**O “mapa de Tartária” (ou Tartaria / Grande Tartária)** refere-se a um termo geográfico antigo que aparecia em mapas europeus entre os séculos XIII e XIX, e não a um país ou império unificado com fronteiras rígidas e governo central.
### O que era a Tartária historicamente
A Tartária (do latim *Tartaria* ou *Tartaria Magna*) era o nome genérico que os europeus davam a uma vasta região pouco conhecida da Ásia Central e Setentrional. Ela se estendia, de forma aproximada, do Mar Cáspio e dos Montes Urais até o Oceano Pacífico, abrangendo áreas que hoje correspondem à Sibéria, partes do Turquestão, Mongólia, Manchúria e, em alguns mapas, regiões próximas.
Os habitantes eram genericamente chamados de “tártaros” (termo derivado dos povos turcos e mongóis ligados ao Império Mongol e seus sucessores). Na prática, a palavra funcionava como um rótulo cartográfico amplo — parecido com a forma como alguém poderia dizer “Ásia Central” ou “Oriente” sem indicar um Estado único. Não havia um império chamado Tartária com capital, bandeira oficial unificada, sistema legal próprio ou governo central que controlasse todo aquele território.
Com o tempo, os cartógrafos passaram a subdividir a região:
- Tartária Moscovita ou Russa (principalmente a Sibéria ocidental, sob influência russa)
- Tartária Independente (áreas da Ásia Central)
- Tartária Chinesa (Manchúria, Mongólia e partes sob influência Qing)
- Tartária Oriental e outras variações
Mapas famosos, como o de Abraham Ortelius de 1570 (*Tartariae sive Magni Chami Imperium*), mostram essa grande área. À medida que a exploração russa avançou para o leste e o conhecimento geográfico europeu melhorou no século XVIII e especialmente no XIX, o termo genérico foi sendo abandonado em favor de nomes mais precisos (Sibéria, Turquestão, etc.). Por isso ele desaparece dos mapas modernos.
### A teoria da conspiração moderna
A partir de cerca de 2016–2018, o termo ganhou popularidade em círculos online como base de uma teoria conspiratória. Segundo essa narrativa:
- Existiria um grande “Império Tartariano” avançado, tecnologicamente superior e muitas vezes descrito como pacífico e global.
- Esse império teria sido destruído ou apagado da história (geralmente por um “mud flood” — inundação de lama catastrófica — no século XIX).
- Edifícios antigos em várias cidades do mundo (com portas e janelas “enterradas”, arquitetura monumental etc.) seriam restos dessa civilização, e a história oficial teria sido reescrita para escondê-la.
A teoria se alimenta de imagens de mapas antigos, fotografias antigas de cidades e interpretações seletivas de arquitetura. Suas raízes estão em correntes de pseudohistória russa (como a “Nova Cronologia” de Anatoly Fomenko e ideias de Nikolai Levashov), que depois se espalharam e se misturaram com outras narrativas conspiratórias na internet.
### O que dizem os historiadores e geógrafos
A visão acadêmica e cartográfica é clara: a Tartária nunca foi um Estado unificado ou império avançado oculto. Era um termo europeu de conveniência para terras pouco mapeadas e habitadas por diversos povos. Sociedades geográficas (incluindo a Sociedade Geográfica Russa) e historiadores apontam que os mapas estão disponíveis, a história da região é documentada e o desaparecimento do nome é o resultado natural do avanço do conhecimento geográfico, não de um apagamento deliberado.
Em resumo: o “mapa de Tartária” mostra um conceito cartográfico europeu antigo para uma grande parte da Ásia interior. Ele é real como rótulo histórico em mapas antigos, mas a ideia de um império perdido e avançado que teria sido apagado da história é uma construção moderna sem apoio nas evidências históricas e arqueológicas.