segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O HOMEM QUE SE PARTE AO SAIR - O Homem Sentado no Banco da Igreja

 O homem no banco da igreja



 O homem que se parte ao sair...

Sentado no banco da igreja, o homem ouviu falar do ser humano falho, do homem falho.

Nada de novo.

Ele mesmo carregava suas falhas no bolso da alma, algumas antigas, outras recém-adquiridas.

O discurso dizia que o homem erra porque é humano.

Que falha porque ainda está em processo.

Até ali, ele concordava.

Mas algo começou a incomodá-lo quando a falha passou a soar como licença,

e não como convite à transformação.

Foi então que ele percebeu a divisão — não dita, mas ensinada, ali no púlpito.

Havia o homem da igreja

e havia o homem do lado de fora.

Dias vidas - duas caras.

O primeiro falava baixo, usava palavras corretas, pedia perdão com facilidade.

O segundo negociava valores, relativizava gestos, justificava durezas.

E ambos usavam o mesmo corpo.

O homem no banco da igreja pensou no cansaço que isso provoca, na dor das escolhas das máscaras a vestir.

Viver fragmentado exige esforço constante.

É preciso lembrar quem se é em cada lugar, ajustar o tom, mudar o vocabulário, recalcular a moral conforme o ambiente.

Na igreja sou assim, e fora sou o ambiente, acende-se a luz de alerta.

E ele se perguntou, em silêncio:

quando foi que a fé passou a permitir essa duplicidade?

Porque uma coisa é reconhecer a falha.

Outra, bem diferente, é organizar a vida em compartimentos, como se Deus habitasse apenas alguns deles.

O homem falho não o assustava.

O homem dividido, sim.

Do ponto de vista psicológico, ele sabia:

o sujeito que se separa em versões acaba adoecendo.

A alma não gosta de personagens.

Ela pede coerência, ainda que imperfeita.

Pensamentos - palavras - ações 

Os 3 componentes essenciais para dar coerência ao comportamento, a conduta social, moral e política, sem esquecer talvez a mais importante ao manifesto da fé: a espiritual.

Do ponto de vista espiritual, a divisão era ainda mais grave.

Se Deus é presença, onde Ele fica quando o homem sai da igreja?

Do lado de dentro, aguardando o próximo culto?

Ou acompanha o homem também nas escolhas difíceis, nas zonas cinzentas, nos lugares onde não há louvor?

Onde o palavreado é chulo.

O discurso terminou exaltando a misericórdia.

O homem agradeceu por isso.

Mas sentiu falta da responsabilidade.

Misericórdia não é anestesia moral.

É sustentação para mudar sem desespero.

Ao levantar-se do banco, ele percebeu que a pergunta não era sobre errar ou não errar.

Era outra, mais profunda:

Sou o mesmo homem quando oro

e quando decido?

Quando canto

e quando escolho?

Ele saiu da igreja sabendo que não precisava ser perfeito.

Mas também sabendo que não queria ser dois.

Preferia ser um só homem — falho, sim — mas inteiro.

Deus está nele em todos os ambientes, e é por isso que não pode ser dois, três ou mais. Tem de ser um só para demonstrar que ao cair nas águas todos os pactos, condutas, vícios, tudo...foram lavados e levados, o fazendo um novo homem!

Como diz na música : águas que transformam..." Eu fui lavado, eu fui restaurado  nome de Jesus - fui perdoado !


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