quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Machado de Assis

 

Machado de Assis. Neto de escravos alforriados, filho de pintor de paredes pardo e lavadeira portuguesa. 


Epilético, gago, pobre. Tinha tudo pra não dar certo no Brasil Imperial de 1839.


Aprendeu a ler sozinho, em tipografia onde trabalhava aos 13 anos. Catava tipos metálicos, montava palavras, decorava. 


Lia jornal velho que ia pro lixo. Estudou francês com padeiro francês em troca de ajudar na entrega de pães.


Aos 16, publicou primeiro poema. Aos 25, era jornalista respeitado. Aos 42, lançou "Memórias Póstumas de Brás Cubas", romance narrado por DEFUNTO, ironia demolidora contra elite brasileira, técnica narrativa que Europa só usaria décadas depois.


Críticos literários internacionais colocam Machado no mesmo nível de Flaubert, Dostoiévski e Henry James. Harold Bloom (maior crítico literário do século XX) disse: "Machado de Assis é gênio negligenciado, deveria ser lido mundialmente como Kafka."


Mas Brasil mal ensina. Escola força adolescente a ler "Dom Casmurro" como obrigação chata de vestibular. 


Não explica que Machado estava destruindo hipocrisia da sociedade brasileira com ironia tão afiada que passa despercebida em primeira leitura.


Ele fundou Academia Brasileira de Letras em 1897 e foi primeiro presidente. Escreveu 9 romances, 200 contos, 600 crônicas, 10 peças de teatro, crítica literária. 


Tudo isso trabalhando como funcionário público do Ministério da Agricultura pra sobreviver.


Casou com Carolina Xavier, portuguesa branca, numa época em que casamento inter-racial era escandaloso. 


Ela morreu em 1904. Machado nunca se recuperou. Escreveu poema "A Carolina" considerado um dos mais belos da língua portuguesa. Morreu quatro anos depois, 1908.


Brasil tinha 16 milhões de habitantes. 100.000 foram ao enterro. Maior funeral da história brasileira até então.


E hoje? Adolescente brasileiro reclama de ler Machado. Acha "chato". Prefere resumo na internet.


Machado provou que genialidade não precisa de berço. Precisa de fome intelectual, disciplina e coragem de olhar pra própria sociedade e dizer verdades que ninguém quer ouvir.


Neto de escravo que virou maior escritor do Brasil.


E a gente nem ensina direito nas escolas.


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