terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Quanto a verdade foi apresentada pelo engano! - O Homem Sentado no Banco da Igreja

 O homem sentado no banco da igreja 

Quando a verdade foi apresentada pelo engano!

Sentado no banco da igreja, o homem ouviu a história com atenção cuidadosa, era a segunda parte que começou com o Deus eletrotécnico.

Não era um grande escândalo, nem um pecado vistoso.

Era algo pequeno. Justamente por isso, perigoso.

A moça contou, com certa leveza, que enganou uma conhecida sua certa feita.

Disse que iriam buscar um utensílio qualquer, balde ou algo parecido.

Mas o destino era outro:

uma Noite Familiar, um rito da igreja, uma tentativa de aproximação com a fé. Uma maneira de apresentar a igreja e sua fé para sua conhecida de escola.

A igreja reagiu com compreensões silenciosas.

Alguns sorrisos cúmplices.

Afinal, a intenção era boa.

Será ?!

O homem no banco da igreja não julgou a moça.

Conhecia esse impulso.

A ânsia de cumprir uma promessa maior, de apresentar a Igreja de Jesus ao outro, de “fazer o bem” mesmo que por atalhos.

De poder se fazer valer na comunidade dogmática.

O incômodo não estava na vontade de evangelizar.

Estava no meio escolhido.

Ele pensou:

se a Verdade precisa ser disfarçada para ser aceita,

o que estamos realmente oferecendo ao outro?

Do ponto de vista psicológico, o gesto era compreensível.

O medo da recusa.

A dificuldade de lidar com o “não”.

Alho bem pessoal, talvez algo que ainda carregue, não gosta de ouvir não, gosta de ser o centro mesmo fazendo o jogo de : vou discursar reger orar no fim bater a foto final e distribuir nas redes sociais e bem provável fazer o primeiro comentário ou dar o primeiro coração de curtida.

A fantasia de que, se a pessoa estiver lá, o Espírito Santo fará o resto, na minha pequenez acredito que nem o Espírito Santo chegou a entrar...

A fé construída sem consentimento começa frágil.

Porque antes de ser espiritual, ela precisa ser relacional.

Me entenda, relação, participação, troca de energia, tenho de estar bem com o conjunto da obra. 

Do ponto de vista teológico, a questão se aprofundava.

Deus se contenta com o engano quando o objetivo é sagrado?

A promessa de apresentar Sua igreja ao povo autoriza a suspensão da verdade?

O homem lembrou-se de algo simples:

Jesus nunca chamou ninguém por armadilhas.

Chamou por convite.

“Vem e vê.”

Nunca: “vem sem saber”.

A Palavra que liberta não sequestra.

Ela espera.

Ela respeita o tempo do outro, mesmo quando isso frustra nossas expectativas missionárias. De apresentar números, de ser mencionado como quem mais batizou porém fica a pergunta destes quantos permanecem ?

O engano pode até levar alguém até a porta da igreja,

mas dificilmente leva até o coração da fé.

E havia no diarcurso ainda outro risco, mais silencioso.

Quando normalizamos pequenas mentiras “em nome de Deus”,

ensinamos algo sem perceber:

que a verdade é negociável quando o objetivo parece nobre.

O homem pensou no efeito disso dentro da alma.

Uma fé que começa torta pode até andar,

mas sempre mancando.

Quando a história terminou, ele permaneceu sentado.

Não para condenar a moça.

Mas para guardar a pergunta que ninguém fez em voz alta:

Se Deus é Verdade,

Ele realmente precisa que a escondamos para apresentá-Lo?

O culto seguiu.

O banco permaneceu o mesmo.

E o homem ficou, ali, para o próximo orador, com a sensação incômoda — e necessária —

de que nem todo “bom propósito” santifica o gesto que o carrega.

E para você: 

_O fim justifica os meios ?

_Sua fé é negociável ? 


Minha música: Farol da promessas...



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