sexta-feira, 4 de abril de 2025

Arthur Rimbaud...


 Conheça mais de Arthur Rimbaud, esse grande poeta-menino que incendiou a literatura e queimou sua própria existência.


“A verdadeira vida está ausente. Não estamos no mundo.” – escreveu Arthur Rimbaud, o gênio precoce que revolucionou a poesia antes de abandonar a literatura e mergulhar no desconhecido.

O jovem iluminado

Nascido em 1854, em Charleville, França, Rimbaud era um menino prodígio, um aluno brilhante com uma mente inquieta e rebelde. Criado por uma mãe rígida e um pai ausente, ele buscava escapar dos grilhões da província e sonhava com uma vida grandiosa. Escreveu seus primeiros poemas ainda adolescente e, aos 16 anos, criou O Barco Ébrio, onde já anunciava sua travessia em águas turbulentas:

“Eu vi os céus se rasgarem em clarões, e as marés,
E os recifes, e os redemoinhos;
E muitas vezes, coisas inefáveis eu vi
No fundo dos abismos!”

Foi um visionário da palavra, experimentando imagens, ritmos e sinestesias como ninguém antes dele. Criou a teoria do poeta como “vidente”, alguém que, pelo desregramento absoluto dos sentidos, mergulha na escuridão para encontrar a luz.

O amor louco com Verlaine

Em 1871, aos 17 anos, Rimbaud enviou suas poesias a Paul Verlaine, já um poeta consagrado. Fascinado pelo jovem gênio, Verlaine o convida a Paris. O encontro entre os dois resultou em uma relação apaixonada e tumultuada, feita de embriaguez, excessos e violência.

“Beije-me outra vez!
Dê-me tudo o que for amoroso!
Nada é demais quando os beijos são febris!”

Juntos, eles se embrenham no absinto, no haxixe, na busca desenfreada pelo prazer e pelo abismo. Mas a paixão se transforma em tragédia. Em 1873, em um acesso de fúria e desespero, Verlaine dispara dois tiros contra Rimbaud, ferindo-o no pulso. Preso e condenado, Verlaine é forçado a deixar o amante. Esse período marca a escrita do sombrio Uma Temporada no Inferno, onde Rimbaud sentencia:

“Um belo dia, eu dei à beleza um tapa na cara.”

O exílio e o silêncio

Aos 20 anos, sem explicações, sem despedidas, Rimbaud abandona a poesia. Nunca mais escreveria versos. Parte para Londres, depois para Chipre, Egito, Etiópia, e se reinventa como mercador, explorador, traficante de armas. Vive no calor sufocante do Chifre da África, trocando os delírios da poesia por uma vida dura e solitária.

“O que me importam as boas palavras de conforto,
As promessas de felicidade futura?”

Longe da Europa, ele acumula riqueza, mas sua saúde se deteriora. Em 1891, acometido por um câncer no joelho, retorna à França. A perna é amputada, e, entre dores lancinantes e febres delirantes, ele pronuncia suas últimas palavras: “Vou para o Paraíso, com as mãos nos bolsos.”

Morre aos 37 anos, em Marselha, encerrando uma trajetória relâmpago, intensa e enigmática.

Rimbaud, o meteoro eterno

O menino prodígio, o poeta errante, o amante de Verlaine, o mercador na África – Rimbaud foi tudo e foi nada. Sua poesia, porém, permaneceu, ardendo como fogo indomável. Suas palavras ainda ecoam, sempre atuais, sempre insubmissas, sempre vivas:

“Uma noite, sentei a Beleza em meus joelhos.
— E eu a achei amarga.
— E eu a amaldiçoei.”

- Abilio Machado Neuropsicopedagogo

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Um outro olhar sobre a maldade...


 Um outro olhar sobre a maldade...


Maturidade é perceber que, no filme Titanic, Rose decide jogar no mar um pingente de US$ 250 milhões em memória de um homem desempregado com quem ela dormiu exatamente uma vez — um homem que nunca foi dono do colar. Ela ignora por completo que o explorador que a levou até o navio naufragado dedicou a carreira inteira para encontrar aquele colar. Mesmo assim, ela o guardou por décadas, na remota chance de voltar ao local do naufrágio, só para atirá-lo no oceano sem motivo algum…


Enquanto isso, ela convenientemente omite o fato de que deixou Jack — o "grande amor da sua vida" (de três dias) — morrer congelado porque não quis se chegar um pouco naquela porta gigante. Ah, e será que o marido, com quem viveu por anos, não gostaria de saber que ela estava guardando um colar de US$ 250 milhões todo esse tempo? E a neta, que cuidou dela? Não seria uma boa aposentadoria antecipada?


O verdadeiro vilão do Titanic? Pronto para saber? Não é o Cal, nem mesmo o iceberg — era a Rose.

quarta-feira, 26 de março de 2025

O búfalo e a borboleta




A borboleta encontrou o búfalo ferido e inconsciente, com uma flecha cravada no corpo. Ao tentar tirar a flecha, o búfalo despertou do desmaio.
— Não preciso da sua ajuda! Me deixa em paz! — gritou o búfalo, empurrando a borboleta com força e machucando-a um pouco.
A borboleta, ferida, saiu mancando e foi direto para a caverna onde costumava chorar sempre que o búfalo a maltratava. Assim que se recuperou, voltou trazendo uma planta medicinal para tentar curá-lo. Mais uma vez, recebeu um coice. Mas desta vez, o búfalo usou tanta força que a deixou gravemente ferida.
— Some daqui! — gritava o búfalo, sem perceber que a borboleta estava morrendo por causa dos seus golpes.
Mesmo ferida, ela deixou a planta medicinal ao lado do búfalo.
— Sabe, búfalo… às vezes eu acho que você não me ama — disse a borboleta, com os olhos cheios de lágrimas.
— E não amo mesmo! Eu te odeio! — respondeu o búfalo.
A borboleta se arrastou, cansada pela dor, e foi direto para sua caverna chorar. Mas dessa vez… não voltou.
Com o passar do tempo, o búfalo começou a sentir sua falta. Lembrou-se dos gestos carinhosos, dos presentes, dos sorrisos… da doçura da borboleta. Mas agora só restava a tristeza. Um vazio profundo. Um buraco no peito que nada conseguia preencher.
Já não comia, não dormia… mancava e vivia com medo de tê-la matado por pura ignorância. Ao seu lado, a planta medicinal — o último presente que ela havia deixado — estava agora murcha.
O búfalo não aguentou mais. Saiu em busca da borboleta. Foi direto para a caverna onde ela costumava chorar. Entrou com esperança... mas ela não estava lá. Apenas um silêncio pesado. Um vazio esmagador.
Encostou-se numa pedra e começou a chorar.
Então a pedra perguntou:
— Por que você chora, homem?
— É que... eu amava uma borboleta alegre, feliz, generosa… mas ela morreu. Eu… eu… — gaguejou — acho que fui eu quem a matou...
As lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto falava.
A pedra respondeu:
— É verdade que você a amava?
— Claro! E não era pouco! — respondeu ele.
— E por que nunca disse isso a ela?
— Não sei… achava mais fácil dizer que a odiava...
De repente, a borboleta saiu de trás da pedra que “falava” com ele:
— Você já viu pedra falar, bobinho? Sou eu que estou falando! Eu estou viva! Não morri!
O búfalo se desfez em emoção e começou a gritar:
— Eu te odeio! Eu te odeio!
Mas enquanto dizia isso… abraçava a borboleta com força.
Mesmo depois de tudo aquilo, ele nunca disse claramente que a amava.
E assim é a vida: há muitas pessoas que nunca dirão essas palavras.
Mas o amor… está ali, em silêncio, escondido no fundo do coração.


Moral da história:
Existem pessoas incapazes de expressar com palavras o que sentem. Pessoas que, por medo, orgulho ou feridas do passado, preferem machucar a mostrar sua vulnerabilidade. Mas não confunda o silêncio com ausência de amor.
Às vezes, os gestos mais duros escondem os sentimentos mais verdadeiros.
E embora nem todos saibam dizer “eu te amo”, seus atos — quando vêm do coração — gritam aquilo que seus lábios não conseguem dizer.
Aprenda a enxergar além das palavras, porque quem ama de verdade, às vezes, só sabe amar do seu jeito... mesmo que esse jeito seja imperfeito e doloroso.

terça-feira, 25 de março de 2025

Cecilia Payne

 

》》Desde a sua morte em 1979, a mulher que descobriu do que é feito o universo não recebeu muito reconhecimento, apenas uma placa comemorativa na parede da Universidade e nada mais.

Seus obituários de jornal não mencionam sua maior descoberta. Todo estudante do ensino médio sabe que Isaac Newton descobriu a gravidade, que Charles Darwin explicou sobre a evolução, e que Albert Einstein descobriu a relatividade do tempo.

Mas quando se trata da composição do nosso universo, os livros didáticos simplesmente dizem que o átomo mais abundante do universo é o hidrogênio. E ninguém se atrela ao fato de que alguém teve que descobrir isso. Esse alguém foi Cecília Payne. Ela foi dona e autora da tese de doutorado mais brilhante já escrita em astronomia.

E pensar que a mãe de Cecilia Payne se recusou a gastar dinheiro na sua faculdade, dizendo que era bobagem uma mulher estudar. Foi que ela então ganhou uma bolsa de estudo em Cambridge.

Ela concluiu seus estudos, mas Cambridge não lhe deu um diploma porque era uma mulher, então mudou-se para os EUA para trabalhar em Harvard. Ela foi a primeira pessoa a ganhar um doutorado em astronomia no Colégio Radcliffe, com o que Otto Strauve chamou de "A tese de doutorado mais brilhante já escrita em astronomia."

Também descobriu do que é feito o sol. Literalmente, qualquer estudo sobre estrelas variáveis baseia-se no seu trabalho. Foi a primeira mulher a ser promovida professora de Harvard.

E mesmo com todo esforço e dedicação ela não é mencionada com o devido respeito que uma cientista de tal gabarito merece.

Então, esse pequeno texto é só para homenagear e lembra de Cecília Payne, a mulher que descobriu do que as estrelas são feitas.

domingo, 23 de março de 2025

A Figueira Que Não Florescia

 

A Figueira que Não Florescia


Os discípulos de Andros caminhavam com ele por uma terra árida, onde os ventos sussurravam lamentos entre as pedras. Eles haviam viajado por muitos dias, enfrentando sol escaldante e noites frias. A fome já os alcançava, e o desânimo começava a pesar em seus corações.


Foi então que avistaram, ao longe, uma figueira solitária no topo de uma colina. Seus galhos se estendiam ao céu como braços suplicantes, mas nela não havia frutos nem folhas, apenas o tronco ressequido pelo tempo.


Um dos discípulos, chamado Elias, suspirou, desolado.


— Mestre, viemos tão longe e ainda não encontramos alimento. Até mesmo esta figueira, que deveria nos saciar, está vazia. Como podemos nos alegrar quando tudo ao nosso redor parece sem vida?


Andros sorriu suavemente e colocou a mão sobre o ombro de Elias.


— Meu jovem, escutem esta história — disse ele, sentando-se sob a sombra da árvore estéril. Os discípulos se reuniram ao seu redor, atentos às palavras do sábio.


— Há muito tempo — começou Andros —, existia um homem justo que vivia em uma terra assolada pela seca. Ele cultivava videiras, oliveiras e figueiras, esperando que os frutos trouxessem sustento para sua casa. No entanto, ano após ano, a terra negava sua colheita. As vinhas não davam uvas, as oliveiras não produziam azeite, e a figueira permanecia estéril.


Os discípulos se entreolharam. A história parecia refletir sua própria jornada.


— Um dia, um viajante passou por aquela terra e perguntou ao homem: "Por que não abandonas esta terra ingrata e partes em busca de melhores pastagens?"


O homem, contudo, sorriu e respondeu: "Ainda que minha figueira não floresça, ainda que a videira não dê frutos e a oliveira falhe, eu me alegrarei, pois minha confiança não está na colheita, mas Naquele que cuida de todas as coisas. O sol ainda brilha, as estrelas ainda iluminam a noite, e o fôlego da vida ainda me pertence. Enquanto puder erguer minhas mãos e agradecer, nada me faltará."


Andros fez uma pausa, deixando que suas palavras penetrassem o coração de seus discípulos.


— E o que aconteceu com esse homem, Mestre? — perguntou uma jovem discípula.


— O tempo passou, e a terra, que parecia morta, começou a se renovar. As chuvas vieram, as raízes se fortaleceram e, um dia, a figueira floresceu. Os campos se encheram de mantimento, e os celeiros transbordaram. Mas antes que a abundância chegasse, aquele homem já era pleno, pois havia aprendido a se alegrar não pelo que via, mas pelo que sabia ser verdadeiro.


Os discípulos se entreolharam, refletindo sobre a lição.


— Então, mesmo que nossos caminhos sejam áridos, mesmo que o alimento nos falte, ainda podemos nos alegrar? — perguntou Elias.


Andros assentiu.


— Sim, pois a alegria verdadeira não depende do que nossos olhos veem, mas da certeza de que tudo está nas mãos Daquele que governa o tempo e a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria sempre vem com a manhã.


E, ao dizer isso, um vento suave soprou sobre a colina, e os discípulos sentiram seus corações se aquecerem com a verdade que haviam aprendido.


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Agora, reflita: Em sua própria vida, onde você deposita sua alegria? Você se alegra apenas quando há abundância, ou encontra contentamento na confiança de que tudo está no tempo certo?


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A Fabula do Equinócio


 A fábula do equinócio 


Nos tempos antigos, antes que o mundo fosse como o conhecemos, o equilíbrio entre luz e escuridão era mantido por dois irmãos celestiais: Helios, o Guardião do Dia, e Nyxara, a Senhora da Noite.


Helios era radiante e forte, trazendo o calor do sol e a energia da vida. Seus raios dourados faziam brotar as sementes, enchiam os rios de brilho e despertavam os corações dos seres vivos. Já Nyxara era serena e misteriosa, tecendo o manto estrelado da noite, onde os sonhos eram forjados e os segredos do universo sussurrados ao vento.


Os dois irmãos amavam a Terra e decidiram governá-la juntos. Mas havia um problema: enquanto Helios reinava durante o verão com dias longos e quentes, Nyxara estendia seu domínio no inverno, trazendo noites longas e frias. O desequilíbrio ameaçava os ciclos da vida. Os rios secavam sob o domínio prolongado de Helios, e as florestas adormeciam por tempo demais sob a sombra de Nyxara.


Preocupados, os grandes sábios da humanidade consultaram Andros, o Antigo, um mestre do conhecimento esotérico. Sentado sob um carvalho milenar, ele fechou os olhos e escutou o sussurro dos ventos e das estrelas. Então, falou:


— "Para que haja harmonia no mundo, deve haver um tempo de transição, onde o dia e a noite sejam iguais. Assim, cada um de vocês aprenderá a respeitar o reinado do outro sem que a Terra sofra."


E assim nasceram os Equinócios, dois momentos sagrados no grande ciclo da vida.

No Equinócio da Primavera, Helios e Nyxara se encontram e fazem as pazes. O Sol cruza o céu dividindo luz e sombra em perfeita igualdade, anunciando o despertar da Terra. A vida renasce, as flores se abrem e os pássaros retornam aos seus ninhos. É um tempo de renovação, de esperança e crescimento.

No Equinócio do Outono, os irmãos se despedem, preparando-se para a mudança. As folhas caem, o ar esfria e os dias começam a encurtar. É um período de introspecção, de se voltar para dentro e se preparar para o descanso do inverno.

Os antigos sábios ensinaram que os equinócios não são apenas momentos no tempo, mas espelhos da própria jornada humana. Há momentos para avançar e crescer, e há momentos para recuar e refletir. Aqueles que compreendem essa dança cósmica aprendem a fluir com a vida, sem resistência, sem medo.

E assim, até os dias de hoje, quando o sol toca o equador e o dia e a noite se tornam iguais, os que têm sabedoria sabem que os irmãos celestiais dançam mais uma vez, mantendo o equilíbrio do mundo.

Pois no fim, a luz e a escuridão não são inimigas, mas companheiras eternas na grande jornada da existência.


Me siga...

A Casa do Oleiro


 A Casa do Oleiro


Em uma vila distante, havia uma pequena casa no alto de uma colina. Suas paredes eram feitas de barro e madeira, seu telhado de palha balançava ao vento, e sua porta rangia ao se abrir. Ninguém sabia exatamente quem havia construído aquela casa, mas ela sempre esteve lá, vazia, esperando por alguém que desejasse habitá-la.


Certo dia, um viajante cansado e de coração pesado chegou à casa. Seu nome era Elias, e ele carregava consigo um fardo de tristezas e arrependimentos. Ao ver a casa, pensou consigo:


— Talvez este seja o refúgio que procuro.


Ao entrar, percebeu que o interior estava empoeirado, as janelas fechadas, e havia teias de aranha nos cantos. O ar era pesado, mas Elias sentiu um calor acolhedor, como se a casa o estivesse esperando.


Ele se ajoelhou no centro da sala e, em um sussurro, disse:


— Se esta casa realmente pode ser um lar, eu a entrego a Ti. Faça dela o que quiser.


De repente, um vento suave soprou pelas frestas, e a poeira começou a se dissipar. As janelas se abriram, deixando entrar a luz dourada do sol. Elias sentiu um arrepio e percebeu que não estava sozinho. Uma presença invisível, porém poderosa, encheu cada canto daquele lugar.


Uma voz ecoou em seu coração:


— Esta casa sempre foi minha. Eu apenas esperava que você a abrisse para Mim.


Elias entendeu que aquela casa representava seu próprio coração, que por muito tempo esteve trancado, cheio de lembranças e pesos do passado. Mas agora, ele a havia entregue.


A partir daquele dia, Elias passou a viver com leveza e alegria. Sua casa nunca mais esteve vazia, pois aquele que reina sobre todas as coisas havia encontrado ali morada.


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