segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Quando ouvir é mais importante que fazer, e sim transformar


 QUANDO OUVIR É MAIS IMPORTANTE QUE FAZER, E SIM TRANSFORMAR...


Jesus entrou na casa de Marta e Maria.


Enquanto Maria se sentou aos pés de Jesus para ouvir suas palavras, Marta estava ocupada com os afazeres da casa — e se incomodou por estar trabalhando sozinha.


Jesus, porém, mostrou-lhe algo profundo:


“Maria escolheu a boa parte.”


Há momentos em que estamos tão ocupados fazendo, resolvendo e servindo que esquecemos de parar para ouvir aquilo que pode transformar nossa maneira de viver.


A Palavra que edifica não é apenas aquela que escutamos com os ouvidos.


É aquela que entra na consciência, confronta, consola e nos transforma.


Porque nem sempre precisamos de mais respostas.


Às vezes, precisamos simplesmente parar e ouvir.


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Entre dois ladrões, Jesus ensina sobre escolhas


 ENTRE DOIS LADRÕES, JESUS NOS ENSINA SOBRE ESCOLHAS


No Calvário, Jesus está entre dois ladrões.


Dois homens diante da mesma cruz.

Do mesmo sofrimento.

Da mesma proximidade com a morte.

Mas duas atitudes completamente diferentes.


Um olha para Jesus e exige:

“Salva a ti mesmo e a nós!”


O outro reconhece sua própria condição, olha para Jesus e diz, em essência:

“Lembra-te de mim.”


E Jesus responde com uma das frases mais profundas do Evangelho:

“Hoje estarás comigo no paraíso.”


Talvez a grande lição não esteja apenas nos ladrões, mas naquilo que fazemos quando a vida nos coloca diante dos nossos próprios limites.


Há pessoas que, diante da dor, tornam-se acusadoras:

“Por que Deus permitiu isso?”

“Por que comigo?”

“Se Deus existe, Ele tem que resolver!”


E há aquelas que, mesmo sem entender tudo, conseguem reconhecer:

“Eu não controlo tudo. Eu também errei. Preciso de graça.”


A diferença não está em quem sofreu mais.

Os dois estavam na mesma situação.


A diferença estava na maneira como cada um se posicionou diante dela.


E talvez seja essa uma das grandes mensagens psicológicas e espirituais do Calvário:


Nem sempre podemos escolher a cruz que a vida coloca diante de nós.

Mas podemos escolher quem seremos diante dela.


Jesus não pergunta ao ladrão arrependido pelo seu currículo.

Não exige que ele tenha tempo para reconstruir toda a sua história.

Ele encontra naquele último momento algo precioso: consciência, reconhecimento e confiança.


Isso também nos ensina sobre pessoas.


Cuidado ao acreditar que alguém está definitivamente perdido por causa do seu passado.


Há histórias que mudam no último capítulo.


Há pessoas que encontram consciência depois de muitos erros.


E há quem passe uma vida inteira dentro da igreja, mas continue incapaz de reconhecer os próprios erros.


Entre dois ladrões, Jesus nos mostra que a graça não é prêmio para quem teve uma história perfeita.


É possibilidade para quem, em algum momento, decide olhar para si mesmo com honestidade.


“Diante da minha própria cruz, eu tenho exigido que Deus mude as circunstâncias ou tenho permitido que Ele transforme a mim?”


#Psicoteologia #JesusCristo #Autoconhecimento #FéEConsciência #Reflexão 

O jejum e a bocada inocente


 O JEJUM E A BOCADA INOCENTE 😂


Você começa o jejum cheio de fé, propósito e determinação.


Até que, num pequeno lapso de memória, a mão vai… a boca acompanha… e pronto!


Lá se foi uma bocada! 😂


E aí vem aquela culpa:

“Meu Deus, eu esqueci que estava jejuando!”


Calma. Talvez Deus esteja mais interessado na intenção do seu coração do que em transformar seu jejum numa prova de memória.


O importante é perceber, parar, respirar e continuar.


Porque até no jejum aprendemos que somos humanos: falíveis, distraídos e ainda assim capazes de recomeçar.


#Jejum #Fé #Espiritualidade #Deus #Oração #Autoconhecimento #Reflexão #VidaComDeus #HumorCristão #AbilioMachado

domingo, 30 de agosto de 2026

"Eu não sou Deus. Mas sou filho Dele."

 



"Eu não sou Deus. Mas sou filho Dele."

Por Abilio Machado 


Há frases que chegam até nós vestidas de verdade.


Algumas parecem tão bonitas que quase não perguntamos de onde vieram.


“Assuma sua identidade como Deus e nunca mais sofrerá.”


É uma frase poderosa.


Mas, quando a colocamos diante do Evangelho restaurado, precisamos fazer uma pequena mudança. Talvez uma mudança de apenas algumas palavras, mas que transforma tudo.


Eu não sou Deus.

Eu sou filho de Deus.


E talvez essa seja uma das maiores descobertas que uma pessoa pode fazer sobre si mesma.


Porque há uma diferença enorme entre acreditar que somos o próprio Deus caminhando pela Terra e compreender que carregamos em nossa existência uma origem divina e um potencial eterno.


Não somos o Pai Celestial.

Não somos Jesus Cristo.


Mas somos filhos do Pai Celestial e podemos escolher seguir Jesus Cristo.

E é justamente aí que começa uma psicoteologia profundamente transformadora.

Imagine alguém que passou a vida inteira acreditando que é aquilo que lhe aconteceu.


“Sou o abandono que sofri.”

“Sou o casamento que fracassou.”

“Sou o filho que perdi.”

“Sou a doença que apareceu.”

“Sou o erro que cometi.”

“Sou o pecado do qual me arrependo.”

“Sou aquilo que disseram sobre mim.”


Talvez essa pessoa tenha passado tanto tempo olhando para suas feridas que acabou confundindo suas cicatrizes com sua identidade.


Mas então o Evangelho chega e pergunta:

Quem disse que aquilo que aconteceu com você é aquilo que você é?

Você é mais do que sua história.

Mais do que seus fracassos.

Mais do que seus medos.

Mais do que suas quedas.

Mais do que a opinião daqueles que não conseguiram enxergar seu valor.


Você é filho.

E filhos podem crescer.

Filhos podem aprender.

Filhos podem errar e voltar.

Filhos podem cair e levantar.

Filhos podem mudar.

E talvez seja por isso que a doutrina da agência seja tão bonita.


No Livro de Mórmon encontramos uma ideia que parece simples, mas possui uma profundidade psicológica enorme: “é necessário que haja uma oposição em todas as coisas.”

A mortalidade não foi apresentada como um lugar onde nunca sofreríamos.

Foi apresentada como um lugar de escolhas.


De aprendizado.

De oposição.

De crescimento.

De alegria e tristeza.

De perdas e reencontros.

De quedas e arrependimentos.

De escolhas certas e escolhas equivocadas.


A própria Igreja ensina que a oposição pode permitir nosso crescimento em direção àquilo que o Pai Celestial deseja que nos tornemos.


Portanto, a promessa do Evangelho não é:


“Você nunca mais sofrerá.”


A promessa é muito mais profunda:


“Você nunca precisará atravessar seu sofrimento sozinho.”


Cristo não prometeu uma existência sem lágrimas.

Ele próprio chorou.

Ele próprio sofreu.

Ele próprio conheceu a solidão.

Ele próprio experimentou a dor.


Por isso, quando o cristão sofre, não precisa concluir imediatamente:


“Deus me abandonou.”


Talvez possa perguntar:


“O que posso aprender enquanto atravesso isso?”

Não porque toda dor seja enviada por Deus.

Mas porque, com Deus, até aquilo que não escolhemos viver pode ser transformado em aprendizado, compaixão, maturidade e crescimento.

Essa é uma diferença fundamental.

Não precisamos romantizar o sofrimento.

Precisamos encontrar significado nele.

A psicologia nos ensina que a maneira como interpretamos nossa própria história interfere profundamente na maneira como a vivemos.


A fé acrescenta uma pergunta:


“E se minha história não terminar onde minha dor começou?”


É aqui que a identidade espiritual se encontra com a saúde da alma.


Eu posso dizer:


“Eu errei.”


Sem precisar dizer:


“Eu sou um erro.”


Posso dizer:


“Eu pequei.”


Sem precisar dizer:


“Eu sou o meu pecado.”


Posso dizer:


“Eu fui abandonado.”


Sem precisar concluir:


“Eu não sou digno de ser amado.”


Posso dizer:


“Estou sofrendo.”


Sem transformar:


“Estou sofrendo” em “eu sou sofrimento.”


Porque uma coisa é aquilo que acontece conosco.

Outra coisa é aquilo que fazemos disso dentro de nós.

E existe ainda uma terceira coisa:

aquilo que Deus pode fazer conosco quando colocamos nossa vida nas mãos de Cristo.

Talvez seja por isso que a ideia de “Eu Sou” precise ser tratada com reverência.

Eu não sou Deus.


Mas posso dizer:


Eu sou filho de Deus.

Eu não sou Cristo.

Mas posso dizer:

Quero desenvolver os atributos de Cristo.

Eu não sou a própria Consciência Universal.


Mas posso dizer:


Quero tornar minha consciência mais sensível ao Espírito de Deus.

Eu não controlo a realidade simplesmente pensando nela.

Mas posso escolher como responderei à realidade que me foi dada.


E isso é agência.


Posso não escolher tudo o que acontece comigo.

Mas posso escolher o que farei com aquilo que aconteceu.

Posso escolher perdoar.

Posso escolher arrepender-me.

Posso escolher pedir ajuda.

Posso escolher levantar.

Posso escolher servir.

Posso escolher continuar acreditando.

Posso escolher Cristo.


E talvez essa seja uma das maiores revoluções psicológicas do Evangelho:

não precisamos negar nossa humanidade para reconhecer nossa divindade potencial.


Somos mortais.

Mas temos uma origem eterna.

Somos imperfeitos.

Mas podemos progredir.

Somos frágeis.

Mas não somos sem valor.

Somos pecadores.


Mas podemos nos arrepender.


Somos feridos.

Mas podemos ser curados.

Somos filhos.

E filhos ainda estão aprendendo.


Por isso, quando alguém disser:


“Assuma sua identidade como Deus e nunca mais sofrerá”,


talvez possamos responder com algo ainda mais bonito:


“Eu não preciso ser Deus para ter valor.

Preciso lembrar que sou filho Dele.”


E então a frase muda.

Não é mais:


“Eu sou Deus na forma humana.”


É:


“Sou um filho de Deus vivendo uma experiência mortal, aprendendo a escolher, crescer, amar, arrepender-me e tornar-me semelhante a Cristo.”


E talvez seja justamente aí que começa uma verdadeira transformação.


Porque quando uma pessoa descobre que sua identidade não está presa ao passado, ela começa a olhar para o futuro.

Quando descobre que uma queda não é sua identidade, pode levantar.

Quando entende que uma doença não define sua alma, pode continuar lutando.

Quando percebe que um pecado não precisa ser seu nome para sempre, pode arrepender-se.

Quando compreende que uma perda não apaga sua capacidade de amar, pode voltar a amar.

E quando finalmente entende que é filho de Deus...

talvez não deixe de chorar.

Mas passa a chorar de outra maneira.

Não como quem acredita que foi esquecido.

Mas como quem, mesmo entre lágrimas, ainda consegue dizer:


“Pai, eu não entendo tudo o que estou vivendo.

Mas sei de quem sou filho.

E, por isso, ainda posso continuar.”


Talvez essa seja a verdadeira Boa-Nova.

Não a promessa de uma vida sem sofrimento.

Mas a certeza de que o sofrimento não terá a última palavra.

Porque a identidade de um filho de Deus é maior do que qualquer capítulo da sua história.

E a história ainda não terminou.

sábado, 29 de agosto de 2026

Os Retornados: Voltar para onde ?

 Vou tentar me expressar, sim — sobre algo observado, conversado e agora vou nesta crônica falar um pouco mais profundo do que uma questão de falso acolhimento.

O drama do retornado não é somente: “não estão me acolhendo”. É também:

“Eu voltei para reencontrar aquilo que um dia me fez amar este lugar, mas aquilo que eu procuro já não existe da mesma maneira.”

Ele não retorna apenas para uma igreja. Ele retorna à sua memória afetiva daquele lugar. Volta procurando pessoas, gestos, músicas, amizades, formas de culto, simplicidade, vínculos, talvez até uma versão de si mesmo que existia ali. Mesmo sabendo que ele mesmo passou por transformações ao longo dos anos, mesmo tendo a consciência de que é fruto de uma construção sociopolítica e espiritual de tudo que o compôs em estudos, afiliações, relacionamentos, amores, ganhos e perdas... Ele sabe que como retornado não precisa apenas se readaptar à comunidade; precisa elaborar o luto pela comunidade que deixou para trás.

E então acontece algo devastador: o lugar está lá, mas o lugar que ele guardava dentro de si desapareceu.

É quase um luto.

Ele olha para o banco onde sentava.

A música mudou.

As pessoas mudaram.

Os amigos foram embora.

A maneira de receber mudou.

Os antigos costumes desapareceram.

Até a linguagem parece outra.

E ele pensa:

*_OS RETORNADOS — VOLTAR PARA ONDE?*_ 

Talvez ninguém conte ao retornado sobre uma das maiores dores de voltar:

às vezes, aquilo que ele voltou para encontrar já não está mais lá.

Ele retorna carregando saudade.

De necessidade de pertencimento.

Não apenas de pessoas.

Mas de um tempo.

De uma música.

De um abraço.

De uma maneira de conversar.

De uma simplicidade que ficou guardada na memória.

Ele não voltou apenas para frequentar novamente uma igreja.

Voltou para reencontrar uma experiência.

E então entra.

Olha ao redor.

O prédio está lá.

Os bancos estão lá.

O púlpito está lá.

As Escrituras estão lá.

Mas alguma coisa não está.

Aquilo que sua memória dizia que estaria esperando por ele.

E surge uma pergunta silenciosa:

“Eu voltei... mas para onde?”

O estranho sentimento de voltar para casa e não reconhecê-la... Parece ter nova cor, novo cheiro...

Existe uma espécie de luto que acontece quando retornamos a um lugar que amávamos e descobrimos que ele mudou.

Não necessariamente para pior.

Apenas mudou.

As pessoas cresceram.

Algumas partiram.

Outras chegaram.

Os costumes foram modificados.

A linguagem mudou.

A liderança mudou.

As relações mudaram.

A própria pessoa que retorna também mudou.

E talvez seja esse o grande paradoxo:

ele deseja encontrar a igreja que deixou, mas aquela igreja também ficou no passado. Agora parece uma ilusão de um desejo.

O retornado pode ter idealizado aquele lugar durante os anos de afastamento.

Sua memória guardou os melhores momentos.

Guardou os abraços.

As amizades.

As orações.

As conversas depois do culto.

As pessoas que o fizeram sentir-se pertencente ao grupo, só algo sócio religioso.

Enquanto isso, a vida continuou.

E agora ele descobre que estava tentando voltar não apenas para um lugar.

Estava tentando voltar para um tempo.

E tempo nenhum aceita ser visitado duas vezes da mesma maneira.

A ferida do retorno

Por isso, nem todo retornado consegue explicar o que sente.

Ele talvez diga:

— “A igreja mudou.”

Mas talvez exista algo muito maior por trás dessa frase:

“Eu não encontrei aquilo que me fazia sentir em casa.”

E isso pode ser profundamente doloroso.

Porque ele esperava encontrar acolhimento e encontrou formalidade. Só o cumprimento porque está ali, porque todo o tempo afastado não buscaram saber o por quê...

Esperava encontrar velhos amigos e encontrou desconhecidos.

Esperava sentir familiaridade e encontrou estranhamento e pequenas panelinhas.

Esperava recuperar pertencimento e descobriu que precisará construí-lo novamente, mas agora tem o seu constructo antigo num sistema mudado.

É como voltar à casa da infância depois de muitos anos.

A casa continua no mesmo endereço.

Mas já não é a mesma casa.

Porque, na verdade, quem mudou não foi apenas a casa.

Foi ele....

E existe ainda outro paradoxo:

Talvez a comunidade também olhe para o retornado e pense:

“Ele mudou.”

E provavelmente mudou mesmo.

Mas o retornado também olha para a comunidade e pensa:

“Vocês mudaram.”

E ambos podem estar certos.

Não existe necessariamente um culpado.

Existe o tempo.

Existe a vida.

Existem escolhas.

Existem perdas.

Existem transformações.

Existem medos...

Será que ele pode ser uma maçã estragada no cesto tão arrumadinho ?

O problema começa quando um espera encontrar no outro a fotografia congelada do passado.

Psicologicamente, isso é um reencontro com a memória

A memória afetiva não guarda apenas fatos.

Guarda sensações.

Cheiros.

Vozes.

Músicas.

Rostos.

Rituais.

Sentimentos.

Por isso, quando retornamos a um lugar significativo, esperamos inconscientemente que o ambiente devolva aquilo que sentimos um dia.

Mas nenhum lugar consegue fazer isso sozinho.

O passado não mora mais naquele lugar.

Ele mora dentro de nós.

E talvez essa seja uma das tarefas mais difíceis do retornado:

aceitar que não poderá recuperar exatamente o que perdeu.

Precisará descobrir se consegue construir algo novo.

E aqui está o grande desafio espiritual

Talvez Deus não esteja convidando o retornado a recuperar a igreja que existia antes.

Talvez esteja convidando-o a descobrir o que pode nascer agora.

Não voltar para repetir.

Voltar para reconstruir.

Não exigir que tudo seja como antes.

Mas perguntar:

“O que podemos construir a partir daqui?”

"O que eu vou fazer com isso que descobri?"

Porque uma fé madura também precisa aprender a conviver com as mudanças.

O retornado precisa de acolhimento.

Mas a comunidade também precisa de compreensão.

Ela não recebe apenas alguém que voltou.

Recebe alguém cuja história continuou longe dali e isso assusta.

E ele não reencontra apenas uma congregação.

Reencontra pessoas que também viveram suas próprias histórias e que batem no peito sobre terem permanecido, e cada vez que isso é falado soa como uma chicotada de "eu sou melhor que você porque eu permaneci".

Teria talvez o verdadeiro acolhimento seja este

Não dizer:

“Aqui está tudo igual.”

Porque não está.

Mas dizer:

“Nós mudamos. Você mudou. Algumas coisas ficaram para trás. E eis a dificuldade: Mas existe espaço para construirmos novamente.”

Isso é muito mais honesto.

Porque talvez o retornado não precise recuperar o passado.

Precise apenas descobrir que o presente ainda pode oferecer pertencimento.

Ele voltou ferido.

Mas não quer um espaço que o queira sangrando, e deverá saber ter o equilíbrio emocional para os dedos que o usarão como exemplo.

Talvez tenha esperado encontrar a velha gaze.

Mas descobriu que até a farmácia mudou de lugar e não há antisséptico.

Então talvez seja preciso parar.

Sentar.

Escutar.

Reconhecer as perdas.

Chorar algumas ausências.

Dar nome à saudade.

Equilibrar o luto...

E somente depois começar novamente.

Porque há retornos que não são simplesmente uma volta.

São um novo nascimento dentro de um lugar que já foi conhecido.

Pois, talvez o maior erro que uma comunidade possa cometer seja exigir que alguém que acabou de voltar corra antes de aprender novamente a caminhar.

Acolher o retornado é compreender que algumas pessoas precisam de tempo.

Precisam ser ouvidas.

Precisam perceber que não serão julgadas pela história que carregam.

Precisam descobrir que podem fazer perguntas.

Precisam saber que podem discordar, o que para muitos se torna ameaça e não uma oportunidade de te ensinar os dogmas e as novas regras.

Precisam sentir que sua presença não depende de desempenho.

Porque talvez o verdadeiro milagre não seja alguém voltar para a igreja.

Talvez seja alguém voltar e, pela primeira vez depois de muito tempo, sentir que pode permanecer.

E talvez essa seja uma das maiores tarefas da igreja:

não apenas abrir suas portas para quem retorna,

mas abrir também o coração daqueles que permaneceram.

Porque voltar para Deus pode acontecer em um instante.

Voltar a confiar nas pessoas pode levar muito mais tempo.

Talvez a pergunta mais importante para quem retorna não seja:

“A igreja ainda é como antes?”

Mas:

“Existe aqui um lugar onde eu possa ser quem me tornei? Me aceitarão?”

E talvez a pergunta para a comunidade seja ainda mais difícil:

“Somos capazes de acolher não apenas quem está voltando, mas a pessoa que ela se tornou?”

Porque o retornado não voltou para encontrar o passado.

Voltou procurando um lugar no presente.

E talvez seja justamente aí que começa o verdadeiro reencontro.


— Abilio Machado

Psicoteologia: para além das paredes e para dentro da alma.

Você 🫵 não leu "Os ded8grejados" leia tocando no link https://ensinamentosdopapainoel.blogspot.com/2026/08/os-desigrejados-quando-fe-sai-pela.html


#OsRetornados #Acolhimento #Psicoteologia #Igreja #Fé #FeridasDaAlma #Pertencimento #Espiritualidade #Psicologia #Autoconhecimento #EntenderParaTransformar

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Os desigrejados: quando a fé sai pela porta da igreja

 


Os desigrejados: quando a fé sai pela porta da igreja

Por Abilio Machado 

Há pessoas que deixaram a igreja, mas não deixaram Deus.


E talvez essa seja a primeira coisa que precisamos compreender quando falamos dos chamados “desigrejados”.


O termo costuma ser usado para identificar pessoas que não frequentam regularmente uma instituição religiosa, embora algumas continuem acreditando em Deus, cultivando a espiritualidade, lendo as Escrituras, orando e buscando uma relação com o sagrado.


Mas há uma pergunta escondida por trás dessa palavra:


o que fez alguém sair?


Nem sempre foi falta de fé.


Às vezes foi excesso de dor.


Há quem tenha saído porque encontrou hipocrisia onde esperava acolhimento. Há quem tenha sido ferido por líderes religiosos. Outros cansaram de viver uma fé baseada no medo, na culpa e na vigilância constante. Alguns foram embora depois de perceber que a instituição parecia mais preocupada em preservar suas estruturas do que em cuidar de suas pessoas.


E há aqueles que simplesmente descobriram que já não conseguiam acreditar da mesma maneira.


Também existem os que nunca abandonaram Deus. Apenas abandonaram uma determinada maneira de procurá-Lo.


Talvez seja por isso que o fenômeno dos desigrejados não possa ser explicado simplesmente com frases como:


“Perdeu a fé.”


“Está afastado de Deus.”


“Quer viver do seu jeito.”


Essas explicações podem ser confortáveis, mas são pequenas demais para explicar uma realidade tão humana.


O lado psicológico


Existe uma dimensão psicológica importante nessa ruptura.


Toda instituição cria pertencimento, identidade, vínculos e também expectativas.


Quando alguém passa anos acreditando que determinado espaço é sua família espiritual e, de repente, experimenta rejeição, julgamento ou violência simbólica, a saída pode ser também uma forma de autopreservação.


Às vezes, sair não significa abandonar a fé.


Significa tentar sobreviver emocionalmente a uma experiência religiosa que se tornou insuportável.


Mas aqui aparece o primeiro porém.


Sair de uma igreja não resolve automaticamente todas as feridas produzidas dentro dela.


Podemos abandonar o templo e continuar carregando seus bancos dentro da cabeça.


Podemos deixar o púlpito e continuar ouvindo a voz do pregador dentro da consciência.


Podemos parar de frequentar cultos e continuar vivendo sob a culpa, o medo e a necessidade de aprovação que aprendemos ali.


É possível sair da instituição sem sair do conflito interior.


Por isso, algumas pessoas precisam não apenas de distância religiosa, mas de elaboração psicológica.


E o lado teológico?


Aqui precisamos ter cuidado.


A Bíblia apresenta tanto a dimensão comunitária quanto a dimensão pessoal da fé.


Jesus encontrou pessoas em casas, estradas, montanhas, sinagogas e junto ao mar. A experiência espiritual nunca esteve limitada a quatro paredes.


Mas o cristianismo também não nasceu como uma religião absolutamente individualista.


Existe comunidade.


Existe partilha.


Existe serviço.


Existe cuidado.


Existe o outro.


Por isso, transformar o “desigrejado” em uma espécie de novo modelo de espiritualidade perfeita também seria um erro.


Porque uma pessoa pode sair de uma instituição opressora e encontrar liberdade.


Mas também pode sair de toda comunidade porque não deseja mais ser confrontada, contrariada ou responsabilizada.


E esse é um dos grandes poréns.


Às vezes, o problema não está apenas na igreja.


Às vezes, está também na nossa dificuldade de conviver com aquilo que nos incomoda.


Uma comunidade saudável não existe para concordar conosco o tempo inteiro.


Ela também nos confronta.


Ela nos tira do centro.


Ela nos ensina que fé não é apenas sentir Deus, mas aprender a amar pessoas que pensam, sentem e vivem de maneira diferente de nós.


Quando a liberdade vira isolamento


Existe uma diferença entre liberdade espiritual e isolamento espiritual.


A primeira pode significar amadurecimento.


A segunda pode transformar-se em uma espécie de bolha onde somente aquilo que confirma nossas convicções é aceito.


“Eu e Deus” pode ser uma experiência profundamente verdadeira.


Mas “eu, Deus e ninguém mais” pode esconder também uma dificuldade de relacionamento.


Porque religião pode adoecer.


Mas a ausência absoluta de vínculos também pode adoecer.


A comunidade pode ferir.


Mas o isolamento também pode ferir.


A instituição pode produzir dependência.


Mas a autonomia exagerada pode produzir narcisismo espiritual.


E talvez seja justamente aí que precisamos abandonar as respostas prontas.


Os desigrejados não são todos iguais


Há desigrejados que estão procurando Deus.


Há desigrejados que estão fugindo da religião.


Há desigrejados que estão feridos.


Há desigrejados que estão decepcionados.


Há desigrejados que simplesmente não acreditam mais.


Há aqueles que encontraram uma espiritualidade mais madura fora da instituição.


E há aqueles que apenas trocaram uma igreja física por uma igreja virtual onde escolhem somente aquilo que desejam ouvir.


Por isso, antes de perguntar:


“Por que ele saiu da igreja?”


Talvez devêssemos perguntar:


“O que aconteceu com ele dentro da igreja?”


E depois perguntar:


“O que está acontecendo com ele agora?”


Porque nem todo afastamento é rebeldia.


Assim como nem toda permanência é fidelidade.


Há pessoas dentro das igrejas que estão profundamente distantes de Deus.


E há pessoas fora delas que continuam procurando-O sinceramente.


Talvez a pergunta mais importante


Talvez Deus não esteja tão preocupado com o lugar onde nos sentamos no domingo quanto com aquilo que fazemos com o amor que recebemos.


Porque é possível ocupar um banco de igreja e permanecer indiferente à dor do outro.


É possível conhecer dezenas de versículos e não saber acolher uma pessoa ferida.


É possível defender a doutrina correta e desenvolver um coração completamente errado.


Mas também é possível sair da igreja e transformar a própria dor em arrogância.


É possível usar os erros de uma instituição como justificativa para não pertencer a lugar algum.


É possível transformar a própria liberdade em uma nova religião.


E talvez seja esse o grande desafio dos desigrejados:


não trocar uma prisão por outra.


Se a igreja que deixamos nos ensinou a ter medo de Deus, precisamos descobrir um Deus que não seja construído pelo medo.


Se ela nos ensinou a odiar quem pensa diferente, precisamos reaprender o amor.


Se nos ensinou a depender cegamente de líderes, precisamos recuperar a consciência.


Mas, se ela nos feriu, precisamos também cuidar das feridas para que a nossa dor não se transforme em identidade.


Porque sair da igreja pode ser necessário.


Mas sair da igreja não significa necessariamente encontrar a liberdade.


A liberdade começa quando conseguimos olhar para nossa história sem precisar negar aquilo que vivemos.


Talvez alguns desigrejados estejam apenas procurando uma casa espiritual onde possam respirar.


Talvez alguns estejam procurando Deus.


Talvez alguns estejam procurando a si mesmos.


E talvez alguns estejam tentando descobrir se ainda conseguem acreditar depois de terem sido decepcionados justamente por aqueles que diziam representar a fé.


No fim, talvez a pergunta não seja:


“Você está na igreja?”


Talvez seja:


“O que a sua fé está fazendo de você?”


Porque se ela não produz amor, compaixão, responsabilidade, humildade e capacidade de cuidar do outro, talvez devêssemos ter coragem de olhar para dentro.


E isso vale para quem está dentro da igreja e para quem está fora dela.


Afinal, Deus não cabe em nossos templos.


Mas também não cabe no nosso ego.


E talvez a verdadeira maturidade espiritual comece justamente quando descobrimos que pertencer a Deus não é simplesmente encontrar um lugar para sentar, mas encontrar uma maneira de viver.


— Abilio Machado

Psicoteologia, para além das paredes e para dentro da alma.

O verdadeiro espírito do Natal

 


O Verdadeiro Espírito do Natal

O encanto do Natal vai muito além dos presentes; ele habita no acolhimento genuíno, na empatia e na forma como nos conectamos uns com os outros.

O trabalho do Papai Noel — e de quem vive essa magia — é um exercício profundo de amor. É oferecer um abrigo em forma de abraço, um calor que desarma qualquer dia difícil e faz qualquer coração se sentir seguro. Mais do que ouvir pedidos, o Papai Noel exerce a escuta atenta, aquela que acolhe anseios, segredos e esperanças sem julgamentos.

E quando chega a vez da "palavra", ela se transforma em bálsamo: um conselho amigo, um incentivo carinhoso ou um sorriso que renova a fé na humanidade. É a empatia traduzida em tempo dedicado ao outro, mostrando a cada criança e adulto que eles são vistos, ouvidos e amados.

Que possamos resgatar essa essência acolhedora em nossos próprios dias, espalhando escuta, carinho e abraços sinceros por onde passarmos! 🎅❤️✨