quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Sobre as espadas enterradas e a fé.

 Enquanto outros levantavam espadas, eles enterraram-nas. Não foi fraqueza, foi convicção. O povo de Amon decidiu que a sua fé valia mais do que o seu orgulho e que a paz era mais poderosa do que a vingança. Eles enterraram suas armas como símbolo de um coração verdadeiramente transformado, mesmo sabendo que essa decisão poderia custar suas vidas. Isso é integridade: manter o compromisso com Deus mesmo quando o mundo faz o contrário. Hoje talvez suas armas não sejam de ferro, mas rancor, orgulho ou palavras que ferem; a verdadeira coragem nem sempre consiste em lutar, às vezes consiste em decidir não fazê-lo.



Agora vou interpretar o texto sobre meu entendimento: Enterrar as armas não é, hoje, falar de pistolas, facas ou facões.

É falar das verdadeiras armas que estão nos destruindo por dentro: o orgulho, a inveja, o ódio, o rancor, a altivez, a arrogância.

Essas são as lâminas invisíveis que ferem relações, rompem famílias, dividem comunidades e adoecem a alma. São armas silenciosas, mas profundamente letais, porque operam no território do coração.

Sob uma perspectiva psicoteológica, podemos compreender que essas “armas” não são apenas pecados morais, mas mecanismos defensivos do ego ferido. O orgulho muitas vezes mascara insegurança. A inveja revela comparações internas não resolvidas. O ódio e o rancor denunciam dores não elaboradas. A arrogância pode ser apenas uma armadura para proteger fragilidades antigas.

A tradição cristã fala sobre “despojar-se do velho homem” — expressão presente nas cartas de Paulo de Tarso — como um movimento de transformação interior. Psicologicamente, isso significa reconhecer nossas sombras, integrar aquilo que negamos e permitir que a graça reorganize o que estava fragmentado.

Viver uma nova vida em Jesus Cristo não é apenas aderir a uma crença, mas permitir uma reconfiguração do ser:

– trocar a reatividade pela consciência;

– substituir a competição pela compaixão;

– transformar a rigidez em humildade;

– converter o ressentimento em elaboração e perdão.

Enterrar as armas é um ato espiritual e também terapêutico. É um luto do velho padrão. É admitir: “essas defesas já não me servem”.

Na psicoteologia, a graça não anula o processo psíquico — ela o atravessa. A fé não elimina o conflito interno, mas oferece sentido à travessia. O Cristo não apenas salva a alma; Ele reorganiza o coração, cura narrativas e restaura a identidade.

Enterrar as armas é escolher amadurecer.

É permitir que o amor desarme o ego.

É deixar que a luz alcance aquilo que estava escondido.

E assim, não apenas falamos de uma nova vida — nós a experimentamos.

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