Estava conversando com minha amiga Katia e falávamos sobre espera para exames, morosidade principalmente na área da saúde, falei a ela: Por isso nos chamam de pacientes. E assim surge esta crônica.
Há uma ironia silenciosa na palavra “paciente”.
Ela nasce do latim patiens, aquele que sofre, aquele que suporta. Não se refere, originalmente, à virtude da calma, mas à condição de quem atravessa algo — uma dor, um processo, uma espera. Ainda assim, no cotidiano dos serviços de saúde, o termo parece ganhar uma camada quase cruel de sentido: o paciente não apenas sofre, ele também precisa aprender a esperar.
Filas longas, diagnósticos adiados, retornos distantes… o sistema, muitas vezes, ensina à força uma paciência que não foi escolhida, mas imposta. Como se, além da dor física ou emocional, houvesse um rito silencioso de resistência: suportar o tempo lento das instituições.
Mas talvez seja justamente aí que a palavra revele sua ambiguidade mais profunda. O paciente não é apenas alguém que espera — é alguém que atravessa. E, nesse atravessar, há algo de humano, de vulnerável, mas também de potência. Porque mesmo na espera, há vida acontecendo, há sentido sendo construído.
No fim, ser paciente não deveria significar resignar-se à demora, mas reconhecer a dignidade de quem está em processo. A saúde, afinal, não deveria exigir paciência — deveria oferecer cuidado.

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