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domingo, 24 de novembro de 2024

Chora coração, mas não parta!

 


Chora coração, mas não parta!


“No extremo norte, numa pequena e acolhedora casa, quatro crianças viviam com a sua amada avó. Uma mulher gentil, que cuidou deles durante muitos anos. Agora ela tinha uma visita.


Não querendo assustar as crianças, o visitante tinha deixado a foice do lado de fora da porta. De qualquer maneira, eles sabiam que era a morte. Nels, o mais velho, e sua irmã Sonia fecharam os olhos, cheios de tristeza. Kasper, que era mais novo, tentou ignorar o visitante. Mas Leah, a mais nova, que sempre se metia em problemas, olhava fixamente para a Morte.


Na quietude, as crianças podiam ouvir a avó lá em cima, respirando com a aspereza que possuíam as figuras da mesa. Eles sabiam que a Morte tinha vindo por ela e que o tempo era curto.


Como todos sabem que o único amigo da Morte é a noite, as crianças rapidamente criaram um plano. Manteriam a Morte longe da avó dando-lhe café a noite toda. Ao amanhecer, não teria escolha senão partir sem ela.


Então, sempre que a Morte esvaziava a sua xícara, Nels perguntava: "Mais café, senhor? " E a morte acenou. A Morte adorava seu café, forte e preto como a noite, estava feliz por sentar e descansar um pouco.


O tempo passou.

Finalmente, a morte estava pronta. Colocou sua mão ossuda sobre sua caneca para indicar "não mais".


Então, Leah, que esteve observando a Morte toda a noite, estendeu o braço e pegou sua mão.

"Oh morte", disse ela, "Nossa avó é tão amada por nós, por que tem que morrer? "

Algumas pessoas dizem que o coração da morte é frio e preto como um pedaço de carvão, mas isso não é verdade. Debaixo de sua camada de tinta, o coração da morte é vermelho como o pôr do sol mais belo e pulsa com um grande amor pela vida.


A morte queria ajudar as crianças a entender, então ela disse. "Gostaria de te contar uma história"

E com uma voz forte e doce, ele começou a falar.


"Era uma vez, faz tanto tempo que só eu consigo lembrar, viviam dois irmãos. Um se chamava Tristeza, o outro Dor. Lamentáveis e tristes, eles se moviam de cima para baixo no seu vale sombrio. Eles estavam lentos e pesados, e porque nunca levantaram os olhos, nunca viram através das sombras os cumes das montanhas.


No topo dessas montanhas, viviam duas irmãs, Alegria e Deleite. Elas eram brilhantes e risonhas e seus dias eram cheios de felicidade. A única sombra na vida deles era a sensação de que lhes faltava algo. Eles não sabiam o quê, mas sentiam que não podiam desfrutar plenamente da sua felicidade. "


A morte viu Leah acenar e disse: "Acho que você pode adivinhar o que aconteceu depois".


"Um dia, irmãos e irmãs se conheceram. A Tristeza se apaixonou instantaneamente por Deleite, e ela por ele. Foi o mesmo para Dor e Alegria. Cada um não podia viver sem o outro."


"Depois de seu casamento duplo e grande celebração, os dois casais mudaram-se para casas vizinhas no meio da montanha. Desta forma, a distância das suas antigas casas foi a mesma."


"Todos viveram até serem muito velhos. Quando chegou a hora de morrer, Dor e Alegria fizeram-no no mesmo dia, assim como Tristeza e Deleite. A felicidade deles juntos tinha sido tão grande que não podiam viver um sem o outro."


"Essa é uma boa história". Ele disse Nels.

"É o mesmo com a vida e a morte".

A morte disse: "O que seria da vida se não houvesse morte? Quem aproveitaria o sol se nunca chovesse? Quem teria saudades do dia se não houvesse noite? ”


As crianças não tinham certeza se tinham compreendido completamente a Morte, mas de alguma forma sabiam que ela estava certa.


Finalmente, a Morte levantou-se. Era hora de subir as escadas. Uma linha cinza pálida apagava a noite. Kasper queria deter a Morte, mas Nels impediu-o. "Não", disse Nels. "A vida continua. É assim que deve ser."


Momentos depois, as crianças ouviram a janela de cima se abrir. Depois, com uma voz entre um grito e um sussurro. A Morte disse:


"Voa, Alma. Voe, voe para longe."


As crianças correram escadas acima e entraram na ponta dos pés no quarto da avó.


A avó tinha morrido.


As cortinas se mexiam pela suave brisa da manhã. Olhando para as crianças, a Morte diz baixinho:


“Chore, coração, mas nunca se quebre.

Deixe que suas lágrimas de dor e tristeza o ajudem a começar uma nova vida. "


E depois foi embora.


Para sempre, sempre que as crianças abrirem a janela, elas pensarão na avó. E quando a brisa acariciar seus rostos, eles poderão sentir seu toque.


Nos anos que se seguiram, as crianças viveram com alegria e tristeza. Eles sempre se lembraram das palavras da Morte e sentiam um grande conforto nos seus corações que às vezes doíam e choravam... mas nunca se quebravam.


...contando histórias 

Abilio Machado

HOJE TUDO PARECE COMPRADO FEITO! _Maria!

  Hoje, domingo ao final da Conferência da Estaca Campo Comprido, encontrei com a Irmã Maria e sua amiga no jardim na lateral da Igreja, e em nossa conversa falamos do passado, dos tempos antigos e ela disse a frase título deste tema, e falei a ela, vou anotar e vou escrever uma crônica sobre... E eis o que saiu, espero que gostem, pois em meio a ficção da história há muitas verdades de minha infância, minha psicóloga vai adorar este meu expurgo emocional...



Tudo Parece Pronto

Outro dia, sentei-me na praça da cidade. Sabe aquelas praças que parecem sobreviventes de um tempo que teima em sumir? Aquelas onde as árvores são mais velhas que qualquer um que passa por ali e as calçadas são gastas de tantos pés que já pisaram, de crianças que já correram, de casais que já namoraram? Pois é. Sentei-me ali, como quem quer escutar o tempo. E o tempo falou, meio sussurrado, como se reclamasse.

Lembro de quando as coisas pareciam ter mais substância, mais história. Um café não era só um copo de líquido quente apressado em um copo descartável. Era uma desculpa pra conversar, pra rir de besteiras, pra passar o tempo. Hoje, tudo parece já vir empacotado, no ponto, pasteurizado. O café é só mais um item no meio do dia corrido, programado pra ser eficiente, mas nunca pra ser vivido.

E não é só o café. Tudo parece assim, feito sob medida pra ocupar, mas não pra preencher. Aquele velho sofá da casa da vó, que tinha uma capa de crochê esfiapada, foi trocado por móveis minimalistas, de linhas retas e tons neutros. Bonitos, eficientes, mas sem história. Sem a marca das conversas, dos cochilos improvisados, dos domingos preguiçosos. O crochê estava torto, mas era de verdade, feito de linha e de paciência, daqueles que demoravam tardes inteiras pra nascer, no ritmo da mão de quem sabia fazer, de quem aprendeu sem pressa.

Hoje, quando ando pela cidade, tudo me parece rápido demais, genérico demais, igual demais. São tantas lojas iguais, tantas fachadas idênticas, tantas opções que se dizem diferentes, mas que no fundo são apenas versões da mesma coisa. A gente entra, escolhe, paga e sai, com a sensação de que algo ficou faltando, de que não houve um encontro verdadeiro, de que as coisas não têm mais a mesma essência.

Até as conversas são assim. Curtas, rápidas, enviadas por mensagens instantâneas, com palavras cortadas, com emojis no lugar de expressões. E quando a gente senta com alguém pra conversar, parece que até a conversa segue um roteiro invisível, um checklist de temas a serem cumpridos antes que o tempo acabe. Tudo parece comprado feito, e não só as coisas, mas os momentos, as sensações. Até as emoções vêm pré-fabricadas, adaptadas para caber nas fotos postadas nas redes, editadas, corrigidas, recortadas até parecerem perfeitas – mas perfeição não é o mesmo que verdade.

Dizem que antigamente era tudo mais difícil. Eu não duvido. Mas talvez era essa dificuldade que fazia a vida ter aquele gosto especial. Não era fácil, mas era único. O cheiro do bolo de fubá que a mãe fazia aos sábados, aquele que às vezes queimava no fundo mas ninguém ligava, porque o cheiro da casa era de casa. Ou das manhãs em que ela fazia orelha de padre na chapa do fogão a lenha, o aroma doce e aconchegante preenchendo a cozinha.

Lembro também dos domingos, quando fazíamos macarrão em casa, com muito trigo espalhado pela mesa. Cortávamos as tiras uma a uma e as deixávamos secar, penduradas como bandeirinhas improvisadas, à espera do almoço que juntava a família. E do meu pai, fazendo polenta na velha panela de ferro, despejando-a fumegante sobre a tábua, onde ela se assentava devagar, como lava vulcânica que esfria e cria uma crosta irresistível.

E havia os potes de vidro com balas coloridas no armazém do Casemiro, que pareciam tesouros esperando pelas mãos de uma criança. As caronas na carroça do Seu Otto, com o balanço suave das rodas de madeira pelas ruas de terra. E os domingos em que eu levava seu almoço ou janta e o acompanhava meu pai, na velha Fábrica Iguaçu, onde ele fazia as rondas, e eu me sentia grande, importante, parte de um mundo que já não existe mais. São tantas pessoas que conheci, tantas que já se foram, mas que permanecem comigo, guardadas na memória de dias que pareciam mais cheios, mais autênticos. Menos vazios e plásticos, enlatados como hoje.

Naqueles tempos, as brincadeiras ao ar livre eram o que tínhamos de melhor. A rua era o nosso reino, e a simplicidade do brincar com pedrinhas, correr descalço e subir em árvores nos fazia donos de um mundo inteiro. O campo da Ilha era nosso Playground, comentei no ônibus na volta: __Quando pequeno conhecia isso aqui como a palma da minha mão. Foram bons tempos, tempos em que a vida era sentida de verdade, de corpo e alma, sem pressa.

Voltei pra casa com a sensação de que, no fundo, estamos todos buscando por algo que já foi. Procurando autenticidade num mundo que se acostumou a se vender pronto, com prazo de validade e manual de instruções. E, talvez, seja por isso que as velhas praças, as que ainda resistem, acabam virando refúgio. Porque, no fundo, a gente sabe: a vida de verdade não é só sobre estar pronto, é sobre viver, errar, e rir do erro.

Neste mesmo dia, ao chegar em casa, peguei uma mimosa que Ronna e Elaine colocaram ontem para mim num pacotinho, devem ter comprado num daqueles pequenos mercadinhos que ainda resistem por aí, pensei eu. A casca estava machucada, e quando abri, vi que uma parte estava estragada. Mas a outra metade estava doce, suculenta, como há tempos eu não sentia. Comi ali mesmo, frente a pia da cozinha, deixando o suco escorrer pelos dedos, e não pude evitar um sorriso. Era um gosto antigo, mas era verdadeiro.

E vim ao computador digitar este texto, pensando que, às vezes, é melhor uma vida imperfeita, feita de pedaços tortos e de erros bonitos, do que uma vida que vem sempre pronta, mas nunca viva.

e é assim... Com um algumas lágrimas pela memória afetiva revivida.


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Abilio Machado: Papai Noel, Neuropsicoartepedagogo ICH, Arteeducador e Massoterapeuta QiGong.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Não estamos sós no Universo

 





Não estamos sós no Universo

Em meio às turbulências e dias nublados que estamos enfrentando atualmente, essa mensagem de André Luiz, psicografada por Chico Xavier, funciona como um farol que nos ajuda a manter o rumo em nossa jornada evolutiva. Uma mensagem de otimismo sobre a importância da compaixão e um convite ao exercício da paciência e do amor. Um lembrete sobre nossa verdadeira missão na Terra.
“Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz… Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz”.
Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa… nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor.
Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida… dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.
Não se apavore com as doenças… elas são despertadores, têm a missão de nos acordar.
De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta. O universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas…
Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.
Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada. Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.
E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.
Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas.
Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz…
Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo.
É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso.
O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe.