terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Dia 02 – Quando o encontro confirma o caminho

 📖 EVANGELHO DE LUCAS



Dia 02 – Quando o encontro confirma o caminho

Texto: Lucas 1,39–45

Estudo

Maria parte apressadamente ao encontro de Isabel. A fé que acabou de nascer nela não fica isolada, precisa de encontro, de reconhecimento, de eco.

Isabel, ao ver Maria, não pede provas nem explicações. Ela percebe. O que acontece no ventre de uma toca o ventre da outra. Antes de qualquer palavra teológica, há um corpo que reage, uma alegria que salta.

Lucas mostra que a fé não se sustenta sozinha: ela se fortalece quando é acolhida por alguém que sabe escutar.

Reflexão

Há momentos em que precisamos sair de nós mesmos para confirmar o que está nascendo por dentro. Nem todo processo se valida no silêncio; alguns precisam de presença, de olhar, de alguém que diga: “isso que você carrega é real”.

Isabel não rouba o protagonismo de Maria, nem a diminui. Ela reconhece e abençoa. Fé amadurece em ambientes assim: onde não há disputa, mas comunhão.

Talvez hoje seja um dia de perguntar: quem confirma meus passos?

Ou ainda: a quem eu tenho confirmado o caminho?

Oração

Deus dos encontros,

conduze-me às pessoas que sabem escutar

o que ainda não sei nomear.

Faz de mim também abrigo,

voz que reconhece,

presença que fortalece o outro no caminho.

Amém.


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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dia 01 - Quando o novo pede escuta. 21 dias de estudo em Lucas.

 📖 EVANGELHO DE LUCAS



Dia 01 – Quando o novo pede escuta

Texto: Lucas 1,26–38

Estudo

O anúncio a Maria acontece fora do templo, fora do centro religioso, fora do espaço oficial. Deus escolhe uma casa simples, uma jovem comum, uma vida ainda em formação.

Maria não reage com euforia nem submissão cega. Ela pergunta. Questiona. Procura compreender. A fé, aqui, não é ausência de medo, mas coragem para dialogar com o desconhecido.

O “sim” de Maria não nasce da certeza, nasce da confiança.

Reflexão

Todo começo verdadeiro traz perguntas. Quando algo novo se anuncia em nós, quase nunca vem com manual, garantia ou mapa.

Maria nos ensina que acreditar não é calar as dúvidas, mas acolhê-las sem deixar que elas nos paralisem. O futuro não pede pressa — pede presença.

Talvez amanhã não precise de grandes decisões, apenas de um coração disponível para escutar o que está sendo gestado em silêncio.

Oração

Deus do amanhã,

dá-me um coração atento ao que nasce pequeno,

coragem para perguntar sem medo

e humildade para dizer “faça-se”

mesmo quando não entendo tudo.

Amém.


#EvangelhoDeLucas #Dia01 #NovoComeço #FéNoCotidiano #ReflexãoDiária #EspiritualidadePrática #EscutaInterior #Confiança

Adolfo Kaminsky, um herói!


 Ele tinha 18 anos. Sua arma era um frasco de ácido. E ele salvou 14 mil vidas.


Paris, 1943.


Adolfo Kaminsky era um jovem aprendiz de tinturaria, trabalhando em uma loja de tecidos, quando os nazistas ocuparam a França. Seu conhecimento de química vinha dos corantes: ele sabia como certos ácidos reagiam com determinadas tintas, quais solventes dissolviam quais pigmentos, como manipular a cor em nível molecular.


Ele não fazia ideia de que esse saber se tornaria a diferença entre a vida e a morte para milhares de pessoas.


Quando a Gestapo começou a identificar, registrar e deportar sistematicamente os judeus franceses para os campos de concentração, sua principal arma não era apenas a violência — era a burocracia.

Documentos de identidade.

Cartões de racionamento.

Autorizações de viagem.


Cada papel carimbado, selado, certificado.

E nos documentos de identificação judaicos, uma palavra aparecia em tinta grossa e definitiva:


“JUIF.”


Uma única palavra que equivalia a uma sentença de morte.


A Resistência Francesa procurou Kaminsky com uma pergunta quase impossível:

seria possível apagar esse carimbo sem destruir o documento?


A maioria dos falsificadores falhava. As tintas haviam sido feitas para durar. Qualquer tentativa de remoção danificava o papel, tornando a fraude evidente — e mortal.


Kaminsky observou o documento sob a luz fraca de uma lâmpada. Então se lembrou de algo aprendido na tinturaria: ácido láctico. Ele conseguia dissolver aquela tinta azul específica usada pelo governo francês sem destruir as fibras do papel.


Funcionou.


Mas apagar a palavra era apenas o começo.

Era preciso criar uma nova identidade inteira.

Novos nomes.

Novas datas de nascimento.

Novas histórias de vida.


Cada documento precisava ser perfeito. Um erro mínimo — um tom errado de tinta, um detalhe incoerente — significava tortura e morte não só para quem carregasse o papel, mas para todos os envolvidos.


A Resistência montou para ele um laboratório improvisado em um sótão escondido na margem esquerda de Paris. As ordens não paravam de chegar:


— Cinquenta certidões de nascimento para crianças que seriam levadas à Suíça.

— Duzentos cartões de racionamento para famílias escondidas em sótãos e porões.

— Trezentas autorizações de trânsito para rotas de fuga pela Espanha.


Kaminsky trabalhava sob uma única lâmpada fraca. Os vapores químicos de alvejantes e ácidos queimavam sua garganta, irritavam seus olhos até que lágrimas escorressem continuamente. Seus dedos ficaram permanentemente manchados de tinta. O ar do pequeno cômodo tornava-se pesado, saturado de solventes.


Então ele fez um cálculo que nunca mais o abandonaria.


Cada documento levava cerca de dois minutos para ser produzido corretamente.

Isso significava trinta documentos por hora.

Trinta chances de sobrevivência.


Ele chegou a uma equação brutal:


“Se eu dormir uma hora, trinta pessoas podem morrer.”


Então ele parou de dormir.


Certa semana, chegou a notícia de que um orfanato que escondia 300 crianças judias seria invadido. As crianças precisavam de documentos imediatamente ou seriam colocadas em trens rumo a Auschwitz.


Kaminsky se trancou no sótão.

Trabalhou dois dias e duas noites sem parar.


Forjou certidões até sua visão duplicar.

Até sua mão se fechar em espasmos e precisar ser massageada para voltar a funcionar.

Até desabar, exausto, com o rosto sobre a mesa.


Acordou uma hora depois em pânico — furioso consigo mesmo.


Trinta pessoas.

Ele podia ter condenado trinta pessoas ao dormir.


Não comeu.

Voltóu imediatamente ao trabalho.


As crianças escaparam.


Mês após mês, ano após ano, Kaminsky continuou naquele sótão escuro. Os nazistas aprimoravam seus sistemas de segurança. Ele aprimorava suas técnicas de falsificação. Era uma guerra silenciosa, travada com química e precisão, onde a vitória era medida em vidas que continuavam — em crianças que cresciam, em famílias que sobreviviam.


Quando Paris foi libertada, em agosto de 1944, Adolfo Kaminsky havia produzido documentos falsos que salvaram aproximadamente 14 mil homens, mulheres e crianças das câmaras de gás.


Ele nunca aceitou um centavo por isso.

Recusava qualquer pagamento.

Para ele, cobrar para salvar uma vida era moralmente inconcebível.


Após a guerra, tornou-se fotógrafo. Viveu de forma simples, discreta, quase invisível. Não falou sobre o que havia feito — nem para vizinhos, nem para colegas, e por décadas, nem mesmo para seus próprios filhos.


Só perto do fim da vida decidiu contar sua história.


E quando contou, deixou uma lição que o mundo não pode esquecer:

a coragem nem sempre empunha uma arma,

o heroísmo nem sempre veste um uniforme,

e uma única pessoa, armada de conhecimento, convicção e recusa obstinada em dormir, pode enfrentar um império de ódio — e vencer.


Adolfo Kaminsky morreu em 2023, aos 97 anos.


Mas as 14 mil vidas que ele salvou tornaram-se famílias, comunidades, gerações.


Seu legado não está em medalhas ou monumentos.

Está nas pessoas que existem hoje porque um adolescente, com um frasco de ácido nas mãos, decidiu que dormir era menos importante do que a vida dos outros.

O microfone está aberto ao testemunho, estamos realmente ouvindo?!



O microfone está aberto ao testemunho, estamos realmente ouvindo?!

Por Abilio Machado 

Para quem não conhece minha igreja ela funciona por testemunho, discursos e aulas/temas dirigidos e como atividade anual temos o Vem E Segue-Me.

Vou falar sobre o testemunho que acontece sempre na primeira sacramental do mês.

Respeite a fala do outro.

O púlpito é, sim, lugar de história. E a história também presta testemunho do evangelho — porque revela caminhos, lutas, escolhas, dúvidas, fé e transformação.

Em outros tempos, o testemunho do irmão não era medido pelo relógio, mas pela verdade que atravessava o peito.

Hoje, muitas vezes, o microfone está aberto, o púlpito organizado, o tempo cronometrado — mas a escuta tem hora marcada.

Nem todos os irmãos e irmãs têm eloquência, boa oratória ou palavras bonitas. Ainda assim, testemunham como sabem, com o que têm, com sinceridade. E isso basta.

Fé não se mede pela retórica.

Não precisamos — e não queremos — robôs repetindo falas engessadas, limitadas e quase sem alma.

Testemunho não é fórmula.

Não é texto decorado.

Não é performance.

Testemunho é experiência viva.

Como a própria liderança afirma: “o púlpito está livre para prestar testemunhos”.

Livre para falar com verdade, com consciência, com humanidade.

Mas um púlpito verdadeiramente livre não se define apenas por quem pode falar — e sim por quem está disposto a ouvir.

Respeitar o testemunho do outro é respeitar a diversidade de vivências dentro da fé. É compreender que Deus também fala por meio das histórias — inclusive aquelas que não cabem em respostas prontas, nem se encaixam em discursos perfeitamente ajustados ao tempo.

Quem viveu a igreja nos anos 80, por exemplo, lembra bem: os testemunhos eram simples, singelos, vivos.

Como dizem os evangélicos, era “fogo do céu puro”.

Relatos que nos enchiam de alívio, força e poder.

Os mais simples — por assim dizer — narravam lutas incríveis do dia a dia dos santos.

Sem técnica.

Sem roteiro.

Sem medo.

E isso era assombroso e maravilhoso.

Com o passar dos anos, surgiram treinamentos de liderança que enfatizaram a importância de focar o testemunho diretamente em nosso Salvador Jesus Cristo. Aprendemos que experiências pessoais e histórias deveriam ser contadas em discursos, conversas individuais ou em outros contextos; e que, no púlpito, deveríamos nos ater ao que cremos acerca do Salvador.

Entendo esse cuidado.

Mas preciso dizer: o testemunho vivido fortalece.

Fortalece quem não é da igreja.

Fortalece o irmão que está firme.

E fortalece, sobretudo, aquele que está “capengando” por dentro.

Quando a fé é apresentada apenas como certeza perfeita, corre-se o risco de transformar o púlpito em vitrine — e não em espaço de encontro.

Parece que só se pode mostrar que está tudo bem.

Que o “lado B” da fé deve ser escondido, silenciado, esquecido.

E isso empobrece a experiência espiritual.

Claro, sempre haverá quem diga que ouvir o testemunho de vida do outro é perda de tempo. Geralmente são os que não aprenderam a ouvir — apenas a responder.

São aqueles que mal você começa a falar e já o interrompem com um conceito pronto, baseado no que ouviram, leram ou decidiram tomar como verdade absoluta.

Eles escutam para corrigir, não para compreender.

E é justamente aqui que o Livro de Mórmon nos ensina algo essencial:

o testemunho verdadeiro não nasce da eloquência, mas do Espírito.

É Ele quem faz a palavra simples atravessar corações atentos.

Há testemunhos que não impressionam pela forma, mas queimam por dentro.

Porque não vêm para convencer — vêm para tocar.

Quando um irmão compartilha sua história com sinceridade, ainda que com voz trêmula, ainda que sem técnica, algo sagrado acontece:

o Espírito confirma a verdade não apenas do que é dito, mas do que foi vivido.

Testemunhar é declarar fé em Jesus Cristo, sim —

mas também é revelar como Ele tem caminhado conosco no meio das quedas, das dúvidas, das lutas e das reconstruções.

O próprio Livro de Mórmon nos lembra que o Senhor opera “segundo a linguagem do povo, para que possa compreender”.

E isso inclui histórias simples, experiências imperfeitas e palavras que não cabem em moldes rígidos.

Quando reduzimos o testemunho a uma fórmula, corremos o risco de silenciar aquilo que o Espírito deseja confirmar.

Porque Deus não fala apenas pelo conteúdo correto —

Ele fala pelo coração quebrantado.

Respeitar o testemunho do próximo é reconhecer que o Espírito Santo continua a agir entre nós,

inclusive quando a fala não é bonita,

quando a história é difícil,

quando a fé ainda está em processo.

Talvez o verdadeiro desafio do nosso tempo não seja aprender a falar melhor no púlpito,

mas voltar a escutar com o coração.

Sustentar o silêncio.

Dar tempo ao que não cabe no cronômetro.

Lembrar que, antes de sermos organizados, fomos tocados.

E que, muitas vezes, Deus fala exatamente ali:

na história simples,

na voz trêmula,

no testemunho imperfeito —

mas verdadeiro.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Convênios com Deus e convênios consigo!


 Convênios com Deus e convênios consigo!

"Debaixo do céu há um tempo para cada coisa” (Ecles. 3,1), por essa razão, nós precisamos discernir em Deus qual é o tempo em que nos encontramos hoje, e procurarmos vivê-lo bem. Porque tudo que nos acontece são necessários para a nossa vida, ainda que não os compreendamos; seguramente, se bem vividos, produzirão grandes frutos de conversão que permanecerão para a vida eterna, nossos convênios nos oferecem esta esperança, de termos a “nossa Terra Prometida”.

A melhor forma de vivermos cada momento da nossa vida é cumprindo os convênios e louvando a Deus por tudo o que nos acontece, primeiramente porque essa é a vontade d’Ele a nosso respeito; depois, porque se manter no convênio e em louvor nos aproxima do Senhor e nos dá um impulso novo a cada instante, principalmente para enfrentarmos os desafios que nos aparecerão para nos afastar destes convênios feitos, com Deus e conosco é a mesma coisa, sim, pois ao não cumprirmos os convênios que fazemos conosco também caímos em ânimo, em vontade, em depressão, e se fizer algum convênio consigo cumpra, faça.

“Em todas as circunstâncias, dai graças, porque essa é, a vosso respeito, a vontade de Deus em Jesus Cristo” (I Ts 5,18).

Senhor, dá-nos a sabedoria e o amor para vivermos bem todos os tempos que a Divina Providência nos proporcionar e coragem para os enfrentamentos que surgirão ante os nossos convênios.

Deus abençoe você!

Eu abençoo você!

#ensinamentosdopapainoel

#convênios

Conheça um pouquinho de Gerda Weissmann Klein (1924–2022).


Uma mulher à beira da morte disse a um soldado que era judia.
A resposta dele — duas palavras — mudou tudo.

7 de maio de 1945.
Volário, Checoslováquia.
O fim da guerra. O fundo da humanidade.

Ela estava à porta de uma fábrica. Não parecia mais uma pessoa.
Vinte anos no papel. Um corpo consumido pela fome.
Pesava pouco mais de 30 quilos. O cabelo embranqueceu de tanto sofrer.
Trapos no lugar de roupa. Três anos sem banho. Três anos de desumanização.

Atrás dela, 119 mulheres estendidas no chão.
Mal respiravam.
Eram as que sobraram.

Três meses antes, 4.000 mulheres judias tinham sido forçadas a caminhar.
Uma marcha da morte.
Cerca de 560 quilómetros, no inverno.
Sem casacos. Sem comida.
Quem caía… não se levantava.

Gerda Weissmann viu 3.880 morrerem ao longo da estrada.
Amigas de infância. Desconhecidas que viraram irmãs.
Todas perdidas.

Ela continuou andando.
Não por força.
Não por esperança.
Mas porque carregava no bolso uma fotografia da família.
Enquanto ela caminhasse, eles ainda existiam.

Os pais. O irmão.
Assassinados nos campos.

Ela era a última.

Antes da marcha, sobrevivera três anos em campos de trabalho nazis:
fome, doenças, brutalidade sem nome.
Mas algo nela resistiu.
Algo que o ódio não conseguiu destruir:
a consciência de quem ela era.

Naquele dia, ela ouviu motores.
Soldados americanos.

Um jovem tenente desceu do jipe.
Os olhos dele encontraram os dela.

Gerda reuniu forças para dizer, num inglês quebrado:
— Nós somos judeus, sabe?

O soldado parou.
E respondeu:
— Eu também.

O nome dele era Kurt Klein.
Um judeu alemão que fugira do nazismo em 1937.
Voltava agora, fardado, para enfrentar o regime que tinha tentado apagar o seu povo.

Gerda nunca esqueceu o que veio depois.

Ele segurou a porta aberta para ela.

Um gesto simples.
Algo que ela não experimentava desde os quinze anos.
Dignidade. Respeito. Humanidade.

Kurt diria mais tarde:
“Ela caminhou na minha direção, e eu conheci a melhor pessoa que alguma vez conheceria.”

Ele ajudou a cuidar dos sobreviventes.
Eles conversaram.
E, no meio das ruínas, nasceu algo inesperado: ligação.

Depois da transferência de Kurt, vieram as cartas.
As palavras viraram sentimento.
O sentimento virou certeza.

18 de junho de 1946.
Paris.
Eles se casaram.

Mudaram-se para Buffalo, Nova Iorque.
Construíram uma vida.
Criaram três filhos.
Ergueram futuro onde só havia cinzas.

Mas Gerda nunca esqueceu as 3.880.

Em 1957, publicou o livro All But My Life.
O título dizia tudo.
Os nazis roubaram-lhe a família, a infância, a saúde, o passado.
Mas não a vida.

O livro tornou-se um testemunho essencial do Holocausto.
Milhões de leitores. Escolas. Universidades.

Gerda transformou sobrevivência em missão.
Falou durante décadas.
Sempre a mesma mensagem:
Lembrem-se.
Enfrentem o ódio.
Protejam a liberdade — ela é frágil.
Escolham a dignidade.

Em 1995, o documentário One Survivor Remembers ganhou o Óscar.
Em 2010, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade.

Kurt morreu em 2002.
Foram 56 anos de casamento.

Gerda continuou. Falando. Ensinando. Insistindo.
Até 3 de abril de 2022.
97 anos.

Ela sobreviveu ao insuportável.
Transformou trauma em testemunho.
Dor em propósito.

Tudo começou com duas palavras:
“Eu também.”

Um soldado segurou uma porta para uma jovem moribunda.
E passou 56 anos segurando portas para ela — e para o mundo.

Eles não apenas sobreviveram ao Holocausto.
Eles o derrotaram.
Lembrando. Ensinando. Construindo sentido a partir das ruínas.

4.000 mulheres começaram a marcha.
120 chegaram ao fim.

Gerda dedicou 77 anos às 3.880 que não chegaram.

Isso não é apenas sobrevivência.
É propósito nascido da tragédia.
É transformar o pior da humanidade numa luta pelo melhor dela.

Ela partiu.
Mas a voz permanece.
O testemunho permanece.

Gerda Weissmann Klein (1924–2022).
Ela perdeu tudo, menos a vida.
E entregou essa vida ao mundo.

Lembremos.
Porque, depois do que ela viveu — e do que nos deu —
lembrar é o mínimo.

Você 🫵 se sente impactado com estes fatos de uma verdade que ainda é uma ferida aberta no mundo: a Segunda Grande Guerra?
 

Estudo de Lucas - 21 dias estudando este evanvangelista especial.

 

Topíssimo recomeçar por Lucas. Ele é o evangelho do olhar atento, do cuidado com os detalhes, das histórias que acolhem gente ferida, esquecida, marginalizada. É o evangelho que mais conversa com quem escuta, observa e acompanha processos — e isto é bem minha praia 😉

📖 Por que Lucas?

É o único escrito claramente por alguém de fora do grupo dos Doze

Tem um olhar histórico, organizado, quase "clínico", entendedores entenderão...

Dá centralidade às mulheres, aos pobres, aos doentes, aos estrangeiros

Jesus aparece menos como “juiz” e mais como companheiro de caminho

É um evangelho que se constrói muito pela escuta (parábolas longas, encontros, refeições)

Quem era Lucas?

Lucas não foi um dos Doze apóstolos. Isso já diz muito.

Ele era:

Gentio (não judeu), provavelmente de origem grega

Médico, segundo a tradição antiga e pistas do próprio texto, eram chamados de físicos.

Companheiro de viagem de Paulo em parte das missões

Um homem culto, com excelente domínio do grego e senso histórico

Ou seja: Lucas vem de fora. Ele observa, escuta, investiga, organiza. Não escreve a partir da memória emocional direta (“eu vi”), mas da escuta atenta (“eu ouvi, comparei, cuidei da narrativa”).

O próprio evangelho começa assim (parafraseando):

“Investiguei tudo cuidadosamente desde o início para te escrever com ordem.”

Isso é quase um método clínico.

Por que o Evangelho de Lucas foi escolhido para a Bíblia?

Não foi por acaso, nem por simpatia.

1. Porque Lucas preservou tradições únicas

Cerca de 40% do conteúdo de Lucas não existe em nenhum outro evangelho.

Exemplos:

A anunciação a Maria (com esse nível de detalhe)

O Magnificat

O bom samaritano

O filho pródigo

Zaqueu

O ladrão na cruz

Muitos encontros de mesa

Sem Lucas, perderíamos o Jesus que se senta, escuta, acolhe e inclui.

2. Porque ele escreveu para quem estava fora

Lucas escreve para Teófilo — provavelmente um gentio convertido ou alguém curioso sobre a fé cristã.

Isso faz de Lucas o evangelho:

Da inclusão

Do diálogo entre fé e razão

Da ponte entre judaísmo e mundo greco-romano

A Igreja primitiva percebeu que, sem Lucas, o cristianismo corria o risco de virar uma fé fechada em si mesma.

3. Porque ele apresenta um Jesus profundamente humano

Lucas não nega a divindade de Jesus, mas insiste na sua humanidade concreta:

Jesus sente compaixão

Jesus chora

Jesus se cansa

Jesus se aproxima dos que falharam

É o evangelho onde:

As mulheres têm voz

Os pobres são protagonistas

Os pecadores não são descartáveis

Os doentes não são invisíveis

Para uma comunidade que crescia, se espalhava e enfrentava sofrimento, isso era essencial.

4. Porque Lucas também escreveu Atos dos Apóstolos

Lucas não escreveu só um evangelho.

Ele escreveu a história da Igreja nascente.

Evangelho + Atos formam uma obra única:

Primeiro: o caminho de Jesus

Depois: o caminho da comunidade

Isso ajudou a Igreja a entender que:

seguir Jesus não termina na cruz, começa nela.

Em uma frase (bem Lucas):

Lucas foi escolhido porque mostrou que a fé cristã não é só crença correta, mas caminho humano, histórico, inclusivo e compassivo.

Não é à toa que ele conversa tanto com:

quem duvida

quem espera há muito tempo

quem serve, mas está cansado

quem acredita, mesmo sem entender tudo

Espero que você 🫵 me acompanhe nestes 21 dias.


Sou Abilio Machado - Cristão, Capelão e Pós graduado no Ensino Teológico e Filosófico.

-Psicanalista, Psicoterapeuta C&P, Neuropsicopedagogo ICH.-