sábado, 21 de fevereiro de 2026

“Quando o Corpo se Revela”

 


“Quando o Corpo se Revela”

Há mudanças que não aparecem nas fotografias,

mas transformam a forma como habitamos a própria pele.

Algumas intervenções médicas são discretas aos olhos do mundo.

Ninguém percebe na rua.

Ninguém comenta à mesa.

Mas quem atravessa sabe: algo foi alterado.

Não é apenas visual.

É sensorial.

A pele que antes vivia protegida passa a conhecer o contato direto.

O tecido — mesmo macio — deixa de ser neutro.

Cada passo lembra.

Cada movimento informa: há novidade aqui.

E o corpo, sábio e lento, começa a reaprender.

Mas o que quase ninguém diz é que não é só o corpo que aprende.

O homem também aprende.

Porque certas partes do corpo masculino não são apenas anatômicas.

São simbólicas.

Carregam silêncio, imaginário, história, virilidade, identidade.

Quando algo ali muda, ainda que por cuidado e saúde, o que se altera não é apenas a forma — é o mapa interno.

Há um estranhamento sutil.

Uma sensação de exposição.

Uma intimidade inesperada consigo mesmo.

Como se o próprio corpo dissesse:

“Agora você vai me sentir de outro modo.”

E sentir, no início, pode ser desconfortável.

O excesso de sensibilidade não é apenas nervoso — é existencial.

É o cérebro reorganizando o território.

É a psique ajustando a imagem de si.

A maturidade ensina algo que a juventude desconhece:

o corpo não é cenário fixo.

Ele é processo.

Na infância, não escolhemos o corpo.

Na juventude, exibimos o corpo.

Na maturidade, reconciliamo-nos com ele.

Há uma diferença entre perder e transformar.

Perda fere identidade.

Transformação amplia consciência.

Quando o corpo muda, somos convidados a nos encontrar de novo.

Talvez essa seja a verdadeira intimidade:

não aquela que depende do olhar do outro,

mas aquela que nasce quando habitamos a própria vulnerabilidade.

Antes havia cobertura.

Agora há contato.

E contato é exposição.

Mas também é presença.

O homem maduro descobre que masculinidade não está na imutabilidade do corpo,

mas na capacidade de integrar suas mudanças.

O tecido roça.

A sensibilidade responde.

O tempo adapta.

E, aos poucos, aquilo que era estranho se torna incorporado.

O corpo não diminuiu.

A consciência aumentou.

E talvez a maturidade seja exatamente isso:

Aprender a morar, de novo,

na própria pele.

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