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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Fé Verdadeira a quem pertence?



Sempre existiu em cada ser em tentar provar que a forma do outro crer ou de sentir é errada e a sua é a correta e verdadeira... e aqui algumas palavras sobre o pensamento de Boehme... Para você refletir comigo:

FÉ VERDADEIRA

Com relação à distinção entre fé e crença, Jacob Boehme diz:
“A crença histórica não passa de uma opinião baseada nas explicações da letra da palavra escrita que se adota, uma opinião adquirida nas escolas, ouvidas pelo ouvido externo e que produzem dogmatas, sofistas e palpiteiros da letra.
A Fé Verdadeira resulta da direta percepção da verdade, ouvida e compreendida pelo sentido interno, ensinada pelo Espírito Santo e produzida pelos teósofos e servos do Divino Espírito”.

PECADO

Quanto à questão do pecado, se o homem pode ou não ser perdoado por padre ou pastor, a opinião de Boehme não deixa dúvidas:
“Nenhum pecado pode ser retirado através da absolvição sacerdotal.
Se o Cristo ressuscitar no coração o velho Adão está morto e com ele todos pecados cometidos.
Quando o sol surge, a noite é engolida pelo dia e não mais existirá.
Finjam, gritem, chorem, cantem, preguem e ensinem o quanto quiserem.
Mas de nada irá adiantar enquanto o mal existir no seu coração.
Se eu me confessar durante 1000 anos e tiver um sacerdote para me absolver todos os dias e além disso receber o sacramento a cada quatro semanas, de nada vai adiantar se eu não tiver o Cristo em mim.
Um animal que vai à igreja sai um animal, não importa a que cerimônia ele tenha assistido.
Os cristãos modernos possuem um templo de pedras, onde servem a deusa da vaidade, onde se enganam, onde as pessoas exibem as suas melhores roupas e o pregador fala aquilo que aprendeu em teoria".

IGREJA DO CRISTO

"O verdadeiro Cristão tem a sua igreja na Alma onde ele prega e escuta.
A sua igreja está com ele e está nele onde quer que ele vá, pois ele está sempre na sua igreja.
Esta igreja é o Templo do Cristo, onde o Espírito Santo prega a todos os seres e em tudo o que faz ouve o Sermão de Deus. 
O verdadeiro Cristão não pertence a nenhuma seita particular.
Mas ele pode participar de cerimônias de qualquer seita sem pertencer a nenhuma delas.
Ele possui uma ciência única que é a do Cristo interior, porque ele só tem um desejo no coração que é fazer o bem.
Olhe para as flores do campo.
Cada uma possui o seu atributo particular, no entanto elas não brigam e nada disputam.
Elas não disputam a posse do raio de sol ou da chuva; não brigam por causa de cores, perfumes e sabores.
Cada uma cresce de acordo com a própria natureza.
O mesmo ocorre com os filhos de Deus.
Cada um possui os próprios dons e atributos, mas todos surgem do mesmo Espírito.
Eles apreciam os dons e louvam a sabedoria.
O que vem Daquele Ser de quem tiveram a sua origem.
Por que eles iriam disputar as qualidades Dele, cujos atributos estão manifestados neles mesmos?
Todos nós temos uma única ordem à qual pertencemos.
A única regra dessa ordem é realizar a Vontade de Deus.
O que é ficar quieto e servir como o instrumento através de que Deus possa realizar a Sua Vontade.
O que Deus semeia e manifesta nós devolvemos à Ele com os próprios frutos.
O reino do Céu não está baseado nas opiniões e crenças autorizadas, mas enraíza-se no próprio Poder Divino.
O nosso objetivo maior deve ser possuir o Poder Divino dentro de nós.
Porque se o possuímos a busca científica será uma mera brincadeira das faculdades intelectuais com que nos distraímos.
Pois a verdadeira ciência é a Revelação da Sabedoria de Deus na própria mente humana.
Deus manifesta a Sabedoria através dos Seus filhos.
Assim como a terra manifesta os seus poderes através da produção de flores e frutos.
Portanto, que cada um fique contente com o próprio dom e aprecie os dons dos outros.
Por que tudo precisa ser semelhante?
Quem condenaria os pássaros da floresta por não cantarem no mesmo tom?
Cada um louva o Criador ao seu próprio modo.
No entanto, o Poder que os permite cantar emana de uma mesma e única Fonte“.

Fonte: "Caminho Para Cristo", de Jacob Boehme.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

A necessidade do visível e quanto ao profeta ? - O Homem Sentado No Banco Da Igreja

 Na continuidade da crônica escrita na cama, agora escrevo depois do xixi da manhã, depois de escovar os dentes, tomar banho, vestir a roupa e já chamar o aplicativo que me levará até a upa para então pegar a van da saúde a caminho do hospital de clínicas para mais uma consulta, maio e junho são meses que tenho medo pois muitos anos sempre acabo internado nestes meses... enquanto espero escrevo... questionando por que temos esta necessidade de idolatrar alguma coisa ou alguém...e sempre de fora, pois como se diz: santo de casa não faz milagres..



A necessidade do visível

O ser humano, desde o Éden, parece ter dificuldade em lidar com o invisível.
Foi assim com o povo de Israel. Moisés some por 40 dias no monte, e eles dizem:
— “Esse Moisés... não sabemos o que lhe aconteceu. Façamos deuses que nos conduzam.”

Eles não negam Deus diretamente. Mas trocam o invisível pelo acessível.
É mais fácil adorar algo que se vê, se toca, se compartilha em rede social.

Hoje, os bezerros são outros:

  • Uma doutrina com logo e slogan.

  • Um líder carismático com Instagram ativo.

  • Uma igreja com estrutura, show de luzes e culto em alta definição.

O invisível ainda incomoda.
Crer sem ver é bonito no sermão. Mas no dia a dia, a carne pede prova.
Quer milagre com certificado.
Benção com rastreio.
Profecia no boleto.



E quanto ao profeta em sua própria casa?

Esse é um drama milenar. Jesus mesmo disse:

“Nenhum profeta é bem-vindo em sua própria pátria.”

Por quê?

Porque quem te viu crescer, não aceita que você tenha algo a dizer.
O povo quer profeta vindo do deserto, com aparência exótica e aura de mistério.
Mas aquele que conhece tua infância, tuas falhas, tuas quedas…
Esse tem dificuldade de crer que a graça te visitou.

É a maldição da familiaridade.

No fundo, quanto mais próximo você está, menos “místico” você parece.
— “Esse não é o filho de Maria?”
— “Mas ele estudou comigo!”
— “Eu lembro das cagadas dele no passado…”

O povo quer bezerros de ouro, profetas de longe e espiritualidade de vitrine.
Mas Deus continua soprando no silêncio, visitando os escondidos, erguendo quem já foi desacreditado.

A fé, quando exige o físico, revela a insegurança.
E a recusa do profeta revela o orgulho.




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As Tábuas Quebradas – Quando a Ira Rasga o Sagrado! - da serie O Homem Sentado No Banco Da Igreja

 Hoje sentei no banco da igreja mais cedo, mas minha alma ficou de pé. Inquieta. Observadora. Sabe quando você escuta o eco de uma indignação antiga dentro do peito? Foi assim. E logo veio Moisés na lembrança… descendo do monte com o rosto brilhando e o coração quebrando. Vamos juntos com estas tábuas?




As Tábuas Quebradas – Quando a Ira Rasga o Sagrado

O homem no banco da igreja já segurou muita coisa nas mãos.
O volante da própria vida.
A Bíblia marcada.
A mão do filho dormindo.
O boletim do exame médico.
Mas hoje ele segura apenas uma imagem: Moisés.
Com as tábuas da lei nas mãos.
E a alma em ebulição.

Era pra ser um momento glorioso.
O topo da montanha.
O encontro com o divino.
A conversa face a face.
O brilho no rosto.
Mas o povo lá embaixo… tinha pressa. Tinha fome de ídolos visíveis.

E o povo hoje também está com esta avidez, tamanha que muda de ídolos de segundo a segundo no rolar dos dedos na tela do smartfone, cultuam imagens promíscuas com palavras sujas e cheias de luxúria e devassidão. Mulheres ouvindo a letras que as rebaixam a cachorras e não tão distante das que se vendem na rua se vedem em poses fotográficas, roupas de academia, usando peças tão curtas que nada mais é surpresa...

Enquanto Deus esculpia leis no alto, o povo esculpia bezerros no vale.
Enquanto o sagrado era revelado, o superficial era aplaudido.
E Moisés quebra as tábuas.

Não porque desprezava a lei.
Mas porque viu que não havia mais onde pousar a santidade.

Quantas vezes o homem no banco da igreja já quebrou algo sagrado por não ser acolhido pelo profano ao redor?
Quantas vezes a raiva, a frustração, a impotência — sim, até o zelo — nos fazem lançar no chão aquilo que foi escrito com o dedo de Deus?

Mas talvez o gesto de Moisés não seja apenas fúria.
Talvez seja também espelho.
Porque ele — como nós — se cansou de subir ao monte e encontrar o vale do comodismo na volta.
Deus dá tábuas. O povo pede selfies com bezerros.

E ainda assim… Deus manda fazer de novo.
Novas tábuas.
Nova oportunidade.
Moisés sobe de novo.
Porque o amor que constrói é maior do que a ira que destrói.

Aquela voz surge de sob seus tornados de pensamentos e sussurra algo...

O homem no banco da igreja então respira fundo.
Ele também já quebrou promessas, vínculos, fé.
Mas sente que talvez Deus, mais uma vez, esteja dizendo:
— Sobe de novo. Vamos recomeçar.





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Vozes no Silêncio - da Serie O Homem Sentado No Banco Da Igreja

 Hoje a crônica me veio quase adormecendo… Aqueles minutos em que o corpo quer dormir, mas a alma resolve pensar alto. No escuro do quarto, a mente acende ideias como quem acende velas no altar do pensamento. E uma pergunta me visitou: quando foi que deixamos de ouvir Deus no silêncio?





 Vozes no Silêncio

O homem no banco da igreja sempre achou que a presença de Deus viria como um trovão.
Ou um terremoto.
Ou fogo.
Porque é assim que os supercrentes gostam de contar:
— Foi poderoso! Tremeu tudo! A glória caiu!

Mas então ele ouve a história de Elias.
O profeta, o destemido, o ousado...
Agora escondido.
Dentro de uma caverna.
Com medo.
Com raiva.
Com um cansaço que nem oração resolve.

— O que você está fazendo aqui, Elias?

Essa pergunta de Deus atravessa o tempo e encosta no homem moderno.
No homem sentado na igreja, mas ausente por dentro.
No que cumpre todos os rituais, mas esqueceu de escutar.

E então... o espetáculo começa:
Vento forte.
Terremoto.
Fogo.

Mas Deus?
Deus não estava em nenhum deles.

Só depois veio uma brisa suave, que a Bíblia chama de “um sussurro”.
E foi ali — ali! — que Elias sentiu a presença divina.
Não no barulho. Mas no intervalo entre os barulhos.

Talvez seja por isso que o barulho assusta tanto hoje.
Porque ele nos impede de encarar o eco da alma.
Aquele que diz:
— Você está no caminho certo?
— Está fugindo de quê?
— Quem é você sem a multidão?

O homem no banco da igreja abaixa a cabeça.
Não por vergonha, mas por vontade de ouvir melhor.
Afinal, se Deus ainda fala, talvez Ele prefira os que fazem silêncio antes de responder.

E o mundo?
Segue gritando.
Mas ele — pela primeira vez em muito tempo — ouve algo diferente:
a voz que não impõe, mas convida.
Que não acusa, mas desperta.






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O Discípulo ou o Doutrinado? - da Serie O Homem Sentado No Banco Da Igreja

 


O Discípulo ou o Doutrinado?

Sentado no banco da igreja, ele ouve mais uma vez:
“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”
Mas hoje, a frase não sai da boca do pastor, nem do super-herói. Vem da sua própria consciência — atravessada por um incômodo:
"Tenho mesmo escolhido crer… ou só repito o que me ensinaram a vida inteira?"

Há um tipo de fé que nos alimenta. E há outro que apenas nos domestica.
E a linha entre uma e outra é tão fina quanto a lâmina da dúvida que ele sente cortar sua alma agora.

Desde criança aprendeu a dizer “amém” antes mesmo de saber o que estava sendo afirmado. Fez jejum porque disseram que traz bênção. Leu a Bíblia inteira em um ano, mas sem lembrar o que sentiu.
— Era zelo ou era medo?
— Era amor ou era adestramento?

No filme Herege, um homem ferido pela religião desafia duas jovens missionárias a confrontarem o que realmente acreditam. O que começa como uma conversa torna-se um espelho, e ali — no desconforto — ele viu a si mesmo: não como quem questiona a fé dos outros, mas como quem nunca ousou questionar a própria.

Ele então se pergunta:
Sou discípulo… ou só decorador de versículos?
Sou servo… ou refém emocional de um sistema que diz que se eu errar, Deus vai me abandonar?

A fé manipulada é como uma cerca elétrica: mantém dentro pelo choque, não pela verdade.
Mas a fé genuína é como um caminho aberto: convida a caminhar, a cair, a levantar, a aprender.

Ele lembra que Jesus nunca manipulou.
Jesus propôs, inquietou, devolveu perguntas.
Nunca disse: “Obedeça sem pensar.”
Disse: “Siga-me.” E quem segue, decide.
Quem decide, assume.
E quem assume… não vive mais por eco, mas por experiência.

No filme, uma das missionárias clama a Deus com sinceridade no meio do caos — e é esse grito que transforma o herege.
Na vida real, talvez seja esse mesmo grito, silencioso ou aflito, que transforma a gente. Quando paramos de falar com Deus só com fórmulas prontas, e passamos a dizer:
“Não sei tudo, mas estou aqui.”
“Creio, mas ajuda a minha incredulidade.”

E então, sentado no banco da igreja, o homem sorri pela primeira vez em muito tempo.
Não porque tem todas as respostas…
Mas porque parou de ter medo das perguntas...


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Psicoterapeuta Abílio Machado

Psicólogo (CH) | Terapeuta Integrativo

Pós-graduado em Neuropsicopedagogia (ICH) | Avaliação Psicológica - CFS

Especialista no ensino de Artes, Filosofia e Teologia

Pós-graduando em Psicanálise, Psicoterapia e Psicopatologia do Adolescente

Olhar sensível e integrativo, atuo no acolhimento de histórias complexas e na escuta profunda das dores humanas, promovendo espaços de reconstrução emocional e autoconhecimento. Meu trabalho transita entre a ciência, a espiritualidade e a arte — sempre guiado pelo respeito à singularidade de cada indivíduo