quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Dia 03 – Quando a alegria vira cântico

 📖 EVANGELHO DE LUCAS



Dia 03 – Quando a alegria vira cântico

Texto: Lucas 1,46–55 (Magnificat)

Estudo

Diante do reconhecimento de Isabel, Maria não se fecha em si mesma. Ela canta. O Magnificat não é um cântico ingênuo nem romântico — é profundamente teológico, social e espiritual.

Maria louva um Deus que:

derruba poderosos de seus tronos

exalta os humildes

sacia os famintos

despede os ricos de mãos vazias

Em Lucas, a alegria não aliena da realidade; ela a reorganiza. O louvor nasce quando alguém percebe que Deus age na história concreta, e não apenas no íntimo.

Reflexão

Nem toda alegria é barulho. Algumas amadurecem em silêncio até encontrarem voz.

O cântico de Maria nos lembra que fé não é resignação. É esperança ativa. É confiar que o mundo pode ser diferente porque Deus não pactua com a injustiça como se ela fosse normal.

Talvez hoje não seja dia de resolver tudo, mas de relembrar o que sustenta sua esperança. O que ainda te faz cantar, mesmo em meio às contradições?

Oração

Deus da esperança,

ensina-me a reconhecer tua presença

mesmo quando o mundo parece desordenado.

Que minha fé não seja silêncio conformado,

mas voz que anuncia justiça,

ternura e fidelidade.

Amém.


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Qual é a diferença entre Elias, Elijah e o Espírito de Elias?

Qual é a diferença entre Elias, Elijah e o Espírito de Elias?



Muitas pessoas ficam confusas ao estudar as escrituras e encontrar os termos Elias, Elijah e Espírito de Elias. Às vezes parece que estamos falando da mesma pessoa, outras vezes parecem três conceitos diferentes. Parte da confusão vem do fato de que “Elias” pode ser um nome, um título ou uma tradução diferente de “Elijah”. Entender essa diferença ajuda a compreender melhor o papel do profeta Elijah, o uso do título Elias nas escrituras e o significado do Espírito de Elias relacionado ao templo e à história da família.


1. Elias

Nas escrituras, especialmente em Doutrina e Convênios e nos ensinamentos do Profeta Joseph Smith, o nome Elias pode ter dois sentidos distintos.


Primeiro, existe Elias como um profeta real, que viveu na época de Abraão. Não sabemos quase nada sobre sua vida ou missão mortal, as escrituras não registram detalhes sobre ele.


Segundo, Elias também é usado como título, aplicado a qualquer mensageiro que tem a missão de preparar ou restaurar algo na obra de Deus. João Batista, por exemplo, recebe o título de Elias porque preparou o caminho para Cristo. Jesus Cristo também recebe esse título porque restaurou o evangelho e o sacerdócio. Outros servos de Deus nas escrituras também são chamados de Elias nesse sentido.


No Novo Testamento, a palavra Elias é a tradução grega do nome hebraico Eliyahu, que em inglês aparece como Elijah. Em português, nas Bíblias tradicionais, “Elijah” aparece como “Elias” e é isso que causa tanta confusão.


Diferença entre Elias e Elijah

2. Elijah (o profeta do Velho Testamento)

Quando usamos o nome Elijah, estamos falando de uma pessoa específica: o profeta do Velho Testamento que enfrentou os profetas de Baal e foi levado ao céu sem experimentar a morte. Em português, nas Bíblias cristãs, ele aparece com o nome Elias.


O profeta Malaquias profetizou seu retorno:


“Eis que eu vos envio o profeta Elias antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.”

(Malaquias 4:5)


Essa profecia foi cumprida em 3 de abril de 1836, no Templo de Kirtland, quando Elijah apareceu a Joseph Smith e Oliver Cowdery e restaurou as chaves do selamento eterno, que permitem ligar na terra e no céu (Doutrina e Convênios 110:13–15). Graças a esse retorno, selamentos familiares e ordenanças vicárias existem nos templos hoje.


Na tradição judaica, Elijah ainda é aguardado. Na celebração da Páscoa (Seder), uma cadeira é deixada vazia e a porta é aberta simbolicamente para sua chegada.


Diferença entre Elias e Elijah

3. O Espírito de Elias (a influência que move corações ao templo e à família)

O Espírito de Elias não é uma pessoa, mas uma influência espiritual. Esse termo representa o poder que faz com que os corações se voltem à família, tanto aos antepassados quanto aos descendentes. É esse espírito que desperta em nós o desejo de fazer história da família e fortalecer conexões eternas.


Esse é o cumprimento da profecia: “Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais.”


Enquanto Elijah trouxe as chaves do selamento, o Espírito de Elias é o impulso espiritual que nos move a usar essas chaves, preenchendo o templo com nomes e histórias.


Assim como Elijah restaurou as chaves do selamento no Templo de Kirtland, o Presidente Russell M. Nelson tem reforçado que essas mesmas chaves continuam operando hoje. Em sua mensagem na Conferência Geral de abril de 2024, ele explicou que a adoração no templo só é possível porque as chaves do sacerdócio foram restauradas à Terra.


Ele declarou: “Sem as chaves do sacerdócio, nenhum de nós teria acesso às ordenanças e aos convênios essenciais que nos unem eternamente a nossos entes queridos.”


Ao compreender a diferença entre Elias e Elijah nas escrituras, percebemos que a restauração não é apenas um evento histórico, ela afeta diretamente nossa vida hoje.

O Presidente Nelson testificou que o templo é o lugar onde o céu se abre, onde recebemos revelação pessoal, força espiritual e onde as bênçãos prometidas a Abraão se tornam acessíveis a todos. Para ele, adorar no templo é agarrar-se mais firmemente à barra de ferro e uma evidência de que as chaves restauradas por Elijah continuam ativas na obra de Deus em nossos dias.


Fonte: Maisfe 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

“o maior destruidor da paz é o aborto”


 O papa Leão XIV retomou, na manhã deste sábado (31/1), uma declaração de Madre Teresa de Calcutá ao abordar o aborto durante uma audiência no Vaticano, com participantes da iniciativa “Uma humanidade, um planeta: liderança sinodal”.


Durante o discurso, o pontífice citou a religiosa, canonizada pela Igreja Católica e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, ao afirmar que “o maior destruidor da paz é o aborto”. Ele acrescentou que “somente quem cuida dos pequeninos pode fazer coisas verdadeiramente grandes”.


Segundo o papa, a visão de Madre Teresa permanece atual e profética. Ele afirmou ainda que políticas públicas não podem se apresentar como promotoras do bem comum se excluem os mais frágeis, defendendo que o cuidado com os vulneráveis esteja no centro da atuação política e social.


Fonte: Metrópoles.

Dia 02 – Quando o encontro confirma o caminho

 📖 EVANGELHO DE LUCAS



Dia 02 – Quando o encontro confirma o caminho

Texto: Lucas 1,39–45

Estudo

Maria parte apressadamente ao encontro de Isabel. A fé que acabou de nascer nela não fica isolada, precisa de encontro, de reconhecimento, de eco.

Isabel, ao ver Maria, não pede provas nem explicações. Ela percebe. O que acontece no ventre de uma toca o ventre da outra. Antes de qualquer palavra teológica, há um corpo que reage, uma alegria que salta.

Lucas mostra que a fé não se sustenta sozinha: ela se fortalece quando é acolhida por alguém que sabe escutar.

Reflexão

Há momentos em que precisamos sair de nós mesmos para confirmar o que está nascendo por dentro. Nem todo processo se valida no silêncio; alguns precisam de presença, de olhar, de alguém que diga: “isso que você carrega é real”.

Isabel não rouba o protagonismo de Maria, nem a diminui. Ela reconhece e abençoa. Fé amadurece em ambientes assim: onde não há disputa, mas comunhão.

Talvez hoje seja um dia de perguntar: quem confirma meus passos?

Ou ainda: a quem eu tenho confirmado o caminho?

Oração

Deus dos encontros,

conduze-me às pessoas que sabem escutar

o que ainda não sei nomear.

Faz de mim também abrigo,

voz que reconhece,

presença que fortalece o outro no caminho.

Amém.


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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dia 01 - Quando o novo pede escuta. 21 dias de estudo em Lucas.

 📖 EVANGELHO DE LUCAS



Dia 01 – Quando o novo pede escuta

Texto: Lucas 1,26–38

Estudo

O anúncio a Maria acontece fora do templo, fora do centro religioso, fora do espaço oficial. Deus escolhe uma casa simples, uma jovem comum, uma vida ainda em formação.

Maria não reage com euforia nem submissão cega. Ela pergunta. Questiona. Procura compreender. A fé, aqui, não é ausência de medo, mas coragem para dialogar com o desconhecido.

O “sim” de Maria não nasce da certeza, nasce da confiança.

Reflexão

Todo começo verdadeiro traz perguntas. Quando algo novo se anuncia em nós, quase nunca vem com manual, garantia ou mapa.

Maria nos ensina que acreditar não é calar as dúvidas, mas acolhê-las sem deixar que elas nos paralisem. O futuro não pede pressa — pede presença.

Talvez amanhã não precise de grandes decisões, apenas de um coração disponível para escutar o que está sendo gestado em silêncio.

Oração

Deus do amanhã,

dá-me um coração atento ao que nasce pequeno,

coragem para perguntar sem medo

e humildade para dizer “faça-se”

mesmo quando não entendo tudo.

Amém.


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Adolfo Kaminsky, um herói!


 Ele tinha 18 anos. Sua arma era um frasco de ácido. E ele salvou 14 mil vidas.


Paris, 1943.


Adolfo Kaminsky era um jovem aprendiz de tinturaria, trabalhando em uma loja de tecidos, quando os nazistas ocuparam a França. Seu conhecimento de química vinha dos corantes: ele sabia como certos ácidos reagiam com determinadas tintas, quais solventes dissolviam quais pigmentos, como manipular a cor em nível molecular.


Ele não fazia ideia de que esse saber se tornaria a diferença entre a vida e a morte para milhares de pessoas.


Quando a Gestapo começou a identificar, registrar e deportar sistematicamente os judeus franceses para os campos de concentração, sua principal arma não era apenas a violência — era a burocracia.

Documentos de identidade.

Cartões de racionamento.

Autorizações de viagem.


Cada papel carimbado, selado, certificado.

E nos documentos de identificação judaicos, uma palavra aparecia em tinta grossa e definitiva:


“JUIF.”


Uma única palavra que equivalia a uma sentença de morte.


A Resistência Francesa procurou Kaminsky com uma pergunta quase impossível:

seria possível apagar esse carimbo sem destruir o documento?


A maioria dos falsificadores falhava. As tintas haviam sido feitas para durar. Qualquer tentativa de remoção danificava o papel, tornando a fraude evidente — e mortal.


Kaminsky observou o documento sob a luz fraca de uma lâmpada. Então se lembrou de algo aprendido na tinturaria: ácido láctico. Ele conseguia dissolver aquela tinta azul específica usada pelo governo francês sem destruir as fibras do papel.


Funcionou.


Mas apagar a palavra era apenas o começo.

Era preciso criar uma nova identidade inteira.

Novos nomes.

Novas datas de nascimento.

Novas histórias de vida.


Cada documento precisava ser perfeito. Um erro mínimo — um tom errado de tinta, um detalhe incoerente — significava tortura e morte não só para quem carregasse o papel, mas para todos os envolvidos.


A Resistência montou para ele um laboratório improvisado em um sótão escondido na margem esquerda de Paris. As ordens não paravam de chegar:


— Cinquenta certidões de nascimento para crianças que seriam levadas à Suíça.

— Duzentos cartões de racionamento para famílias escondidas em sótãos e porões.

— Trezentas autorizações de trânsito para rotas de fuga pela Espanha.


Kaminsky trabalhava sob uma única lâmpada fraca. Os vapores químicos de alvejantes e ácidos queimavam sua garganta, irritavam seus olhos até que lágrimas escorressem continuamente. Seus dedos ficaram permanentemente manchados de tinta. O ar do pequeno cômodo tornava-se pesado, saturado de solventes.


Então ele fez um cálculo que nunca mais o abandonaria.


Cada documento levava cerca de dois minutos para ser produzido corretamente.

Isso significava trinta documentos por hora.

Trinta chances de sobrevivência.


Ele chegou a uma equação brutal:


“Se eu dormir uma hora, trinta pessoas podem morrer.”


Então ele parou de dormir.


Certa semana, chegou a notícia de que um orfanato que escondia 300 crianças judias seria invadido. As crianças precisavam de documentos imediatamente ou seriam colocadas em trens rumo a Auschwitz.


Kaminsky se trancou no sótão.

Trabalhou dois dias e duas noites sem parar.


Forjou certidões até sua visão duplicar.

Até sua mão se fechar em espasmos e precisar ser massageada para voltar a funcionar.

Até desabar, exausto, com o rosto sobre a mesa.


Acordou uma hora depois em pânico — furioso consigo mesmo.


Trinta pessoas.

Ele podia ter condenado trinta pessoas ao dormir.


Não comeu.

Voltóu imediatamente ao trabalho.


As crianças escaparam.


Mês após mês, ano após ano, Kaminsky continuou naquele sótão escuro. Os nazistas aprimoravam seus sistemas de segurança. Ele aprimorava suas técnicas de falsificação. Era uma guerra silenciosa, travada com química e precisão, onde a vitória era medida em vidas que continuavam — em crianças que cresciam, em famílias que sobreviviam.


Quando Paris foi libertada, em agosto de 1944, Adolfo Kaminsky havia produzido documentos falsos que salvaram aproximadamente 14 mil homens, mulheres e crianças das câmaras de gás.


Ele nunca aceitou um centavo por isso.

Recusava qualquer pagamento.

Para ele, cobrar para salvar uma vida era moralmente inconcebível.


Após a guerra, tornou-se fotógrafo. Viveu de forma simples, discreta, quase invisível. Não falou sobre o que havia feito — nem para vizinhos, nem para colegas, e por décadas, nem mesmo para seus próprios filhos.


Só perto do fim da vida decidiu contar sua história.


E quando contou, deixou uma lição que o mundo não pode esquecer:

a coragem nem sempre empunha uma arma,

o heroísmo nem sempre veste um uniforme,

e uma única pessoa, armada de conhecimento, convicção e recusa obstinada em dormir, pode enfrentar um império de ódio — e vencer.


Adolfo Kaminsky morreu em 2023, aos 97 anos.


Mas as 14 mil vidas que ele salvou tornaram-se famílias, comunidades, gerações.


Seu legado não está em medalhas ou monumentos.

Está nas pessoas que existem hoje porque um adolescente, com um frasco de ácido nas mãos, decidiu que dormir era menos importante do que a vida dos outros.

O microfone está aberto ao testemunho, estamos realmente ouvindo?!



O microfone está aberto ao testemunho, estamos realmente ouvindo?!

Por Abilio Machado 

Para quem não conhece minha igreja ela funciona por testemunho, discursos e aulas/temas dirigidos e como atividade anual temos o Vem E Segue-Me.

Vou falar sobre o testemunho que acontece sempre na primeira sacramental do mês.

Respeite a fala do outro.

O púlpito é, sim, lugar de história. E a história também presta testemunho do evangelho — porque revela caminhos, lutas, escolhas, dúvidas, fé e transformação.

Em outros tempos, o testemunho do irmão não era medido pelo relógio, mas pela verdade que atravessava o peito.

Hoje, muitas vezes, o microfone está aberto, o púlpito organizado, o tempo cronometrado — mas a escuta tem hora marcada.

Nem todos os irmãos e irmãs têm eloquência, boa oratória ou palavras bonitas. Ainda assim, testemunham como sabem, com o que têm, com sinceridade. E isso basta.

Fé não se mede pela retórica.

Não precisamos — e não queremos — robôs repetindo falas engessadas, limitadas e quase sem alma.

Testemunho não é fórmula.

Não é texto decorado.

Não é performance.

Testemunho é experiência viva.

Como a própria liderança afirma: “o púlpito está livre para prestar testemunhos”.

Livre para falar com verdade, com consciência, com humanidade.

Mas um púlpito verdadeiramente livre não se define apenas por quem pode falar — e sim por quem está disposto a ouvir.

Respeitar o testemunho do outro é respeitar a diversidade de vivências dentro da fé. É compreender que Deus também fala por meio das histórias — inclusive aquelas que não cabem em respostas prontas, nem se encaixam em discursos perfeitamente ajustados ao tempo.

Quem viveu a igreja nos anos 80, por exemplo, lembra bem: os testemunhos eram simples, singelos, vivos.

Como dizem os evangélicos, era “fogo do céu puro”.

Relatos que nos enchiam de alívio, força e poder.

Os mais simples — por assim dizer — narravam lutas incríveis do dia a dia dos santos.

Sem técnica.

Sem roteiro.

Sem medo.

E isso era assombroso e maravilhoso.

Com o passar dos anos, surgiram treinamentos de liderança que enfatizaram a importância de focar o testemunho diretamente em nosso Salvador Jesus Cristo. Aprendemos que experiências pessoais e histórias deveriam ser contadas em discursos, conversas individuais ou em outros contextos; e que, no púlpito, deveríamos nos ater ao que cremos acerca do Salvador.

Entendo esse cuidado.

Mas preciso dizer: o testemunho vivido fortalece.

Fortalece quem não é da igreja.

Fortalece o irmão que está firme.

E fortalece, sobretudo, aquele que está “capengando” por dentro.

Quando a fé é apresentada apenas como certeza perfeita, corre-se o risco de transformar o púlpito em vitrine — e não em espaço de encontro.

Parece que só se pode mostrar que está tudo bem.

Que o “lado B” da fé deve ser escondido, silenciado, esquecido.

E isso empobrece a experiência espiritual.

Claro, sempre haverá quem diga que ouvir o testemunho de vida do outro é perda de tempo. Geralmente são os que não aprenderam a ouvir — apenas a responder.

São aqueles que mal você começa a falar e já o interrompem com um conceito pronto, baseado no que ouviram, leram ou decidiram tomar como verdade absoluta.

Eles escutam para corrigir, não para compreender.

E é justamente aqui que o Livro de Mórmon nos ensina algo essencial:

o testemunho verdadeiro não nasce da eloquência, mas do Espírito.

É Ele quem faz a palavra simples atravessar corações atentos.

Há testemunhos que não impressionam pela forma, mas queimam por dentro.

Porque não vêm para convencer — vêm para tocar.

Quando um irmão compartilha sua história com sinceridade, ainda que com voz trêmula, ainda que sem técnica, algo sagrado acontece:

o Espírito confirma a verdade não apenas do que é dito, mas do que foi vivido.

Testemunhar é declarar fé em Jesus Cristo, sim —

mas também é revelar como Ele tem caminhado conosco no meio das quedas, das dúvidas, das lutas e das reconstruções.

O próprio Livro de Mórmon nos lembra que o Senhor opera “segundo a linguagem do povo, para que possa compreender”.

E isso inclui histórias simples, experiências imperfeitas e palavras que não cabem em moldes rígidos.

Quando reduzimos o testemunho a uma fórmula, corremos o risco de silenciar aquilo que o Espírito deseja confirmar.

Porque Deus não fala apenas pelo conteúdo correto —

Ele fala pelo coração quebrantado.

Respeitar o testemunho do próximo é reconhecer que o Espírito Santo continua a agir entre nós,

inclusive quando a fala não é bonita,

quando a história é difícil,

quando a fé ainda está em processo.

Talvez o verdadeiro desafio do nosso tempo não seja aprender a falar melhor no púlpito,

mas voltar a escutar com o coração.

Sustentar o silêncio.

Dar tempo ao que não cabe no cronômetro.

Lembrar que, antes de sermos organizados, fomos tocados.

E que, muitas vezes, Deus fala exatamente ali:

na história simples,

na voz trêmula,

no testemunho imperfeito —

mas verdadeiro.