ORAÇÃO DO QUE AINDA PULSA
“Deus…
hoje eu chego meio quebrado.
Carrego dores que já não sei onde começaram,
frustrações que finjo ter superado,
anseios que latejam como se fossem perguntas antigas demais…
e, mesmo assim, não morrem.
Eu trago também minhas esperanças —
essas teimosas —
que insistem em nascer mesmo quando o chão é árido.
E trago meus amores,
uns que me levantaram,
outros que me derrubaram,
e aqueles que ainda me confundem
porque a gente nunca sabe direito onde termina o amor
e onde começa o apego.
Eu tô cansado, Deus.
Não de Ti.
Mas desse peso apaixonado de existir.
Desse corpo que dói antes mesmo de eu lembrar por quê.
Desse coração que quer seguir,
mas tropeça nos próprios medos.
Hoje não quero respostas.
Quero colo.
Quero que o Senhor me veja sem que eu precise explicar.
Quero que toque o que há de mais amassado em mim
e, se der, ajeite só um pouquinho —
não tudo, só o que eu não consigo ajeitar sozinho.
Recebe também o que ainda pulsa:
a vontade de continuar,
a esperança que insiste,
o amor que resta,
e esse pedido meio rouco, meio cansado,
mas verdadeiro:
Fica comigo enquanto eu tento descansar.
E, se eu adormecer,
que o Senhor termine a oração por mim.”

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