Deus
Pelo Papai Noel Abilio Machado 🎅
Há um momento em que acontece uma descoberta Ãntima — um sentido que nasce de dentro e só nos pertence. Cada um o encontra de maneira singular; não se empresta, não se fabrica, não se coloca na prateleira de conceitos. É uma experiência tão próxima e tão aderente que resiste a qualquer tentativa de cópia.
Quando quiserem pensar em Deus, imaginem o oceano.
Podemos banhar-nos nele: molhar os pés, o rosto, o corpo inteiro. Podemos mergulhar, flutuar, nadar até cansar — e ainda assim jamais o aprisionaremos, jamais saberemos todos os seus contornos. O oceano nos envolve porque é vasto ao ponto de abrigar a própria evaporação.
Se pegarem um copo d’água e o observarem, verão nele um pedaço do mar. As mesmas substâncias que ondulam no alto-mar estão ali, reduzidas à medida do frágil recipiente. Mas imitar o oceano? ImpossÃvel.
O mistério é profundo e avassalador.
PassarÃamos muitas vidas sem percorrer sua totalidade. Essa imensidão e essa intensidade coexistem: imensa como o horizonte, intensa como o sal que nos arde os olhos. E também se manifesta no pequeno — no copo que nos cabe na mão.
Somos, de certo modo, o copo; Deus é a água que nos preenche. Reflitam sobre isso: não se trata de reduzir o divino a explicações rasas, mas de reconhecer uma presença que nos atravessa e nos anima.
Relato do amigo Antônio Grimm:
Uma menina anuncia:
— Vou desenhar Deus.
O adulto responde:
— Ninguém sabe como Deus é.
Ela sorri e afirma:
— Saberão quando eu terminar.
Ao finalizar, o desenho mostra quatro ou cinco riscos e uma curva. O adulto exclama:
— Mas isso não é Deus.
E a criança, serena, responde:
— Para mim, é.
Vale a pena meditar nisso: sobre a profundidade daquele que nos criou; sobre uma relação viva, capaz de comover e revelar-nos como seres bioativos, antes de qualquer linguagem simplista.

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