domingo, 10 de maio de 2026

Entre dar a outra face e perder a própria Alma: o caminho do pacificador sem perder a dignidade.

 


Hoje na aula do quórum vimos o discurso Vivos em Cristo, debatemos sobre se manter digno e fiel em todos os momentos a sermos como Cristo e sermos pacificadores, porém muitos confundem ser pacificador com o ser trouxa, de ser submisso e aceitar, cheguei a citar a crônica que escrevi ontem sobre a autosabotagem no comércio para o blog O Capivara News. O que posso desenvolver sobre este tema de o ser como Cristo e ser pacificador porém não ser trouxa.

 Até onde iria nossa outra face ?

Entre dar a outra face e perder a própria Alma: o caminho do pacificador sem perder a dignidade. 

Por Abilio Machado 

Talvez aí exista uma das maiores confusões espirituais do nosso tempo: acreditar que ser semelhante a Cristo é viver sem limites, sem firmeza e sem discernimento. Como se bondade fosse passividade. Como se mansidão fosse covardia.

Cristo nunca foi “trouxa”.

Ele acolhia, mas também confrontava.

Perdoava, mas não se submetia ao abuso.

Amava profundamente, porém não negociava a verdade.

Quando expulsou os vendilhões do templo, não foi falta de amor. Foi justamente amor pelo sagrado. Quando se afastava das multidões para descansar, não era egoísmo. Era consciência de limite. Quando silenciava diante de certas provocações, não era fraqueza. Era domínio próprio.

O problema é que muitas pessoas confundem “dar a outra face” com permitir a continuação da violência, da manipulação ou da humilhação.

Mas talvez “dar a outra face” tenha menos relação com submissão e mais relação com não se tornar igual ao agressor.

É diferente.

Cristo não ensinou: — “Aceite ser destruído.” Ele ensinou: — “Não deixe o mal definir quem você se tornará.”

O pacificador não é aquele que evita conflitos a qualquer custo.

É aquele que tenta impedir que o conflito destrua a humanidade das pessoas envolvidas.

Às vezes, ser pacificador é conversar.

Às vezes, é se afastar.

Às vezes, é colocar limites.

E em certos momentos, é dizer um “não” firme, sem ódio.

A própria crônica da autosabotagem no comércio toca nisso. O cliente fiel não precisa destruir o comerciante, mas também não precisa continuar aceitando pão mofado, sonho vazio e desrespeito embalado com sorriso. Permanecer ali, fingindo que está tudo bem, não é bondade — é ausência de dignidade.

Existe uma espiritualidade adoecida que transforma virtude em servidão emocional.

Pessoas acabam acreditando que:

tolerar abuso é humildade;

sofrer calado é santidade;

nunca reagir é maturidade;

aceitar migalhas é amor cristão.

Mas Cristo também ensinava sobre fruto, verdade, justiça e consciência.

Até onde iria nossa “outra face”?

Talvez ela vá até o limite onde ainda conseguimos oferecer humanidade sem permitir a destruição da própria alma.

Depois disso, oferecer a outra face pode deixar de ser evangelho… e virar conivência.

E há uma diferença enorme entre:

sofrer por amor, e

aceitar degradação por medo de parecer “menos cristão”.

O Cristo pacificador não era um homem sem voz.

Era um homem sem ódio.

Talvez esteja aí a diferença mais difícil de aprender.


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