sexta-feira, 21 de novembro de 2025

DEUS pelo Papai Noel Abilio Machado 🎅



 Deus

Pelo Papai Noel Abilio Machado 🎅 

Há um momento em que acontece uma descoberta íntima — um sentido que nasce de dentro e só nos pertence. Cada um o encontra de maneira singular; não se empresta, não se fabrica, não se coloca na prateleira de conceitos. É uma experiência tão próxima e tão aderente que resiste a qualquer tentativa de cópia.


Quando quiserem pensar em Deus, imaginem o oceano.


Podemos banhar-nos nele: molhar os pés, o rosto, o corpo inteiro. Podemos mergulhar, flutuar, nadar até cansar — e ainda assim jamais o aprisionaremos, jamais saberemos todos os seus contornos. O oceano nos envolve porque é vasto ao ponto de abrigar a própria evaporação.


Se pegarem um copo d’água e o observarem, verão nele um pedaço do mar. As mesmas substâncias que ondulam no alto-mar estão ali, reduzidas à medida do frágil recipiente. Mas imitar o oceano? Impossível.


O mistério é profundo e avassalador.


Passaríamos muitas vidas sem percorrer sua totalidade. Essa imensidão e essa intensidade coexistem: imensa como o horizonte, intensa como o sal que nos arde os olhos. E também se manifesta no pequeno — no copo que nos cabe na mão.


Somos, de certo modo, o copo; Deus é a água que nos preenche. Reflitam sobre isso: não se trata de reduzir o divino a explicações rasas, mas de reconhecer uma presença que nos atravessa e nos anima.


Relato do amigo Antônio Grimm:

Uma menina anuncia:


— Vou desenhar Deus.


O adulto responde:


— Ninguém sabe como Deus é.


Ela sorri e afirma:


— Saberão quando eu terminar.


Ao finalizar, o desenho mostra quatro ou cinco riscos e uma curva. O adulto exclama:


— Mas isso não é Deus.


E a criança, serena, responde:


— Para mim, é.


Vale a pena meditar nisso: sobre a profundidade daquele que nos criou; sobre uma relação viva, capaz de comover e revelar-nos como seres bioativos, antes de qualquer linguagem simplista.

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