đ A FĂ© no CartĂŁo de CrĂ©dito — MicĂĄ e a ReligiĂŁo de Contrato
Sentado no hall de entrada da igreja, o homem observa em silĂȘncio.
A recepcionista sorri com entusiasmo calculado. O dĂzimo jĂĄ foi recolhido, os panfletos da prĂłxima conferĂȘncia “VIP” estĂŁo sendo distribuĂdos com design de luxo. HĂĄ uma fila — nĂŁo para orar, mas para garantir acesso antecipado aos assentos da frente.
Ao lado, um cartaz: "Ofertas especiais para lĂderes e patrocinadores Platinum."
O homem aperta os olhos, como se tentasse ver alĂ©m do letreiro. E ali, entre um cafezinho gospel gourmet e uma sessĂŁo de fotos com o “apĂłstolo visitante”, uma histĂłria antiga lhe vem Ă mente — um tempo em que a fĂ© tambĂ©m podia ser alugada.
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đ O caso MicĂĄ: do altar caseiro Ă religiĂŁo sob demanda
No tempo dos juĂzes, quando cada um fazia o que bem entendia, vivia MicĂĄ, um homem de Efraim. Ele roubou a prĂłpria mĂŁe — mas, arrependido, devolveu o valor. Ela, por sua vez, mandou fazer uma imagem de escultura com aquele dinheiro. Um “presente” a Deus.
MicĂĄ construiu um santuĂĄrio particular. Nomeou seu prĂłprio filho como sacerdote. E entĂŁo, num golpe de sorte, encontrou um levita vagando.
— Fica aqui — disse. — Te pago roupa, comida e prata. Seja meu sacerdote.
O levita aceitou.
Micå sorriu. Agora, além de um deus personalizado, tinha também um sacerdote com pedigree.
Tudo parecia perfeito… atĂ© que os danitas passaram por ali.
Ofereceram ao levita mais prestĂgio, mais visibilidade, mais influĂȘncia.
E ele trocou de patrĂŁo.
Levou os objetos sagrados. Levou a bĂȘnção.
Levou a fé de aluguel.
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đ ReflexĂŁo: o evangelho de MicĂĄ continua vivo
Ainda hoje, hĂĄ muitos MicĂĄs. Gente que nĂŁo quer fĂ© — quer controle.
Quer um Deus sob medida, moldado à prata de suas intençÔes.
Quer sacerdotes que nĂŁo confrontem — que se acomodem ao preço justo.
Gente que troca presença divina por performance religiosa.
E levitas que se vendem ao melhor discurso, Ă maior plataforma, Ă promessa de um pĂșlpito iluminado.
O homem sentado no banco da igreja vĂȘ tudo isso com olhos cansados.
NĂŁo julga. Mas anota em silĂȘncio, no caderno invisĂvel da alma:
"NĂŁo quero um Deus que eu possa carregar no bolso.
Quero um Deus que me carregue quando eu desmoronar."
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đ No fim, todo altar sem verdade desaba.
Pode ter palco, luzes, seguidores e dinheiro…
Mas se Deus nĂŁo habita, Ă© sĂł performance.
E performance sem unção é só teatro de domingo.
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