Eis um assunto que retorna a minha discussão pessoal, para mim o solo consagrado tem que ter regras e não adaptações a atividades mundanas... Eis o grande ápice da conversão: deixar o mundo ao mundo e ao sagrado uma nova vida.
Jogos, limites e o peso do contexto
Esse é um bom incômodo — desses que não pedem resposta rápida, pedem escuta.
Há coisas que não são erradas em si, mas se tornam deslocadas quando mudam de lugar.
Um riso fora de hora, um grito no velório, uma brincadeira no púlpito.
O problema não é o gesto — é o contexto que o cerca.
O jogo, psicologicamente, é território de descarga.
Ali se liberam tensões, rivalidades simbólicas, impulsos de confronto.
Jogamos para medir forças, para blefar, para ganhar espaço.
No truco, isso é ainda mais explícito: o grito, a afronta ritualizada, o exagero da linguagem.
Não há ingenuidade ali — há combate lúdico.
Espiritualmente, porém, espaços consagrados pedem outra disposição interna.
Não porque sejam frágeis ou sagradinhos, mas porque carregam um pacto simbólico:
aqui se aprende a conter, a escutar, a sustentar o outro.
Aqui o eu não precisa vencer para existir.
Quando um jogo combativo ocupa esse espaço, surge a pergunta que você tocou no centro:
O que o outro vê?
Não o jogador — o observador.
A criança.
O visitante.
O recém-chegado.
Aquele que ainda está aprendendo a distinguir fé de hábito.
Ele não vê apenas cartas sobre a mesa.
Vê vozes elevadas.
Vê corpos tensionados.
Vê disputas de poder travestidas de brincadeira.
E, sem saber de regras, apostas ou intenções, aprende algo silencioso:
“Este lugar também é de confronto.”
A psicologia chama isso de aprendizagem por observação.
A espiritualidade chama de testemunho.
Nem tudo que é permitido edifica.
Nem tudo que diverte comunica cuidado.
E nem tudo que é “só um jogo” permanece só jogo quando muda de altar.
Limite não é repressão.
Limite é leitura de ambiente.
É saber que algumas práticas precisam de outros territórios para existir, sem serem demonizadas, mas também sem serem sacralizadas à força.
Talvez a pergunta mais honesta não seja: “Pode ou não pode jogar?”
Mas sim: “O que este espaço está ensinando quando eu ajo assim dentro dele?”
Quando essa pergunta surge, o espírito já começou a falar —
não em grito de truco,
mas em silêncio atento.
Jogos de azar
são jogos em que o resultado depende principalmente da sorte, e não da habilidade, do conhecimento ou da estratégia do jogador. Em outras palavras: você pode até tentar escolher, mas não tem controle real sobre o resultado.
Características principais
🎲 Predominância do acaso (sorte ou aleatoriedade)
💰 Envolvem aposta de dinheiro ou algo de valor
🔄 Resultado imprevisível, mesmo repetindo várias vezes
🧠 A habilidade do jogador não altera de forma decisiva o desfecho
Exemplos clássicos
Roleta
Caça-níqueis
Bingo
Jogo do bicho
Loterias
Dados apostados
Cartas quando jogadas apenas por aposta, sem peso estratégico relevante
Diferença entre jogo de azar e jogo de habilidade
Jogo de azar: ganhar ou perder independe do que você faz
Jogo de habilidade: o desempenho melhora com treino, estudo e estratégia
Por exemplo:
Xadrez ♟️ → habilidade
Roleta 🎡 → azar
Poker 🃏 → discussão comum: tem habilidade, mas ainda envolve sorte (por isso é tratado de forma diferente em leis e estudos)
Um olhar psicológico
Jogos de azar ativam fortemente:
expectativa de recompensa
ilusão de controle (“agora vai”)
reforço intermitente (ganha-se pouco, perde-se muito)
Esse combo explica por que eles podem ser tão atraentes e, para algumas pessoas, problemáticos.
Dentro das leis e orientações da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja Mórmon):
🎴 Jogos de baralho em si
👉 Não são automaticamente proibidos.
O que a Igreja condena explicitamente são jogos de azar e apostas.
Ou seja:
❌ Baralho com aposta, dinheiro, prêmios ou “quem perde paga” → não permitido
✅ Baralho como jogo recreativo, social, sem aposta → pode ser aceitável
🎲 Posição oficial da Igreja
A Igreja ensina que:
Jogos de azar são prejudiciais espiritual, social e psicologicamente
Devem ser evitados por membros fiéis
Não devem ocorrer em ambientes da Igreja
O foco não é o objeto (cartas), mas a prática (azar, dinheiro, compulsão).
🏛️ E quanto ao espaço físico da igreja?
Aqui entra o ponto mais sensível:
Mesmo jogos sem aposta, quando realizados:
dentro de capelas
em salões culturais
em atividades oficiais da ala/ramo
👉 dependem da aprovação da liderança local (bispo ou presidente de ramo).
Na prática:
Jogos simples e claramente recreativos (ex.: Uno, dominó, jogos cooperativos) costumam ser aceitos
Baralho tradicional pode gerar desconforto cultural, mesmo sem apostas, por associação simbólica
Muitas lideranças preferem evitar qualquer coisa que possa causar má interpretação
📌 Resumo claro
❌ Jogos de azar → não podem, em hipótese alguma
⚠️ Jogos de baralho sem aposta → não são doutrinariamente proibidos, mas:
- devem ser recreativos
- apropriados ao ambiente
e - aprovados pela liderança local
🧭 O critério central é: edificação, exemplo e bom senso
Uma frase que resume bem o espírito mórmon:
“Não é apenas o que fazemos, mas o que isso ensina e comunica.”

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