém me entende, ninguém me valoriza, sempre sou injustiçado e nunca tenho responsabilidade sobre aquilo que acontece comigo.



É importante reconhecer que existem dores reais, injustiças reais e situações que não escolhemos. Mas permanecer eternamente no lugar de vítima pode transformar uma ferida em moradia.



O problema não é dizer: “isso me machucou.”



O problema é acreditar: “eu sou apenas aquilo que me machucou.”



Assumir responsabilidade não significa assumir culpa por tudo. Significa recuperar o poder de escolher o que fazer com aquilo que a vida fez conosco.



Enquanto o vitimismo pergunta “por que isso sempre acontece comigo?”, o amadurecimento começa a perguntar:



“Diante disso, o que eu posso fazer diferente?”



Você não escolheu todas as circunstâncias da sua história.



Mas pode escolher o próximo capítulo.







Abilio Machado


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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Umas palavras de Carl Sagan

 

“Gostaria muito de crer que, ao morrer, voltarei a vida. Que parte de mim há de prosseguir: pensando, sentindo, lembrando. Mas, por mais que queira crer, e apesar das velhas tradições que nos garantem que existe um além... não conheço nada que sugira que isto seja mais que ilusão ou desejo. Quero envelhecer junto com minha esposa, Annie, a quem amo muito. Quero ver meus filhos mais novos crescerem e quero participar do desenvolvimento de seu caráter e intelecto. Quero conhecer os netos ainda não concebidos. Há problemas científicos cujas soluções desejo testemunhar - como a exploração de muitos dos mundos em nosso sistema solar e a busca de vida em outros lugares. Quero ver como vão se desenvolver tendências importantes na história humana, tanto promissoras como preocupantes: por exemplo, os perigos e a promessa de nossa tecnologia; a emancipação das mulheres; a crescente predominância política, econômica e tecnológica da China; o voo interestelar. Se houvesse vida após a morte, eu poderia, não importando quando morresse, satisfazer a maioria dessas profundas curiosidades e desejos.


Mas, se a morte nada mais é do que um interminável sono sem sonhos, essa é uma esperança perdida. Talvez essa perspectiva tenha me dado uma pequena motivação extra para continuar vivo.


O mundo é tão primoroso em termos de amor de profundidade moral, que não há motivos para iludir-nos com fábulas bonitinhas, das quais não se tem evidência confiável. A mim parece que seria bem melhor, dada nossa vulnerabilidade, fitar a morte nos olhos. E todo dia ser grato pela breve e magnífica oportunidade que a vida nos dá.”


Carl Sagan, Billions & Billions: Thoughts on Life and Death at the Brink of the Millennium