sábado, 7 de fevereiro de 2026

Jogos, limites e o peso do contexto

 Eis um assunto que retorna a minha discussão pessoal, para mim o solo consagrado tem que ter regras e não adaptações a atividades mundanas... Eis o grande ápice da conversão: deixar o mundo ao mundo e ao sagrado uma nova vida.



Jogos, limites e o peso do contexto

Esse é um bom incômodo — desses que não pedem resposta rápida, pedem escuta.

Há coisas que não são erradas em si, mas se tornam deslocadas quando mudam de lugar.

Um riso fora de hora, um grito no velório, uma brincadeira no púlpito.

O problema não é o gesto — é o contexto que o cerca.

O jogo, psicologicamente, é território de descarga.

Ali se liberam tensões, rivalidades simbólicas, impulsos de confronto.

Jogamos para medir forças, para blefar, para ganhar espaço.

No truco, isso é ainda mais explícito: o grito, a afronta ritualizada, o exagero da linguagem.

Não há ingenuidade ali — há combate lúdico.

Espiritualmente, porém, espaços consagrados pedem outra disposição interna.

Não porque sejam frágeis ou sagradinhos, mas porque carregam um pacto simbólico:

aqui se aprende a conter, a escutar, a sustentar o outro.

Aqui o eu não precisa vencer para existir.

Quando um jogo combativo ocupa esse espaço, surge a pergunta que você tocou no centro:

O que o outro vê?

Não o jogador — o observador.

A criança.

O visitante.

O recém-chegado.

Aquele que ainda está aprendendo a distinguir fé de hábito.

Ele não vê apenas cartas sobre a mesa.

Vê vozes elevadas.

Vê corpos tensionados.

Vê disputas de poder travestidas de brincadeira.

E, sem saber de regras, apostas ou intenções, aprende algo silencioso:

“Este lugar também é de confronto.”

A psicologia chama isso de aprendizagem por observação.

A espiritualidade chama de testemunho.

Nem tudo que é permitido edifica.

Nem tudo que diverte comunica cuidado.

E nem tudo que é “só um jogo” permanece só jogo quando muda de altar.

Limite não é repressão.

Limite é leitura de ambiente.

É saber que algumas práticas precisam de outros territórios para existir, sem serem demonizadas, mas também sem serem sacralizadas à força.

Talvez a pergunta mais honesta não seja: “Pode ou não pode jogar?”

Mas sim: “O que este espaço está ensinando quando eu ajo assim dentro dele?”

Quando essa pergunta surge, o espírito já começou a falar —

não em grito de truco,

mas em silêncio atento.

Jogos de azar 

são jogos em que o resultado depende principalmente da sorte, e não da habilidade, do conhecimento ou da estratégia do jogador. Em outras palavras: você pode até tentar escolher, mas não tem controle real sobre o resultado.

Características principais

🎲 Predominância do acaso (sorte ou aleatoriedade)

💰 Envolvem aposta de dinheiro ou algo de valor

🔄 Resultado imprevisível, mesmo repetindo várias vezes

🧠 A habilidade do jogador não altera de forma decisiva o desfecho

Exemplos clássicos

Roleta

Caça-níqueis

Bingo

Jogo do bicho

Loterias

Dados apostados

Cartas quando jogadas apenas por aposta, sem peso estratégico relevante

Diferença entre jogo de azar e jogo de habilidade

Jogo de azar: ganhar ou perder independe do que você faz

Jogo de habilidade: o desempenho melhora com treino, estudo e estratégia

Por exemplo:

Xadrez ♟️ → habilidade

Roleta 🎡 → azar

Poker 🃏 → discussão comum: tem habilidade, mas ainda envolve sorte (por isso é tratado de forma diferente em leis e estudos)

Um olhar psicológico

Jogos de azar ativam fortemente:

expectativa de recompensa

ilusão de controle (“agora vai”)

reforço intermitente (ganha-se pouco, perde-se muito)

Esse combo explica por que eles podem ser tão atraentes e, para algumas pessoas, problemáticos.

Dentro das leis e orientações da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja Mórmon):

🎴 Jogos de baralho em si

👉 Não são automaticamente proibidos.

O que a Igreja condena explicitamente são jogos de azar e apostas.

Ou seja:

❌ Baralho com aposta, dinheiro, prêmios ou “quem perde paga” → não permitido

✅ Baralho como jogo recreativo, social, sem aposta → pode ser aceitável

🎲 Posição oficial da Igreja

A Igreja ensina que:

Jogos de azar são prejudiciais espiritual, social e psicologicamente

Devem ser evitados por membros fiéis

Não devem ocorrer em ambientes da Igreja

O foco não é o objeto (cartas), mas a prática (azar, dinheiro, compulsão).

🏛️ E quanto ao espaço físico da igreja?

Aqui entra o ponto mais sensível:

Mesmo jogos sem aposta, quando realizados:

dentro de capelas

em salões culturais

em atividades oficiais da ala/ramo

👉 dependem da aprovação da liderança local (bispo ou presidente de ramo).

Na prática:

Jogos simples e claramente recreativos (ex.: Uno, dominó, jogos cooperativos) costumam ser aceitos

Baralho tradicional pode gerar desconforto cultural, mesmo sem apostas, por associação simbólica

Muitas lideranças preferem evitar qualquer coisa que possa causar má interpretação

📌 Resumo claro

❌ Jogos de azar → não podem, em hipótese alguma

⚠️ Jogos de baralho sem aposta → não são doutrinariamente proibidos, mas:

- devem ser recreativos

- apropriados ao ambiente

e - aprovados pela liderança local

🧭 O critério central é: edificação, exemplo e bom senso

Uma frase que resume bem o espírito mórmon:

“Não é apenas o que fazemos, mas o que isso ensina e comunica.”

Quatro vozes que disputam o coração que escuta



🌿 SÉRIE PSICOTEOLÓGICA

Quatro vozes que disputam o coração que escuta

Escutar a Deus e ao outro não é simples porque o coração não é neutro. Ele é atravessado por forças internas que falam ao mesmo tempo. Discernir não é calar tudo, mas reconhecer quem está falando.

1️⃣ O MEDO — a voz que protege, mas aprisiona

Psicologicamente

O medo nasce para proteger. Ele nos mantém vivos.

Mas quando governa, transforma possibilidade em ameaça.

O medo antecipa cenários, exagera riscos e nos mantém no conhecido — mesmo que o conhecido doa.

Ele diz:

“Não mude.”

“Não confie.”

“Não se exponha.”

Teologicamente

Na Bíblia, o medo aparece sempre antes de um chamado.

Não porque Deus provoque medo, mas porque o novo desmonta defesas.

Por isso a frase mais repetida é:

“Não tenhas medo.”

Deus não elimina o medo — Ele não negocia com ele como senhor.

📌 Sinal do medo: paralisa, endurece, isola.

📌 Nunca é critério final de decisão espiritual.

2️⃣ A PRESSA — a voz que evita o encontro

Psicologicamente

A pressa não é excesso de tarefas.

É dificuldade de permanecer.

Ela acelera para não sentir, não pensar, não entrar em contato.

É uma forma sofisticada de fuga.

A pressa diz:

“Decida logo.”

“Resolva.”

“Passe para o próximo.”

Teologicamente

Deus raramente fala na pressa.

Porque a pressa impede a escuta e mata o discernimento.

Lucas é o evangelho da demora fecunda:

Maria pondera

Isabel reconhece

Jesus cresce em silêncio

Os discípulos caminham

📌 Sinal da pressa: ansiedade, irritação, decisões defensivas.

📌 Onde há pressa constante, há algo que não quer ser ouvido.

3️⃣ A VOZ DE DEUS — a voz que não violenta

Psicologicamente

A voz de Deus nunca compete com o ego nem com o superego punitivo.

Ela não humilha, não ameaça, não exige perfeição.

Ela convida.

Produz inquietação serena, não desespero.

Responsabiliza sem esmagar.

Teologicamente

A voz de Deus:

respeita o tempo

sustenta a liberdade

não se impõe

gera vida, mesmo quando confronta

Ela pergunta mais do que ordena.

Chama mais do que empurra.

📌 Sinal da voz de Deus: amplia o coração, mesmo quando dói.

📌 Nunca contradiz o amor, a dignidade e a vida.

4️⃣ A DOR DO OUTRO — a voz que pede lugar

Psicologicamente

Escutar a dor do outro é uma das experiências mais exigentes.

Porque ela nos convoca a sair do centro.

A dor do outro não pede solução imediata.

Pede reconhecimento.

Quando não suportamos escutá-la, tendemos a:

minimizar

espiritualizar

aconselhar rápido demais

Teologicamente

Na Bíblia, Deus se revela na escuta da dor:

“Eu vi a aflição do meu povo.”

Escutar o outro é participar desse movimento divino.

📌 Sinal da dor do outro: não exige resposta, exige presença.

📌 Quem aprende a escutar a dor humana, afina o ouvido para Deus.

🌱 Síntese psicoteológica

Discernir não é escolher entre vozes externas,

mas organizar as vozes internas.

O medo pede cuidado, mas não governo.

A pressa precisa ser desacelerada.

A voz de Deus reconhece a liberdade.

A dor do outro pede espaço, não controle.

Um coração disponível não é silencioso, é honesto.

 💛

Como estar com o coração ❤️ disposto a escutar a Deus e ao outro ?

 


🤍

Escutar a Deus e ao outro não é técnica; é postura de coração. E postura se cultiva aos poucos.

Vou te explicar como Lucas faria.

❤️ 1. Um coração disposto começa quando abrimos mão do controle

Grande parte do que nos impede de escutar não é distração, é defesa.

Escutar de verdade exige aceitar que algo pode nos mover de lugar.

Quem escuta precisa admitir:

“Talvez eu não saiba tudo.”

E isso já é oração.

❤️ 2. Silenciar não é calar, é organizar o interior

Silêncio não é ausência de pensamento, é hierarquização.

É escolher não obedecer a todo ruído interno.

Um coração disponível aprende a perguntar antes de reagir:

O que é medo?

O que é pressa?

O que é voz de Deus?

O que é dor do outro?

Escuta nasce quando a pressa perde autoridade.

❤️ 3. Deus costuma falar no mesmo tom do amor

Deus raramente grita.

Ele fala no tom da consciência, da inquietação suave, do incômodo que não acusa, mas chama.

Se a “voz” que você escuta:

humilha,

violenta,

desespera,

endurece,

provavelmente não é Deus.

O coração afinado aprende a reconhecer o tom, não só as palavras.

❤️ 4. Escutar o outro é o ensaio mais concreto para escutar Deus

Lucas mostra isso o tempo todo:

quem não escuta gente, dificilmente escuta Deus.

Escutar o outro é:

não preparar resposta enquanto ele fala,

não transformar o relato dele em espelho do meu,

não disputar dor, razão ou narrativa.

Um coração disponível pergunta em silêncio:

“O que essa pessoa precisa ser ouvida agora?”

❤️ 5. Disposição não é constância perfeita, é retorno

Ninguém está disponível o tempo todo.

O coração cansa, endurece, se fecha.

O segredo não é nunca se fechar,

é voltar.

Voltar à escuta.

Voltar à presença.

Voltar ao amor como critério.

Isso também é fé.

Se eu tivesse que resumir em uma frase (bem Lucas):

Um coração disposto é aquele que aceita ser atravessado — por Deus e pelo outro — sem precisar sair ileso.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

📖 Dia 05 — Quando o céu fala aos simples


 📖 Dia 05 — Quando o céu fala aos simples

Texto-base: Lucas 2,8–14

🕯️ Estudo

Lucas é intencional: o anúncio do nascimento não é feito aos sábios, nem aos religiosos do templo, nem aos poderosos da cidade.

É feito aos pastores — homens simples, anônimos, socialmente invisíveis.

Enquanto a cidade dorme, o céu se abre.

Enquanto o poder ignora, Deus revela.

Os pastores não estavam rezando no templo.

Estavam trabalhando, cuidando do rebanho, vivendo o ordinário da vida.

É ali que o céu fala.

Lucas nos ensina que a revelação de Deus não depende de posição, prestígio ou preparo intelectual, mas de disponibilidade do coração.

🌿 Reflexão

Talvez a fé canse quando achamos que Deus só fala em lugares especiais.

Lucas desmonta isso.

O céu fala no campo.

No turno da noite.

No cansaço do trabalho.

Na vida que segue sem holofotes.

Os pastores nos lembram que Deus não se comunica apenas com quem tem respostas,

mas com quem escuta.

Talvez o céu continue falando hoje —

não em vozes altas,

mas em sinais simples,

para quem ainda consegue parar e ouvir.

🙏 Oração

Senhor,

ensina-me a escutar Tua voz fora dos lugares óbvios.

Que eu não espere condições ideais para Te encontrar,

nem ache que preciso ser mais do que sou.

Fala comigo na simplicidade dos meus dias,

no trabalho, no silêncio, na noite comum.

E quando o céu se abrir,

dá-me coragem de ir ao encontro do que anuncias.

Amém.

🔖 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A IMPORTÂNCIA DA MEDITAÇÃO ROSACRUZ

 

A IMPORTÂNCIA DA MEDITAÇÃO ROSACRUZ


Meditação geralmente é entendida como um exercício para acalmar a mente, reduzir a ansiedade ou encontrar um espaço de silêncio em meio ao ruído diário. Nada disso é falso, mas está longe de esgotar o seu significado. Quando contemplada a partir da visão Rosacruz, a meditação é algo mais íntimo e mais urgente: é o lugar onde o ser humano aprende a ouvir.


Ouvir não no senso comum do termo, mas ouvir aquilo que não fala em palavras. A tradição Rosacruz sustentou que antes de poder servir, compreender ou caminhar para a reintegração, o ser humano deve recuperar a capacidade de ouvir a voz do Centro. Essa voz não grita, não ameaça, não exige; apenas sussurra, e esse sussurro é tão subtil que a vida contemporânea o cobre facilmente. Meditação é a disciplina do silêncio que permite que esse sussurro se torne perceptível.


O ser humano moderno foi educado para reagir, para produzir, para responder rápido, celebra-se o imediatismo, a acuidade, a atividade constante. Mas raramente é ensinado a parar, a permanecer, a olhar para dentro sem medo, nesse sentido, a meditação Rosacruz é contracultural: não procura preencher, mas esvaziar; não procura acrescentar estímulos, mas retirar o que atrapalha; não procura criar novas identidades, mas remover máscaras. É um trabalho de nudez interior, quem se senta em silêncio de verdade, nem que seja por alguns minutos, descobre que o maior obstáculo não é a falta de tempo, mas o confronto consigo mesmo, aparecem pensamentos pendentes, vozes internas que discutem, feridas antigas que pedem para ser atendidas, aparece até o medo de não saber quem é quando o barulho parar. É por isso que a meditação Rosacruz não é evasão nem fuga: é um ato de coragem. Envolve olhar para dentro com sinceridade e atravessar a inquietação inicial sem recuar.


A tradição Rosacruz entende que a alma não se ilumina pela saturação, mas pela clareza. Quando a mente fica quieta, ainda que minimamente, aparece uma ordem que não vem da vontade inferior, não se trata de passividade, mas de alinhamento. A meditação torna-se então um laboratório silencioso onde as forças internas se reorganizam: os desejos esvaziam-se, os ressentimentos perdem força, as preocupações tornam-se proporcionais e o coração recupera o seu tom, isso não acontece de repente, nem em um dia, nem com técnicas mágicas. Acontece como uma planta cresce: para dentro primeiro, para cima depois, para fora finalmente.


A importância da meditação Rosacruz não está nos seus efeitos imediatos, embora também haja, mas no que possibilita a longo prazo: a capacidade de sustentar uma presença interior, quem medita aprende a não ser arrastado por cada emoção passageira, a não idolatrar cada pensamento, a não converter no inimigo toda dificuldade, torna-se capaz de viver a partir de um ponto mais profundo, esse ponto não é um refúgio para fugir do mundo, mas um centro para habitá-lo com maior lucidez.


O ser humano que persevera na meditação descobre algo ainda mais valioso: por trás do ruído mental há uma luz, e essa luz não é imaginária. Não pertence ao ego nem à memória, sente-se mais antiga, mais delicada, mais real, quando essa luz começa a se tornar habitual, surge a esperança em um sentido diferente. Não é a esperança ingênua que espera que tudo mude externamente, mas a esperança madura de quem sabe que a transformação é possível por dentro.


Desde a visão Rosacruz, a meditação é também uma preparação para o Serviço. Como segurar os outros se você mesmo vive internamente disperso? Como iluminar se a própria lâmpada está apagada? Meditação não promete perfeição, mas oferece estabilidade. E essa estabilidade, quando se torna hábito, traduz-se em atos concretos: palavras mais benignas, decisões mais justas, gestos mais atentos, renúncias mais limpas.


Não há meditação Rosacruz autêntica que não desemboque em um modo diferente de estar no mundo.


No final, a importância da meditação Rosacruz se resume em algo muito simples: devolve esperança. Não a esperança fantástica de quem sonha com fugas, mas a esperança silenciosa de quem entende que a melhoria do ser humano não é mito, mas sim possibilidade. Toda vez que o ser humano se senta em silêncio, nem que seja por alguns minutos, está dizendo ao universo: “Não desisto da minha própria escuridão”. E essa decisão repetida diariamente faz mais mudanças do que cem discursos.


Talvez a verdadeira grandeza da meditação não esteja no que produz, mas no que revela: que no coração do ser humano existe um ponto onde a vida não está quebrada. Esse ponto não se compra nem se vende; descobre-se, e quando se descobre, a existência deixa de se sentir como um acidente solitário e começa a ser vivida como parte de uma obra ainda em curso. Lá, nesse silêncio cheio, começa a verdadeira esperança.


Scintum 


 📖 Dia 04 — Quando Deus entra na história comum

Texto-base: Lucas 2,1–7

👉 O nascimento de Jesus

Tema do dia 04:

“Quando Deus escolhe a simplicidade”

Depois do cântico de Maria (dia 03), Lucas nos conduz para o chão da história: decreto político, viagem cansativa, falta de lugar, um parto fora do centro, fora do conforto, fora do esperado.

É aqui que Lucas faz algo precioso: ele mostra que o sagrado não chega rompendo a realidade, mas se deixando acolher por ela.

Deus não nasce no templo.

Não nasce no poder.

Não nasce no aplauso.

Nasce no improviso, na fragilidade, no cotidiano apertado — exatamente onde a maioria de📖 Dia 04 — Quando Deus escolhe a simplicidade

Texto-base: Lucas 2,1–7

🕯️ Estudo

Lucas faz questão de situar o nascimento de Jesus dentro da história concreta: um decreto imperial, uma viagem forçada, uma cidade cheia, nenhum lugar disponível.

Nada aqui é místico no sentido romântico. Tudo é real, apertado, cansativo.

O Filho de Deus nasce porque o mundo mandou José viajar.

Nasce porque não havia espaço.

Nasce longe do centro, longe do templo, longe do conforto.

Lucas escreve para deixar claro:

👉 Deus entra na história pelo lado mais vulnerável dela.

O Cristo não chega impondo presença, mas aceitando limites.

Não escolhe o melhor cenário, escolhe o mais verdadeiro.

🌿 Reflexão

Há dias em que a fé gostaria de um palco,

mas a vida só oferece um estábulo.

Lucas nos ensina que isso não é fracasso espiritual.

É, muitas vezes, o próprio método de Deus.

Quantas vezes esperamos encontrar Deus quando tudo está organizado, resolvido, bonito —

e Ele já está ali,

no improviso,

na falta,

no cansaço,

no que não deu tempo de arrumar.

Talvez Deus continue nascendo assim: onde não havia espaço, onde ninguém esperava, onde só havia o necessário para sobreviver.

🙏 Oração

Senhor,

quando minha vida parece simples demais para ser sagrada,

lembra-me que foi assim que Tu chegaste.

Quando me sinto fora do centro,

fora do lugar,

fora do ideal,

mostra-me que foi exatamente aí que escolheste nascer.

Ensina-me a não desprezar os estábulos da minha história,

pois talvez sejam eles

o lugar da Tua presença silenciosa.

Amém.

🔖 

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Dia 03 – Quando a alegria vira cântico

 📖 EVANGELHO DE LUCAS



Dia 03 – Quando a alegria vira cântico

Texto: Lucas 1,46–55 (Magnificat)

Estudo

Diante do reconhecimento de Isabel, Maria não se fecha em si mesma. Ela canta. O Magnificat não é um cântico ingênuo nem romântico — é profundamente teológico, social e espiritual.

Maria louva um Deus que:

derruba poderosos de seus tronos

exalta os humildes

sacia os famintos

despede os ricos de mãos vazias

Em Lucas, a alegria não aliena da realidade; ela a reorganiza. O louvor nasce quando alguém percebe que Deus age na história concreta, e não apenas no íntimo.

Reflexão

Nem toda alegria é barulho. Algumas amadurecem em silêncio até encontrarem voz.

O cântico de Maria nos lembra que fé não é resignação. É esperança ativa. É confiar que o mundo pode ser diferente porque Deus não pactua com a injustiça como se ela fosse normal.

Talvez hoje não seja dia de resolver tudo, mas de relembrar o que sustenta sua esperança. O que ainda te faz cantar, mesmo em meio às contradições?

Oração

Deus da esperança,

ensina-me a reconhecer tua presença

mesmo quando o mundo parece desordenado.

Que minha fé não seja silêncio conformado,

mas voz que anuncia justiça,

ternura e fidelidade.

Amém.


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