A decepção dói, mas também revela. Ela não cria uma nova realidade; apenas retira o véu que impedia nossos olhos de enxergarem quem alguém realmente era — ou quem nós imaginávamos que fosse.
Na psicanálise, muitas de nossas relações são construídas sobre idealizações. Projetamos no outro virtudes, intenções e lealdades que, muitas vezes, pertencem mais aos nossos desejos do que à realidade. Quando a decepção chega, não é apenas a atitude do outro que nos fere, mas o luto pela imagem que construímos.
Por mais amarga que seja, a decepção pode ser um convite ao amadurecimento. Ela nos ensina a olhar com mais lucidez, a estabelecer limites e a compreender que enxergar a verdade, ainda que dolorosa, é mais saudável do que viver confortavelmente em uma ilusão.
Às vezes, perder a venda dos olhos é o primeiro passo para reencontrar a paz.
Psicoarteterapeuta Abilio Machado

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