O homem no banco da igreja
O homem que se parte ao sair...
Sentado no banco da igreja, o homem ouviu falar do ser humano falho, do homem falho.
Nada de novo.
Ele mesmo carregava suas falhas no bolso da alma, algumas antigas, outras recém-adquiridas.
O discurso dizia que o homem erra porque é humano.
Que falha porque ainda está em processo.
Até ali, ele concordava.
Mas algo começou a incomodá-lo quando a falha passou a soar como licença,
e não como convite à transformação.
Foi então que ele percebeu a divisão — não dita, mas ensinada, ali no púlpito.
Havia o homem da igreja
e havia o homem do lado de fora.
Dias vidas - duas caras.
O primeiro falava baixo, usava palavras corretas, pedia perdão com facilidade.
O segundo negociava valores, relativizava gestos, justificava durezas.
E ambos usavam o mesmo corpo.
O homem no banco da igreja pensou no cansaço que isso provoca, na dor das escolhas das máscaras a vestir.
Viver fragmentado exige esforço constante.
É preciso lembrar quem se é em cada lugar, ajustar o tom, mudar o vocabulário, recalcular a moral conforme o ambiente.
Na igreja sou assim, e fora sou o ambiente, acende-se a luz de alerta.
E ele se perguntou, em silêncio:
quando foi que a fé passou a permitir essa duplicidade?
Porque uma coisa é reconhecer a falha.
Outra, bem diferente, é organizar a vida em compartimentos, como se Deus habitasse apenas alguns deles.
O homem falho não o assustava.
O homem dividido, sim.
Do ponto de vista psicológico, ele sabia:
o sujeito que se separa em versões acaba adoecendo.
A alma não gosta de personagens.
Ela pede coerência, ainda que imperfeita.
Pensamentos - palavras - ações
Os 3 componentes essenciais para dar coerência ao comportamento, a conduta social, moral e política, sem esquecer talvez a mais importante ao manifesto da fé: a espiritual.
Do ponto de vista espiritual, a divisão era ainda mais grave.
Se Deus é presença, onde Ele fica quando o homem sai da igreja?
Do lado de dentro, aguardando o próximo culto?
Ou acompanha o homem também nas escolhas difíceis, nas zonas cinzentas, nos lugares onde não há louvor?
Onde o palavreado é chulo.
O discurso terminou exaltando a misericórdia.
O homem agradeceu por isso.
Mas sentiu falta da responsabilidade.
Misericórdia não é anestesia moral.
É sustentação para mudar sem desespero.
Ao levantar-se do banco, ele percebeu que a pergunta não era sobre errar ou não errar.
Era outra, mais profunda:
Sou o mesmo homem quando oro
e quando decido?
Quando canto
e quando escolho?
Ele saiu da igreja sabendo que não precisava ser perfeito.
Mas também sabendo que não queria ser dois.
Preferia ser um só homem — falho, sim — mas inteiro.
Deus está nele em todos os ambientes, e é por isso que não pode ser dois, três ou mais. Tem de ser um só para demonstrar que ao cair nas águas todos os pactos, condutas, vícios, tudo...foram lavados e levados, o fazendo um novo homem!
Como diz na música : águas que transformam..." Eu fui lavado, eu fui restaurado nome de Jesus - fui perdoado !
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