segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Edith Piaf - uma voz inesquecível

 


Antes de se tornar uma das vozes mais famosas da França, Édith Piaf passou parte da infância sendo cuidada pelas mulheres que trabalhavam numa casa de prostituição. Décadas depois, quando m*rreu como uma estrela mundial, a Igreja Católica se recusou a realizar seu funeral religioso. Ainda assim, cerca de 40 mil pessoas foram às ruas para se despedir dela.


A infância de Piaf esteve muito distante dos grandes palcos. Ainda pequena, viveu em Bernay, na Normandia, onde sua avó paterna administrava uma casa de prostituição. As mulheres que trabalhavam ali ajudaram a alimentar, cuidar e dar carinho à menina.


Mais tarde, Édith passou a acompanhar o pai, que trabalhava como artista ambulante. Foi nessa época que começou a cantar nas ruas, usando a voz para chamar a atenção das pessoas e ganhar algum dinheiro.


Aquela menina acabaria saindo das ruas de Paris para se tornar um dos maiores nomes da música francesa.


Mas a fama não tornou sua vida mais fácil.


Em 1949, Piaf vivia um relacionamento com Marcel Cerdan, campeão mundial de boxe. Ele era casado e tinha três filhos, mas o romance dos dois era conhecido. Em 28 de outubro daquele ano, Cerdan embarcou em um avião rumo a Nova York para encontrá-la.


Ele nunca chegou.


O avião caiu nos Açores, e Cerdan m*rreu aos 33 anos. Piaf perdeu o homem por quem estava profundamente apaixonada. Uma de suas músicas mais conhecidas, “Hymne à l'amour”, ficou para sempre ligada àquela relação.


Os anos seguintes foram marcados por apresentações, problemas de saúde e tratamentos médicos. Acidentes de carro e dores constantes contribuíram para que ela desenvolvesse dependência de morfina, agravando ainda mais seu estado físico.


Em 1960, quando muita gente já imaginava que sua carreira estivesse chegando ao fim, Piaf voltou ao famoso palco do Olympia, em Paris, com uma música que parecia resumir sua própria vida:


“Non, je ne regrette rien.”


“Não, eu não me arrependo de nada.”


A canção havia sido escrita por Charles Dumont e Michel Vaucaire, mas na voz de Piaf ganhou outro peso. Era cantada por uma mulher que conhecera pobreza, perdera a única filha ainda pequena, enfrentara doenças e havia perdido um dos grandes amores de sua vida.


Três anos depois, em 10 de outubro de 1963, Édith Piaf m*rreu aos 47 anos.


Até sua despedida causou controvérsia.


A Igreja Católica de Paris não realizou um funeral religioso oficial para a cantora, principalmente por causa de sua vida conjugal e de um segundo casamento realizado numa cerimônia ortodoxa. Um padre chegou a rezar junto ao túmulo, mas não houve missa de funeral.


O público, porém, apareceu em massa.


Em 14 de outubro, cerca de 40 mil pessoas se reuniram no cemitério Père-Lachaise para acompanhar seu enterro. Flores tomaram o local, e milhares continuaram chegando mesmo depois que o caixão já havia sido sepultado.


A menina que um dia recebeu cuidados das mulheres de uma casa de prostituição terminou a vida sendo acompanhada por uma multidão.


E uma frase que cantou poucos anos antes acabou se tornando quase inseparável de sua história:


“Não, eu não me arrependo de nada.”

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