terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Sem lugar para repousar - O Homem Sentado no Banco da Igreja


Sem lugar para repousar - O sem lugar!

Eu tenho ido à igreja para pensar e comungar, ultimamente, no início tentei fazer mais, porém me parecia ser boicotado de alguma forma.

 Então repito isso para mim mesmo,

: vou para comungar e pensar, como quem precisa lembrar o motivo de ainda estar ali.

Não vou para obedecer sem perguntas.

Não vou para me esconder no coro das certezas.

Vou porque ainda acredito que a fé possa ser um espaço onde a consciência não precise ser amputada.

Mas, sentado no banco da igreja, comecei a perceber algo incômodo:

eu já não tenho lugar ali?!

Eu estava ali fisicamente, mas minha palavra precisava sempre pedir permissão para existir, precisa de certa licença.

Se faz uma oração - olha nos fazemos oração assim. - mesmo que a oração seja postada.

O que eu escutava passava por mim com filtros.

O que eu pensava não encontra espaço para pousar. São detalhes, pequenos sinais, são incoerências fisgadas.

E, quando ouso nomear o incômodo, vem o silêncio — ou algo pior: a contenção disfarçada de cuidado.

Último domingo do ano, e ouvi histórias simples sendo transformadas em doutrina apressada.

Crianças que oraram para uma televisão ligar — e ligou. Imaginei Deus de chave de fenda, ferro de solda e teste de energia em mãos.

Sorri com a palestrante e estranhei o sorriso da assistência, dei no momento crédito porque a fé infantil é confiança pura.

Mas me calei quando percebi que o mistério estava sendo reduzido a mecanismo.

Deus não virou eletrotécnico naquele dia.

Nós é que O tornamos pequeno demais para caber numa explicação rápida.

Agora penso riram pela ideia do revezamento nas orações para ver que Deus atenderia.

Depois ouvi que, às vezes, um pequeno engano pode servir para levar alguém à igreja. Não um engano casual, um premeditado, pensado e avaliado como sendo fonte de inspiração do espírito...

Que ao dizer a uma colega que a acompanhasse em buscar um utensílio, quando na verdade a levaria a uma Noite Familiar, isso em seu pensamento  goi aceitável — afinal, a intenção fôra boa.

Ali algo em mim se retraiu... AO ver algumas faces em aprovação, como a dizerem a si mesmos: por quê não pensei nisso antes ? Uhm, posso fazer algo assim.

Desde quando a Verdade precisa ser apresentada por armadilha? Me pergunto.

Desde quando Deus se satisfaz com atalhos que violam a liberdade do outro?

Não falei. Porém tive vontade de levantar a mão e dar um "perai amiga'.

Aprendi que, em certos ambientes, pensar demais é visto como obstáculo à obra, então engoli em seco sem saliva.

Então veio o discurso sobre o homem falho.

Falho na igreja.

Falho no mundo.

Falho diante de Deus.

Concordei.

Sou falho.

Mas percebi que a falha estava sendo usada como anestesia moral.

Como se reconhecer o erro bastasse para continuar tudo igual.

Como se fosse possível ser um homem no templo e outro completamente diferente quando se sai dele.

Foi aí que me dei conta:

não é o homem falho que me inquieta.

É o homem dividido.

E eu não quero ser dois.

Essa sensação não ficou restrita à igreja.

Ela me acompanha em casa, à mesa, no espaço que deveria ser abrigo.

Estava com minha ex-esposa, meu filho trans e minhas filhas.

Em um momento de conversa, tentei pensar em voz alta.

Falei, talvez de forma imperfeita, sobre identidade, sobre orientação, sobre algo que eu ainda tento compreender por inteiro.

Antes que a conversa pudesse existir, fui interrompido.

Minha ex, acariciando meu filho, disse:

“Não explique, ele não entenderia.”

Ali, não fui apenas corrigido.

Fui retirado da cena.

Toda a minha formação, minha escuta, meu cuidado, meu esforço sincero de compreender foram reduzidos a um papel estreito:

o pai que não alcança.

O homem que não entende.

O ex. O expatriado.

O que precisa ser silenciado para proteger o outro.

Conheço bem esse gesto.

Já o vi muitas vezes.

Sempre que minha palavra se torna complexa demais, o ambiente se organiza para contê-la.

Na família.

Na igreja.

Na faculdade com professoras militantes, bem como no técnico em arte dramática.

Nos grupos de whatsapp que dependendo da postagem ou resposta você pertence a um lado da polarização política.

E na vida social.

E, repetidas vezes, fiz o mesmo movimento:

afastei-me.

Não por orgulho.

Não por frieza.

Mas porque ficar exigia que eu me diminuísse.

A gente se afasta quando falar dói mais do que calar.

Quando estar presente significa desaparecer por dentro.

Quando não há lugar para repousar sem abrir mão de si.

Foi assim que comecei a me reconhecer como o sem lugar.

Não expulso.

Não rejeitado abertamente.

Mas também não acolhido por inteiro.

O que pensa demais.

O que escuta demais.

O que percebe o tom de voz, o gesto, a postura corporal, o que não foi dito.

O que não consegue desligar o olhar clínico, humano, espiritual.

Perguntei a mim mesmo muitas vezes:

será este o meu problema?

Hoje entendo que não.

Meu problema não é ver demais.

É viver em lugares que suportam pouco.

E isso cansa.

Cansa ter que escolher entre falar e pertencer.

Entre ser inteiro e ser aceito.

Entre pensar e descansar.

Tenho me perguntado, com honestidade:

terei eu um lugar para repousar?

Não um lugar onde todos concordem comigo.

Mas um lugar onde minha palavra não precise pedir licença.

Onde a dúvida não seja ameaça.

Onde a fé não exija silêncio da consciência.

Talvez eu ainda não tenha chegado a esse lugar.

Mas sei onde ele não está.

Ele não está onde pensar é visto como perigo.

Onde amar exige amputação.

Onde a verdade precisa ser disfarçada para entrar.

Onde a falha vira desculpa para não mudar.

Por enquanto, sigo assim:

indo à igreja para pensar e comungar.

Amando minha filhas, mesmo quando não posso explicar que meu olhar do mundo é daquele que já viveu o regime militar, nasci lá no seu princípio e os sinais de hoje são os mesmos, só que pior, muito pior.

Vou continuar habitando o mundo com atenção, ainda que deslocado.

Talvez o “sem lugar” não seja meu destino.

Talvez seja apenas o nome desta travessia.

E enquanto o repouso não chega por inteiro,

escrever, pensar e falar com honestidade

já são, para mim, uma forma de descanso.

Não desejo ser uma redução em rede social,

ou me dividir para caber. 

Minha vida pede continuidade.

Continuidade de mim mesmo para me manter em sobrevivência.

Até achar um lugar onde minha Alma cansada possa descansar...


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Quanto a verdade foi apresentada pelo engano! - O Homem Sentado no Banco da Igreja

 O homem sentado no banco da igreja 

Quando a verdade foi apresentada pelo engano!

Sentado no banco da igreja, o homem ouviu a história com atenção cuidadosa, era a segunda parte que começou com o Deus eletrotécnico.

Não era um grande escândalo, nem um pecado vistoso.

Era algo pequeno. Justamente por isso, perigoso.

A moça contou, com certa leveza, que enganou uma conhecida sua certa feita.

Disse que iriam buscar um utensílio qualquer, balde ou algo parecido.

Mas o destino era outro:

uma Noite Familiar, um rito da igreja, uma tentativa de aproximação com a fé. Uma maneira de apresentar a igreja e sua fé para sua conhecida de escola.

A igreja reagiu com compreensões silenciosas.

Alguns sorrisos cúmplices.

Afinal, a intenção era boa.

Será ?!

O homem no banco da igreja não julgou a moça.

Conhecia esse impulso.

A ânsia de cumprir uma promessa maior, de apresentar a Igreja de Jesus ao outro, de “fazer o bem” mesmo que por atalhos.

De poder se fazer valer na comunidade dogmática.

O incômodo não estava na vontade de evangelizar.

Estava no meio escolhido.

Ele pensou:

se a Verdade precisa ser disfarçada para ser aceita,

o que estamos realmente oferecendo ao outro?

Do ponto de vista psicológico, o gesto era compreensível.

O medo da recusa.

A dificuldade de lidar com o “não”.

Alho bem pessoal, talvez algo que ainda carregue, não gosta de ouvir não, gosta de ser o centro mesmo fazendo o jogo de : vou discursar reger orar no fim bater a foto final e distribuir nas redes sociais e bem provável fazer o primeiro comentário ou dar o primeiro coração de curtida.

A fantasia de que, se a pessoa estiver lá, o Espírito Santo fará o resto, na minha pequenez acredito que nem o Espírito Santo chegou a entrar...

A fé construída sem consentimento começa frágil.

Porque antes de ser espiritual, ela precisa ser relacional.

Me entenda, relação, participação, troca de energia, tenho de estar bem com o conjunto da obra. 

Do ponto de vista teológico, a questão se aprofundava.

Deus se contenta com o engano quando o objetivo é sagrado?

A promessa de apresentar Sua igreja ao povo autoriza a suspensão da verdade?

O homem lembrou-se de algo simples:

Jesus nunca chamou ninguém por armadilhas.

Chamou por convite.

“Vem e vê.”

Nunca: “vem sem saber”.

A Palavra que liberta não sequestra.

Ela espera.

Ela respeita o tempo do outro, mesmo quando isso frustra nossas expectativas missionárias. De apresentar números, de ser mencionado como quem mais batizou porém fica a pergunta destes quantos permanecem ?

O engano pode até levar alguém até a porta da igreja,

mas dificilmente leva até o coração da fé.

E havia no diarcurso ainda outro risco, mais silencioso.

Quando normalizamos pequenas mentiras “em nome de Deus”,

ensinamos algo sem perceber:

que a verdade é negociável quando o objetivo parece nobre.

O homem pensou no efeito disso dentro da alma.

Uma fé que começa torta pode até andar,

mas sempre mancando.

Quando a história terminou, ele permaneceu sentado.

Não para condenar a moça.

Mas para guardar a pergunta que ninguém fez em voz alta:

Se Deus é Verdade,

Ele realmente precisa que a escondamos para apresentá-Lo?

O culto seguiu.

O banco permaneceu o mesmo.

E o homem ficou, ali, para o próximo orador, com a sensação incômoda — e necessária —

de que nem todo “bom propósito” santifica o gesto que o carrega.

E para você: 

_O fim justifica os meios ?

_Sua fé é negociável ? 


Minha música: Farol da promessas...



#OHomemNoBancoDaIgreja #VerdadeECaminho #Psicoteologia #DiscernimentoEspiritual #FéComConsentimento #CrônicaEspiritual #ÉticaDaFé

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O HOMEM QUE SE PARTE AO SAIR - O Homem Sentado no Banco da Igreja

 O homem no banco da igreja



 O homem que se parte ao sair...

Sentado no banco da igreja, o homem ouviu falar do ser humano falho, do homem falho.

Nada de novo.

Ele mesmo carregava suas falhas no bolso da alma, algumas antigas, outras recém-adquiridas.

O discurso dizia que o homem erra porque é humano.

Que falha porque ainda está em processo.

Até ali, ele concordava.

Mas algo começou a incomodá-lo quando a falha passou a soar como licença,

e não como convite à transformação.

Foi então que ele percebeu a divisão — não dita, mas ensinada, ali no púlpito.

Havia o homem da igreja

e havia o homem do lado de fora.

Dias vidas - duas caras.

O primeiro falava baixo, usava palavras corretas, pedia perdão com facilidade.

O segundo negociava valores, relativizava gestos, justificava durezas.

E ambos usavam o mesmo corpo.

O homem no banco da igreja pensou no cansaço que isso provoca, na dor das escolhas das máscaras a vestir.

Viver fragmentado exige esforço constante.

É preciso lembrar quem se é em cada lugar, ajustar o tom, mudar o vocabulário, recalcular a moral conforme o ambiente.

Na igreja sou assim, e fora sou o ambiente, acende-se a luz de alerta.

E ele se perguntou, em silêncio:

quando foi que a fé passou a permitir essa duplicidade?

Porque uma coisa é reconhecer a falha.

Outra, bem diferente, é organizar a vida em compartimentos, como se Deus habitasse apenas alguns deles.

O homem falho não o assustava.

O homem dividido, sim.

Do ponto de vista psicológico, ele sabia:

o sujeito que se separa em versões acaba adoecendo.

A alma não gosta de personagens.

Ela pede coerência, ainda que imperfeita.

Pensamentos - palavras - ações 

Os 3 componentes essenciais para dar coerência ao comportamento, a conduta social, moral e política, sem esquecer talvez a mais importante ao manifesto da fé: a espiritual.

Do ponto de vista espiritual, a divisão era ainda mais grave.

Se Deus é presença, onde Ele fica quando o homem sai da igreja?

Do lado de dentro, aguardando o próximo culto?

Ou acompanha o homem também nas escolhas difíceis, nas zonas cinzentas, nos lugares onde não há louvor?

Onde o palavreado é chulo.

O discurso terminou exaltando a misericórdia.

O homem agradeceu por isso.

Mas sentiu falta da responsabilidade.

Misericórdia não é anestesia moral.

É sustentação para mudar sem desespero.

Ao levantar-se do banco, ele percebeu que a pergunta não era sobre errar ou não errar.

Era outra, mais profunda:

Sou o mesmo homem quando oro

e quando decido?

Quando canto

e quando escolho?

Ele saiu da igreja sabendo que não precisava ser perfeito.

Mas também sabendo que não queria ser dois.

Preferia ser um só homem — falho, sim — mas inteiro.

Deus está nele em todos os ambientes, e é por isso que não pode ser dois, três ou mais. Tem de ser um só para demonstrar que ao cair nas águas todos os pactos, condutas, vícios, tudo...foram lavados e levados, o fazendo um novo homem!

Como diz na música : águas que transformam..." Eu fui lavado, eu fui restaurado  nome de Jesus - fui perdoado !


#OHomemNoBancoDaIgreja #HomemInteiro #FéESubjetividade #EspiritualidadeMadura #CrônicaEspiritual #Discernimento #PsicologiaEFé



Quando Deus Ligou a Televisão - O Homem Sentado no Banco da Igreja

 O homem sentado no banco da igreja

 "Quando Deus Ligou a Televisão"

Sentado no banco da igreja, o homem ouviu com atenção redobrada.

O tom do discurso mudou quando vieram as crianças na fala da palestrante.

Três.

Pequenas o suficiente para ainda acreditarem que o mundo responde rápido quando se fala com Deus.

Queriam assistir televisão.

A TV não ligava.

Então oraram.

E a televisão ligou.

A igreja reagiu com sorrisos leves, desses que aquecem por fora. Pela simplicidade do pedido talvez 

O homem também sorriu — não por concordar plenamente, mas por respeito à inocência.

Ele sabia: a fé das crianças não é cálculo, é confiança.

O incômodo não estava no fato.

Estava na leitura do fato.

Porque entre a oração e a televisão acesa existe um espaço delicado, quase invisível, onde mora o sentido que se ensina.

E foi ali que o homem sentiu o chão escorregar um pouco.

Deus não se revelou eletrotécnico às crianças.

Quem O vestiu com essa função fomos nós, os adultos, apressados em transformar mistério em prova, fé em evidência, coincidência em doutrina.

Para uma criança, tudo é sinal.

Para um adulto, tudo vira argumento.

O homem pensou que o perigo não é a criança acreditar que Deus ouviu sua oração.

O perigo é ela crescer achando que quando as coisas não ligam, Deus falhou.

Ou pior: que a oração serve para consertar objetos,

e não para sustentar pessoas quando nada funciona.

Ele lembrou que Deus não prometeu televisões ligadas,

mas presença quando a vida desliga.

O discurso seguiu, celebrando o episódio como lição.

O homem permaneceu em silêncio.

Porque sabia:

quando ensinamos que Deus responde ligando aparelhos,

corremos o risco de não saber onde Ele está

quando o corpo adoece, o filho parte, a fé oscila

e nenhuma tela acende.

Ao final, o homem levantou-se mais o corpo no banco, teve vontade de sair, mas cria que ouviria mais coisas, resolveu anotar para não deixar escapulir este momento de análise psicoteologica.

Não saiu escandalizado.

Ficou ali, atento.

Convencido de que a fé infantil deve ser acolhida,

mas a fé adulta precisa ser responsável.

Deus ouviu aquelas crianças?

Talvez.

Mas certamente não desceu do céu com uma chave de fenda.

E o homem, ainda no banco da igreja, fez sua própria oração silenciosa:

Que nunca falte às crianças um Deus que escuta.

E aos adultos, a coragem de não ensinar Deus pequeno demais...

Amém!

#OHomemNoBancoDaIgreja #FéInfantil #EspiritualidadeMadura #DeusNãoÉMecanismo #Discernimento #CrônicaEspiritual #SilêncioQueEnsina

O homem no banco da igreja enquanto ouvia demais...

 O homem no banco da igreja (enquanto ouvia demais)

Sentado no banco de madeira, o homem não fechou os olhos. Chegou um pouco atrasado, ainda pegou a sacramental, seus movimentos não são como antes, o peso, as dores, o cansaço...

Quando vai a reunião, vai para ouvir, pensar, comungar...

Preferiu manter os olhos abertos, não por distração, mas por vigilância interior.

Aprendeu cedo que, às vezes, é preciso olhar para ouvir melhor, também para ver se os movimentos coincidem com as palavras, se as pessoas soubessem o quanto se entregam ao ferir a própria verdade, o corpo entrega, ele fala e diz : uhmmm?!

O discurso avançava pelos bancos como quem anda certo demais do caminho.

Então ouviu:

“Deus é como um eletrotécnico…” com outras palavras, mas seu interior entendeu assim..

E algo dentro dele fez curto-circuito.

Não por desprezo à linguagem simples — ele sabia que a fé também nasce na infância —,

mas porque ali não havia simplicidade, havia redução.

Deus transformado em técnico de manutenção, a oração virando botão,

o milagre tratado como serviço sob demanda.

O homem pensou:

quando Deus vira função, a fé vira ferramenta.

Depois veio algo ainda mais inquietante:

a ideia de que um pequeno engano pode servir para espalhar a Palavra.

Ele endireitou as costas no banco.

Desde quando a Verdade precisa de truques?

Desde quando a mentira se torna santa só porque está bem-intencionada?

O homem conhecia esse raciocínio — ele mora em muitos lugares, não só na igreja.

É sempre o mesmo sussurro: “é errado, mas é para o bem”.

E ele sabia:

quando o meio adoece, o fim já nasceu contaminado.

O discurso seguia, agora falando do homem falho.

Falho na igreja. Falho na vida. Falho diante de Deus.

Até aí, nenhuma novidade.

A novidade estava no uso da falha como amortecedor moral.

Como se dizer “sou humano” fosse um salvo-conduto para não mudar nada.

O homem no banco da igreja pensou no perigo disso.

Pensou no homem que canta louvores no domingo

e negocia princípios na segunda.

No homem que ora com fervor

e justifica dureza, manipulação e engano dizendo:

“Deus conhece meu coração”.

E então a pergunta que ninguém fez ecoou dentro dele:

Há como sermos um homem dentro da igreja

e outro completamente diferente fora dela?

Ele sabia a resposta, embora doesse.

Isso não é fé — é fragmentação.

E viver partido por dentro cobra um preço alto demais.

Quando os discursos terminaram, houve silêncio. Para ambos.

Mas não dentro dele.

O homem permaneceu sentado, como quem entende que nem toda palavra dita do púlpito desce pronta para a alma.

Anotou os pontos que mexeu com ele no seu espaço no whatsapp.

Algumas precisam ser examinadas, outras devolvidas,

e algumas… simplesmente deixadas ali, no banco de madeira.

Ele levantou devagar.

Não perdeu a fé naquele dia, domingo dia 28.

Perdeu apenas a necessidade de engolir tudo sem mastigar.

E saiu sabendo que questionar, às vezes,

é a forma mais honesta de oração.

Obs.: Não vou a igreja por ir, vou para comungar e pensar.

Faço valer muito a música : O Último Banco 




#OHomemNoBancoDaIgreja #FéEPensamento #EspiritualidadeConsciente #Reflexão #SilêncioQueFala #CrônicaEspiritual #Discernimento #FéSemEngodo

domingo, 28 de dezembro de 2025

Agosto de 1888 Dom Pedro II


 O Imperador Dom Pedro II, acompanhado da Princesa Teresa da Baviera, de sua esposa Dona Teresa Cristina e dos alunos da Escola Militar, visita o quartel do 2º Regimento de Artilharia de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, durante as festividades de seu retorno ao Brasil em agosto de 1888. As fotografias são de Eduardo Bezerra, da Coleção Pedro Corrêa do Lago.


Ironicamente, aquele mesmo 2º Regimento de Artilharia — uma das unidades militares mais poderosas da Corte Imperial — seria protagonista ativo do Golpe Militar de 15 de Novembro de 1889, sob a liderança de Benjamin Constant e Deodoro da Fonseca. Como a Escola Superior de Guerra não possuía regime de internato, os alferes-alunos passaram a morar nos quartéis do 2º Regimento. Em pouco tempo, criaram laços intensos de camaradagem com os oficiais inferiores das unidades do bairro, grande parte deles também formados na Escola Militar. Todos estariam juntos na assinatura dos chamados “pactos de sangue” e no movimento insurrecional. Assim, em 1889, São Cristóvão transformou-se num verdadeiro reduto da “mocidade militar republicana”.


Após a Proclamação da República, escreveu o Visconde de Ouro Preto:

“Não julgava possível a República enquanto vivesse o Imperador, e daí a minha surpresa. Se de mim tivesse dependido a sua permanência como Chefe da Nação, afirmo-lhe que não teria sido deposto. A República teve contra si haver sido feita por um pronunciamento militar, representado pela quinta parte do Exército. A Nação foi estranha a esse acontecimento.”


A observação referia-se ao fato de que a maioria dos militares envolvidos no golpe de 15 de Novembro sequer sabia que o objetivo final era derrubar a Monarquia. Foram participantes involuntários do drama ocorrido no Campo de Santana — muitos deles arrependeram-se pouco depois do papel que desempenharam.


Leôncio Basbaum ressalta, com inteira razão, que a República foi feita por um Exército que não era republicano, acrescentando que “na verdade, o Império não foi derrubado — caiu”. De fato, os três batalhões que compunham a coluna revolucionária que marchou para o Quartel-General naquela manhã eram comandados por dois monarquistas, cujas motivações eram voltadas contra o Ministério Ouro Preto, não contra o Imperador.


Um dos batalhões era comandado pelo Tenente-Coronel Silva Teles, confessadamente monarquista e intimamente contrário à sublevação. Dizia seguir “coagido”, movido pelo “império das circunstâncias”, segundo o Tenente Sebastião Bandeira. Outro batalhão era chefiado pelo Major Lobo Botelho, ainda mais monarquista que Silva Teles. Ele ordenou que seu batalhão marchasse com uma bandeira imperial — mas, segundo Ernesto Sena, o sargento encarregado de carregá-la a jogou pela janela de uma casa, onde provavelmente permaneceu.


Mais tarde, para justificar a ausência de bandeiras entre as tropas sublevadas que chegaram ao Quartel-General, propagou-se a versão de que saíram dos quartéis já decididas a derrubar a Monarquia. Porém, o Major Botelho, embora adversário do Ministério Ouro Preto, opunha-se àquela quartelada. Quando percebeu que o movimento se tornava um golpe contra a Monarquia, simplesmente abandonou o batalhão em frente ao Quartel-General e voltou para casa.


Esses eram os comandantes da tropa que se sublevou. Descendo na hierarquia, encontravam-se outros tantos oficiais sem convicção republicana — muitos ali apenas arrastados pelas circunstâncias, como Silva Teles. Na verdade, a coluna revolucionária só tinha convicção republicana entre alguns poucos tenentes e cadetes, que, num golpe de ousadia, haviam inflamado o movimento, superando a indecisão e a fragilidade moral dos comandantes.


Dias depois do golpe republicano, um grupo de homens do 2º Regimento de Artilharia tentou organizar um novo levante — desta vez contra o Governo Provisório — pois sequer compreendiam que o movimento de 15 de Novembro tinha como objetivo depor a Monarquia.


Fonte: História da Queda do Império, de Heitor Lyra.

A história não contada de Mary!


 Aos dezesseis anos, Mary escondeu a irmã de apenas três meses debaixo do próprio casaco no Trem dos Órfãos com destino ao Kansas, em 15 de julho de 1902.


O orfanato havia sido claro: bebês e adolescentes não eram colocados juntos. As famílias queriam um ou outro. Mary deveria embarcar sozinha; a irmã seria enviada para outro destino. A separação era considerada normal.


Mary se recusou.


Ela tirou o bebê do berçário, envolveu-o com cuidado, escondeu-o sob o casaco e subiu no trem. Se fosse descoberta, as duas seriam devolvidas a Nova York. Mary respirou fundo e rezou.


Durante duas horas, o bebê não chorou. Mary segurava o casaco com força, sentindo o pequeno corpo quente contra o peito. Outras crianças notaram o volume sob o tecido. Entenderam imediatamente. Ninguém disse uma palavra. Órfãos protegiam uns aos outros.


Na primeira parada, famílias se reuniram para escolher crianças. Mary desceu do trem com o coração disparado, o casaco pesado apesar do calor de julho. Um casal de fazendeiros se aproximou. Procuravam uma menina forte para ajudar nos afazeres da casa. Mary concordou rápido demais.


A mulher estreitou os olhos e perguntou por que Mary usava um casaco tão grosso naquele calor. Mary disse que estava com frio. Depois disse que estava doente. Qualquer coisa, menos a verdade.


Um fotógrafo registrou o momento. Mary descendo do trem. O casaco inchado por um segredo. O medo estampado no rosto. Outras crianças observando em silêncio. A imagem congelou a crueldade de um sistema que separava famílias porque era mais conveniente assim.


Então o bebê chorou.


A mulher exigiu que Mary abrisse o casaco. Mary recuou em direção ao trem. Chamaram os responsáveis.


Antes que chegassem até ela, um fazendeiro mais velho deu um passo à frente. Um viúvo chamado Thomas, que observava tudo em silêncio.


— Eu fico com as duas — disse ele. — A menina e o bebê.


Mary caiu em lágrimas, perguntando se ele falava sério. Thomas assentiu. Contou que havia perdido a própria família para uma febre. Ele entendia.


Mary e a irmã viveram com Thomas por oito anos. Ele as tratou como filhas, nunca como mão de obra. Quando Mary completou vinte e quatro anos, ele lhe entregou a fazenda.


— Você é a filha que perdi — disse ele. — Esta é a sua casa.


Mary criou a irmã ali. Mandou-a para a escola. Viveu naquela terra por sessenta e três anos.


Quando Mary morreu, em 1973, aos oitenta e sete anos, a irmã colocou aquela fotografia no funeral e contou a história:


“Mary me escondeu sob o casaco e arriscou tudo para que ficássemos juntas. Thomas nos salvou ao escolher pessoas em vez de regras. Aquela foto mostra o momento em que poderíamos ter perdido tudo. Em vez disso, encontramos um pai, um lar e uma vida. Estou viva e inteira porque minha irmã se recusou a me deixar para trás.”

domingo, 14 de dezembro de 2025

*NÃO HÁ FÉRIAS NA ESCOLA DA VIDA*.

 


*NÃO HÁ FÉRIAS NA ESCOLA DA VIDA*.

Abilio Machado 


Na escola da vida, ninguém pergunta se você quer se matricular. Basta nascer e já está inscrito. O período letivo… ah, esse nunca acaba.

O curioso é que, nessa escola, somos alunos e ao mesmo tempo podemos ensinar também. Mas o grande mestre é o tempo — esse professor exigente, paciente e, às vezes, severo. Ele não dá aviso prévio de prova. Um dia você acorda e lá está: o teste na mesa! E se não estudou, não praticou, vai falhar. Mas quase sempre terá direito a uma nova chance. 

Algumas matérias são leves: amor, amizade, gratidão, alegria. Outras exigem mais esforço: paciência, tolerância, perdão, humildade... Tem também aquelas disciplinas que a gente preferia não cursar: dor, perda, solidão. Mas é com elas que o aprendizado se aprofunda. 

O diretor da escola — que muitos chamam de Deus — tem um jeito todo particular de preparar as lições. Às vezes, ensina pelo afeto; outras, pela dificuldade. 

E assim vamos acumulando notas, sem boletim impresso, mas com um registro implacável no coração.

Nos conflitos, aprendemos a valorizar a paz. Na escassez, descobrimos o que nos é suficiente. Ao ver injustiças de desigualdades, treinamos a solidariedade. E, no convívio diário, aprendemos a arte difícil de amar o próximo — lição que alguns repetem por anos e anos sem conseguir passar.

Não há férias nessa escola. O sinal não toca para encerrar o expediente. Cada dia é uma nova aula. E talvez o diploma final seja a serenidade de olhar para trás e dizer: " Errei, mas aprendi. Viverei aprendendo e melhorando até o último dia de aula.” 


*VIVA COM SABEDORIA E NÃO ESQUEÇA DE AJUDAR SEUS COLEGAS DESSA ESCOLA DA VIDA!*

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Pisei no Lagar


 DOUTRINA E CONVÊNIOS COMENTADO


Pisei no lagar


Em D&C 133:46-48 lemos: “E dir-se-á: Quem é este que vem de Deus, no céu, com vestes tingidas; sim, das regiões desconhecidas, vestido com seu traje glorioso, andando na grandiosidade de sua força? E ele dirá: Eu sou o que fala com retidão, que tem poder para salvar. E o Senhor estará vestido de vermelho e suas vestes serão como a do que pisa no lagar de vinho”. O profeta Isaías e o apóstolo João também descreveram o Salvador com a veste tingida de vermelho na Segunda Vinda. Na antiga Israel, após a colheita, as uvas eram colocadas em um tanque (lagar) e pisadas para extrair o suco que fermentava para produzir o vinho.


O lagar de vinho geralmente era escavado na rocha. Muitos tinham duas depressões, uma mais alta que a outra. As uvas eram colocadas na depressão mais alta e pisadas com os pés. O suco escorria para a depressão inferior. O fermento da casca das uvas começava a fermentar o suco, que borbulhava vigorosamente. Após alguns dias, o suco, agora convertido em vinho era retirado. O Élder Maxwell comentou: “Por ter sangrado por todos os poros no Getsêmani, imaginem o quão vermelhas [as] vestes [do Salvador] devem ter se tornado, o quão escarlate ficou sua capa! Não é de se admirar que, quando Cristo vier em poder e glória, Ele virá de maneira semelhante, com vestes vermelhas (ver D&C 133:48), significando não apenas o lagar da ira, mas também nos lembrando o quanto Ele sofreu por nós no Getsêmani e no Calvário!”¹


Em D&C 133:50-51 lemos: “E ouvir-se-á a sua voz: Eu sozinho pisei no lagar e sobre todos os povos trouxe julgamento; e ninguém estava comigo; E esmaguei-os no meu furor e pisei-os em minha ira e seu sangue salpiquei em minhas vestes e manchei toda a minha vestidura; pois esse era o dia da vingança que estava em meu coração”. A veste vermelha de Cristo também representa a destruição dos iníquos na ocasião da Segunda Vinda. Em Apocalipse 14:18-20, João registrou a seguinte visão: “E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: Lança a tua foice afiada, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras. E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e lançou-as no grande lagar da ira de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até os freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios”.


A veste vermelha de Cristo é um lembrete de Sua misericórdia e justiça. Ele “foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades” vertendo Seu sangue como o sumo das uvas ao ser prensado em um lagar (Isaías 5:5). A Expiação do Salvador pode livrar-nos do “largar do furor da ira do Deus Todo-Poderoso” (Apocalipse 19:15; D&C 88:106). Quando Cristo retornar, os ímpios serão pisados e todos verão “diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus, e o que não o serve” (Malaquias 3:18).


Nota:


1. Neal A. Maxwell, “Vencer… assim como Eu venci”, A Liahona, julho de 1987, p. 73.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

ORAÇÃO EM FORMA DE SUSPIRO

 


ORAÇÃO EM FORMA DE SUSPIRO

“Deus…
eu tô aqui meio torto, meio lento, quase caindo no sono.
Não vim com palavras bonitas, não vim com força —
vim só com o que sobrou de mim hoje.

Se o Senhor puder, encosta um pouco nesse meu cansaço,
senta ao meu lado como quem não exige nada,
como quem entende quando a alma está esfiapada.

Eu não quero prometer nada agora,
não tenho nem clareza pra isso.
Só queria que o Senhor respirasse comigo,
bem devagar, nesse ritmo de quem já não luta contra o sono.

Se eu dormir no meio da oração,
fica, por favor.
Porque talvez esse seja o jeito mais sincero
que eu tenho de estar Contigo agora.”

ORAÇÃO DO QUE AINDA PULSA

 


ORAÇÃO DO QUE AINDA PULSA

“Deus…
hoje eu chego meio quebrado.
Carrego dores que já não sei onde começaram,
frustrações que finjo ter superado,
anseios que latejam como se fossem perguntas antigas demais…
e, mesmo assim, não morrem.

Eu trago também minhas esperanças —
essas teimosas —
que insistem em nascer mesmo quando o chão é árido.
E trago meus amores,
uns que me levantaram,
outros que me derrubaram,
e aqueles que ainda me confundem
porque a gente nunca sabe direito onde termina o amor
e onde começa o apego.

Eu tô cansado, Deus.
Não de Ti.
Mas desse peso apaixonado de existir.
Desse corpo que dói antes mesmo de eu lembrar por quê.
Desse coração que quer seguir,
mas tropeça nos próprios medos.

Hoje não quero respostas.
Quero colo.
Quero que o Senhor me veja sem que eu precise explicar.
Quero que toque o que há de mais amassado em mim
e, se der, ajeite só um pouquinho —
não tudo, só o que eu não consigo ajeitar sozinho.

Recebe também o que ainda pulsa:
a vontade de continuar,
a esperança que insiste,
o amor que resta,
e esse pedido meio rouco, meio cansado,
mas verdadeiro:

Fica comigo enquanto eu tento descansar.
E, se eu adormecer,
que o Senhor termine a oração por mim.”

ORAÇÃO PARA ADORMECER NO COLO DE DEUS E ACORDAR COM VONTADE DE FELICIDADE

 


ORAÇÃO PARA ADORMECER NO COLO DE DEUS

E ACORDAR COM VONTADE DE FELICIDADE

“Senhor…
meus olhos estão molhados, cansados, querendo fechar.
Não luto contra isso.
Só peço que, enquanto adormeço,
o Senhor me segure pelas bordas da alma
e me embale nesse silêncio que cura.

Deita Tua mão sobre o meu peito,
acalma o que ainda corre dentro de mim,
desfaz o nó das preocupações
e sopra paz onde a noite deixou sombra.

Que eu adormeça em Ti,
sem medo, sem defesas, sem máscaras.
Que meu sono seja Teu colo.
Que meus sonhos sejam Tua respiração.

E quando a manhã chegar —
traz luz para onde a tristeza fez morada,
traz força para os músculos do espírito,
traz coragem para os passos.
Mas, acima de tudo,
traz disposição para viver a felicidade
que tantas vezes desejei
e tantas vezes adiei.

Acorda comigo, Deus.
Anda comigo nas primeiras horas.
Me ensina, devagar,
a receber o que sempre quis:
a alegria simples, possível, diária,
aquela que nasce quando a gente decide viver.

Eu te entrego minha noite,
e Te peço minha manhã de volta —
renovada, leve,
e cheia do brilho que perdi
mas que o Senhor nunca deixou de ver em mim.”


Abilio Machado

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Regras para viver no planeta Terra

 


Regras para viver no planeta Terra


1 Você receberá um corpo. Você poderá gostar dele ou não, mas ele será seu durante toda uma vida.


Você aprenderá lições.


2 Você estará matriculado em tempo integral numa escola informal chamada vida. A cada dia nessa escola, você terá a oportunidade de aprender lições, Você poderá gostar das lições ou achá-las irrelevantes.


Não existem erros, apenas lições.


3 Evolução é um processo de tentativas, com erros e acertos chamados experimentação. As "experiências" que falham são tão importantes para o processo quanto as experi-ências que dão certo.


4 Uma lição é repetida até ser aprendida. Uma lição será apresentada a você de várias formas até que você a tenha aprendido. Quan-do você aprendê-la poderá passar para a lição seguinte.


5 Aprender lições nunca termina. Não existe parte da vida que não contenha suas lições. Enquanto você estiver vivo, haverão lições para ser aprendidas.


6 "Lá" não é melhor do que "aqui". Quando o seu "lá" se tornar o seu "aqui", você simplesmente obterá outro "la" que nova-mente se parecerá melhor do que "aqui"..


7 Os outros são meros espelhos de você. Você não poderá gostar ou detestar algo sobre outra pessoa a menos que reflita algo que você goste ou deteste sobre si mesmo.


8 O que você fará de sua vida depende de você. Você tem todos os recursos e ferramentas que necessita. O que você faz com eles depende de você. A escolha é sua.


9 Suas respostas estão dentro de você. As respostas para as questões da vida estão dentro de você. Tudo que você precisa e olhar, ouvir e confiar.


10 Você esquecerá todas estas regras.

O DIREITO DE NÃO TER MEDO



O DIREITO DE NÃO TER MEDO


A vida em sociedade é organizada por normas — escritas ou não — impostas pelo Estado ou pelo costume popular. São normas coercitivas que viabilizam a convivência entre diferentes interesses sociais, delimitando a área de atuação de cada indivíduo. Em sentido amplo, chamamos de direito o conjunto dessas normas.


Como condição fundamental da existência humana, todos os povos, em todas as épocas, preocuparam-se em criar, modificar e normatizar comportamentos que, por sua relevância para determinada coletividade, deveriam ser observados por todos. O estabelecimento desses comportamentos é balizado por valores essenciais ao ser humano — liberdade, dignidade, segurança. O homem, pelo simples fato de existir, é sujeito de direitos que lhe são imanentes, inalienáveis e inatacáveis.


Deixando de lado a celeuma sobre a origem desses direitos — se seriam anteriores ou posteriores ao Estado; se, antes dele, haveria apenas direitos virtuais ou expectativas de direito — entendemos adequado situar o direito dentro de princípios protetores do ser humano. Uma síntese desses princípios aparece pela primeira vez com o movimento constitucionalista do final do século XVIII.


Em 1789, na França, surge a Declaração dos Direitos do Homem, cujo conteúdo foi posteriormente revisado e ampliado pela ONU, tornando-se o grande balizador e ideal dos povos democráticos: a Declaração Universal dos Direitos Humanos.


Seu artigo 1º afirma: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.” O direito, portanto, jamais pode ferir o princípio da liberdade humana. Vivemos organizadamente em sociedade para somar esforços e possibilitar a cada pessoa a busca do próprio bem-estar e a realização plena de sua personalidade.


Para isso, é imprescindível que cada indivíduo tenha liberdade para se conhecer e reconhecer seus objetivos. Essa liberdade, porém, deve ser exercida dentro da esfera de ação que lhe pertence — afinal, a liberdade de um termina onde começa a do outro.


Nesse ponto, entramos nos regimes políticos e sistemas econômicos e encontramos dois extremos: Capitalismo e Comunismo, que, como as pontas de uma ferradura, aproximam-se por obscurecer, de modo semelhante, a dimensão da liberdade — um pela força do Estado totalitário, outro pela ditadura do capital. A alternativa ainda está por ser construída, certamente em uma ordem espiritual que coloque matéria e espírito em suas verdadeiras proporções.


Tolher a liberdade de escolha é despersonalizar, robotizar e impedir o indivíduo de criar — é matá-lo subjetivamente. O homem livre, que se conhece livremente, faz ao outro aquilo que faria a si mesmo. Assim, atinge, nas interações humanas, o patamar da moralidade. Percebe o valor autêntico do ser humano, reconhece o respeito que merece, identifica sua dignidade.


Somos homens; portanto, devemos ter dignidade. Esse princípio é afrontado quando existe corrupção na administração pública; é vilipendiado quando rotulamos pessoas por seu aspecto físico; é negado quando nos é subtraída a possibilidade de educação, vestimenta ou alimentação. Um sistema jurídico que, por qualquer forma, indignifique o homem é imoral e não pode subsistir.


A corrupção e o descuido com a coisa pública são hoje fatores de indignificação extrema. Surge um novo perfil: o da periculosidade do homem público. Quando o servidor — empregado do povo — passa a gerir o patrimônio alheio como se fosse seu, não por zelo, mas por abuso, subverte-se o princípio da dignidade humana.


O sistema jurídico deve, antes de tudo, garantir às pessoas a possibilidade de transitar em sua esfera de ação sem medo. Viver sem ter medo é o direito maior.


Como realizar nossa personalidade se tememos o diálogo conosco, com nossos compatriotas, com nossos dirigentes? Viver sem medo é confiar no cumprimento do pacto social; é confiar que a lei — válida, eficaz e moral — é cumprida por todos. Mas como viver sem medo em uma época em que o “sempre foi assim” serve de justificativa para o descumprimento da lei?


É necessário que o Espiritismo lute pela preservação integral dos princípios ligados aos direitos humanos. A forma de Estado ou de governo jamais poderá se sobrepor aos princípios da liberdade e da dignidade humana.


Nós, cidadãos brasileiros, precisamos alimentar e realimentar a mentalidade do viver sem temer, a mentalidade que repudia e exceciona qualquer descumprimento da ordem jurídica legítima.


Se desejar, posso também criar uma versão resumida, uma versão para card, hashtags ou uma leitura mais psicoteológica do tema.



DEUS pelo Papai Noel Abilio Machado 🎅



 Deus

Pelo Papai Noel Abilio Machado 🎅 

Há um momento em que acontece uma descoberta íntima — um sentido que nasce de dentro e só nos pertence. Cada um o encontra de maneira singular; não se empresta, não se fabrica, não se coloca na prateleira de conceitos. É uma experiência tão próxima e tão aderente que resiste a qualquer tentativa de cópia.


Quando quiserem pensar em Deus, imaginem o oceano.


Podemos banhar-nos nele: molhar os pés, o rosto, o corpo inteiro. Podemos mergulhar, flutuar, nadar até cansar — e ainda assim jamais o aprisionaremos, jamais saberemos todos os seus contornos. O oceano nos envolve porque é vasto ao ponto de abrigar a própria evaporação.


Se pegarem um copo d’água e o observarem, verão nele um pedaço do mar. As mesmas substâncias que ondulam no alto-mar estão ali, reduzidas à medida do frágil recipiente. Mas imitar o oceano? Impossível.


O mistério é profundo e avassalador.


Passaríamos muitas vidas sem percorrer sua totalidade. Essa imensidão e essa intensidade coexistem: imensa como o horizonte, intensa como o sal que nos arde os olhos. E também se manifesta no pequeno — no copo que nos cabe na mão.


Somos, de certo modo, o copo; Deus é a água que nos preenche. Reflitam sobre isso: não se trata de reduzir o divino a explicações rasas, mas de reconhecer uma presença que nos atravessa e nos anima.


Relato do amigo Antônio Grimm:

Uma menina anuncia:


— Vou desenhar Deus.


O adulto responde:


— Ninguém sabe como Deus é.


Ela sorri e afirma:


— Saberão quando eu terminar.


Ao finalizar, o desenho mostra quatro ou cinco riscos e uma curva. O adulto exclama:


— Mas isso não é Deus.


E a criança, serena, responde:


— Para mim, é.


Vale a pena meditar nisso: sobre a profundidade daquele que nos criou; sobre uma relação viva, capaz de comover e revelar-nos como seres bioativos, antes de qualquer linguagem simplista.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

 🔔 O TROVÃO QUE VEM DO CÉU – MENSAGEM PROFÉTICA AOS FILHOS DE SIÃO 🕊️


 🔔 O TROVÃO QUE VEM DO CÉU – MENSAGEM PROFÉTICA AOS FILHOS DE SIÃO 🕊️

🔔 🕊️


Inspirado pelo Espírito de Cristo — o Espírito de Profecia


Irmãos e irmãs em Cristo, membros do GRUPO VEM E SEGUE ME,

ouçam o Trovão que vem do Céu e faz estremecer os alicerces da Terra!

É a voz daquele que reconhece as bem-aventuranças do povo fiel — os que perseveram na fé, nas boas obras e na proclamação da doutrina de Cristo, aperfeiçoando os santos e aplicando o poder redentor por meio dos santos serviços templários.


É tempo de seguir despertando com força e poder conectado aos céus!


A primeira vinda do Messias ainda não se encerrou — ela continua em curso! O Senhor está preparando Seus filhos, Seu povo amado, para a consumação da Aliança Eterna.


Jerusalém, a cidade escolhida pelo Pai Eterno, será o grande cenário da reunião das doze tribos de Israel, dispersas entre as nações, mas agora chamadas a regressar à Casa do Pai.


Efraim e Manassés, representantes da Casa de José, foram restaurados e colocados em seu direito perpétuo sobre as Américas — a terra do renovo espiritual e do cumprimento das promessas antigas.


Como declarou o profeta Zacarias, o Messias pisará o Monte das Oliveiras, e então um terremoto celestial abalará toda a criação! A Terra será renovada em sua essência, reunida novamente em uma só (como na antiga Pangeia) e transformada no cenário glorioso do Reino Eterno!


Este é o tempo das grandes mudanças — o tempo em que a Justiça Divina se levantará contra os inimigos do povo de Deus e trará redenção a toda a Casa de Israel.


Os Restauradores estão em movimento acelerado, especialmente pela tribo de Efraim e Manassés, a décima terceira tribo oculta, portadora do poder restaurador e guia da Casa de Israel, com autoridade e poder do Sacerdócio de Melquisedeque, cumprindo as promessas do Pai Eterno à semente justa de Abraão.


Efraim detém as chaves restauradoras e redentoras da Casa de Israel neste tempo final — os últimos dias da preparação para o Reino de Deus na Terra.


Não se enganem, amados:

A obra do Reino não está completa até que a primeira vinda do Messias alcance seu ápice, preparando-nos para a gloriosa Segunda Vinda de Cristo com todos os anjos do exército celestial!


O Messias visitará os judeus em particular na Santa Cidade de Jerusalém — e esse ato de redenção e misericórdia selará a conclusão da primeira vinda, restaurada e confirmada por meio do Profeta Israelita da tribo de Efraim, Joseph Smith Jr., herdeiro da primogenitura da Casa de Israel.


A Segunda Vinda de Cristo em glória não acontecerá antes que a primeira vinda se cumpra plenamente — reunindo toda a Casa de Israel dos quatro cantos do mundo.


Na grande Assembleia Solene, serão nomeados e designados os 144 mil sumos sacerdotes, sendo doze mil de cada tribo, incluindo Efraim e Manassés, para a consumação do plano divino e cumprimento das promessas do Altíssimo.


Este grandioso evento faz parte da conclusão da primeira vinda de Cristo, anunciada nas Escrituras Sagradas e confirmada em Doutrina e Convênios, Seção 45.


Preparem-se, povo que fizeram convênios esterno com Deus!


O Reino está se aproximando! A glória do Senhor será manifesta, e nós, que cremos, seremos testemunhas vivas dessa grandiosa obra redentora!


Que o Altíssimo fortaleça nossos corações,

que as visões espirituais da fé nos inspirem coragem,

e que juntos sigamos labutando nesta preparação santa para o encontro com o Santo dos Santos, o Rei dos Reis, o Cordeiro de Deus!


Assim seja, em nome do Deus de Israel —

Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor! Amém!


🫀🧠💪

Com fé e zelo,

Cláudio Braga Santos

Sumo Sacerdote da Ordem de Melquisedeque

– ADM GRUPO VEM E SEGUE-ME

📖 Pelo Estudo e Pela Fé


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Witold Pilecki. O homem que entrou no inferno por vontade própria —


 Em 1940, ele entrou em Auschwitz de propósito.

Durante 945 dias, construiu um exército de resistência dentro do inferno — e depois escapou para avisar o mundo.


A MISSÃO IMPOSSÍVEL


Em 19 de setembro de 1940, Witold Pilecki estava em uma rua de Varsóvia durante uma batida nazista, vendo soldados alemães empurrarem homens poloneses para caminhões.

Pilecki era membro da resistência polonesa. Tinha documentos falsos.

Poderia simplesmente ter virado as costas e ido embora.


Mas ele deu um passo à frente — e deixou-se capturar.

Sabia exatamente para onde seria levado: Auschwitz.

E esse era o plano.


Pilecki tinha 39 anos, era oficial de cavalaria, marido e pai de duas crianças.

Quando a Alemanha invadiu a Polônia em 1939, juntou-se imediatamente à resistência e fundou uma das primeiras unidades clandestinas em Varsóvia.


Por volta de 1940, rumores sombrios circulavam sobre um novo campo de concentração próximo à cidade de Oświęcim — os alemães chamavam-no de Auschwitz.

Prisioneiros desapareciam lá dentro. Nenhuma informação saía.


A resistência precisava saber o que acontecia ali: quantos estavam presos, quais eram as condições, se havia chance de organizar resistência.

Pilecki voluntariou-se para uma missão que beirava o suicídio — ser preso e enviado de propósito para Auschwitz.

Dentro do campo, ele recolheria informações, criaria uma rede de resistência e tentaria enviar relatórios ao mundo exterior.


Os superiores perguntaram se ele compreendia o que estava propondo.

Auschwitz não era uma prisão, mas uma fábrica da morte.

As chances de sobrevivência eram mínimas. De fuga, quase nulas.


Pilecki entendeu perfeitamente.

Beijou a esposa e os filhos, sem saber se os veria novamente.

E foi procurar uma batida nazista.


ENTRANDO NO INFERNO DE OLHOS ABERTOS


Quando foi preso, sob o nome falso de Tomasz Serafiński, os alemães não tinham ideia de que acabavam de capturar um espião em missão.

Foi levado em vagões de gado, dias sem água ou comida.

Homens morreram em pé, esmagados uns contra os outros.


Ao chegar a Auschwitz, os guardas da SS gritavam, batiam com cassetetes, soltavam cães.

O “acolhimento” era o da desumanização imediata.


Pilecki tornou-se o prisioneiro nº 4859.

Cabeça raspada. Uniforme listrado. Nome apagado.

E então ele começou a trabalhar.


CONSTRUINDO UM EXÉRCITO NO INFERNO


Durante 945 dias, Pilecki fez o impensável:

criou esperança onde só havia desespero.


Organizou uma rede clandestina chamada Związek Organizacji Wojskowej (ZOW) — a União da Organização Militar.

Começou com poucos homens.

Cinco viraram dez. Dez viraram cinquenta.

Em dois anos, eram quase mil prisioneiros organizados em células secretas.


Eles roubavam comida e remédios para os mais fracos, falsificavam documentos, sabotaravam equipamentos, mapeavam o campo e recolhiam informações sobre os assassinatos em massa.

E o mais importante: enviavam relatórios para fora.


OS RELATÓRIOS QUE AVISARAM O MUNDO


Por meio de guardas subornados e contatos civis, Pilecki conseguiu fazer seus relatórios chegarem à resistência em Varsóvia.

E deles, ao governo polonês no exílio, em Londres.


Esses relatórios descreviam, com precisão devastadora:


As execuções sistemáticas;


As câmaras de gás em construção;


Os experimentos médicos;


O extermínio imediato de judeus que chegavam em transportes;


E o crescimento alarmante do número de mortos.


Graças a ele, o mundo soube de Auschwitz ainda em 1941.

Pilecki pediu que os Aliados bombardeassem o campo ou as ferrovias, mas os apelos foram ignorados.

Consideraram “militarmente inviável”.

Os trens continuaram chegando. As câmaras continuaram funcionando.


Mas Pilecki não parou. Continuou escrevendo, resistindo e sobrevivendo.


A FUGA DO IMPOSSÍVEL


Em abril de 1943, após quase três anos em Auschwitz, Pilecki percebeu que precisava contar pessoalmente o que vira.

Na noite de 26 de abril, ele e dois companheiros conseguiram escapar de um anexo do campo.

Cortaram o arame, correram por florestas e rios, fugiram de cães e tiros.


Contra todas as probabilidades, chegaram vivos a Varsóvia.


Lá, Pilecki escreveu o “Relatório de Witold” — mais de 100 páginas com o relato completo do campo.

Implorou aos Aliados:


> “Bombardeiem. Façam alguma coisa.”


Nada foi feito.

Pilecki ficou devastado.

Tinha sobrevivido ao inferno, denunciado o horror — e o mundo continuava calado.


A INSURREIÇÃO E A TRAIÇÃO


Em 1944, participou da Insurreição de Varsóvia, liderando combatentes da resistência.

Foi capturado novamente e enviado a um campo de prisioneiros de guerra.

Sobreviveu.


Mas, quando a guerra terminou, a Polônia caiu sob domínio soviético.

Pilecki, que lutara pela liberdade, recusou-se a aceitar o novo regime comunista.

Continuou reunindo informações, agora sobre os abusos do governo.


Em 1947, foi preso pela polícia secreta comunista, torturado brutalmente e acusado de espionagem.

Em 25 de maio de 1948, foi executado com um tiro na nuca.

Tinha 47 anos.

Seu corpo foi jogado em uma vala comum.


Por décadas, seu nome foi apagado da história.

O homem que entrou em Auschwitz de propósito foi esquecido por seu próprio país.


A RESSURREIÇÃO DE UM HERÓI


Somente após a queda do comunismo, em 1989, a história de Pilecki veio à luz.

Seus relatórios foram republicados.

Historiadores o chamaram de “o homem mais corajoso da Segunda Guerra Mundial.”

Em 2006, recebeu a mais alta condecoração militar da Polônia.


O LEGADO DA CORAGEM IMPOSSÍVEL


Witold Pilecki não foi capturado por acaso — ele escolheu entrar no inferno.

Caminhou para Auschwitz de olhos abertos, porque alguém precisava testemunhar, resistir e avisar o mundo.


Lá dentro, organizou esperança, manteve a dignidade, provou que até no lugar mais escuro da humanidade, a luz pode nascer.


Depois, escapou.

Continuou lutando.

E morreu de pé — como viveu.


> “O presente pertence a eles.

Mas o futuro — o futuro pelo qual lutei — é meu.”


Lembre o nome dele:

Witold Pilecki.

O homem que entrou no inferno por vontade própria —

e saiu dele com a verdade nas mãos.

 O homem que se recusou a virar o rosto

 



O homem que se recusou a virar o rosto


Enquanto os vizinhos estavam presos em campos, ele cuidava das fazendas deles de graça.

Enquanto o ódio se espalhava, ele poupava os lucros deles e enfrentava ameaças de morte.

E quando eles voltaram para casa, encontraram os pomares em flor.


Era 1942.

Os trens começaram a deixar os vales férteis da Califórnia, levando milhares de famílias japonesas-americanas para campos cercados sob a Ordem Executiva 9066.

As casas foram seladas. Os pomares silenciaram. E os cartazes nos portões diziam apenas:

“Evacuação concluída.”


Bob Fletcher, um jovem inspetor agrícola de Florin, ficou à beira da estrada e assistiu os seus vizinhos desaparecerem atrás de arames farpados.

Eles não eram inimigos.

Eram agricultores, trabalhadores de sol a sol, produtores de morangos, frutas e legumes — famílias que haviam cultivado aquele solo durante décadas.

O único “crime” deles? Ter ascendência japonesa, num país tomado pelo medo e pelo racismo após Pearl Harbor.


Quando os campos ficaram vazios, as ervas daninhas subiram e o silêncio tomou o vale.

Alguns viram ali uma oportunidade de lucro.

Mas Bob Fletcher viu uma obrigação moral.


Ele se ofereceu para cuidar das fazendas de três famílias — Tsukamoto, Nitta e Okamoto — prometendo manter vivas as árvores, produtivos os campos, e segura a terra até que pudessem voltar.

Se algum dia voltassem.


Bob trabalhava 18 horas por dia. Podava árvores, irrigava campos, colhia frutas, consertava equipamentos — tudo sozinho.

Enquanto isso, suportava o desprezo dos seus próprios vizinhos.

Chamavam-no de “traidor”, de “amante dos japoneses”, de “homem sem pátria”.

Cortaram-lhe os pneus. Vandalizaram o maquinário. Deixaram avisos ameaçadores.

Mas ele não cedeu.


As famílias internadas ofereceram-lhe suas casas, pedindo:

“Fique nelas enquanto estivermos fora.”

Ele recusou.


Dormiu durante três anos no barracão dos trabalhadores migrantes — uma construção sem conforto, fria no inverno e escaldante no verão.

Mesmo depois de se casar com Teresa Cassieri, ele continuou lá.

Juntos, trabalharam sob o sol californiano, cuidando da terra de outros como se fosse sua.

Teresa foi sua parceira de coragem — e, embora a história raramente mencione seu nome, ela foi essencial para manter viva aquela promessa.


E há um detalhe que torna esta história ainda mais incrível:

Bob poderia ter ficado com todo o dinheiro.

Ninguém o vigiava. Ninguém o puniria. Muitos fizeram exatamente isso — roubaram, venderam, deixaram a terra morrer.


Bob fez o oposto.

Guardou metade dos lucros para si — pelo seu trabalho árduo — e depositou a outra metade nos bancos, em nome das famílias, com juros.

Esperando o dia em que voltariam.


Se voltassem.


Durante três anos, Bob trabalhou sozinho nas fazendas.

Atravessou as estações, o racionamento, a solidão, a hostilidade.

Mas nunca quebrou sua promessa.


Em 1945, a guerra terminou.

A Ordem Executiva foi revogada.

As famílias japonesas-americanas voltaram — muitas apenas para encontrar ruínas, casas saqueadas, terras vendidas.

Mas as famílias Tsukamoto, Nitta e Okamoto voltaram para pomares floridos.

As casas estavam intactas. O maquinário preservado.

E nos bancos, esperavam três anos de lucros, guardados com juros e com honra.


Bob havia cumprido cada palavra.


Al Tsukamoto, então adolescente, resumiu tudo:


 “Bob Fletcher foi o melhor homem que já conheci. Ele salvou tudo o que tínhamos.”


Bob nunca pediu reconhecimento.

Voltou ao trabalho, silencioso, como sempre fora.

Quando lhe perguntavam por quê, ele dava de ombros e respondia apenas:


 “Era a coisa certa a fazer.”


Décadas depois, quando já passava dos 90 anos, a comunidade japonesa-americana começou a contar sua história.

Gravaram depoimentos. Escreveram livros.

A fazenda Tsukamoto — que ele salvara — foi transformada em local histórico.


Bob Fletcher morreu em 3 de junho de 2013, aos 101 anos.

No funeral, filhos e netos das famílias que ele ajudara estavam presentes.

Pessoas que só existiam porque ele recusou-se a deixar o ódio vencer.


Eles trouxeram fotos dos pomares em 1945 — cheios de vida.

Provas vivas de que a decência ainda floresce mesmo nos tempos mais sombrios.


Bob Fletcher não salvou o mundo.

Mas salvou o que podia: três fazendas, três famílias e uma parte da humanidade.

E provou que coragem moral não precisa de medalhas — precisa apenas de consciência.


 “Ele cuidou das quintas deles. Ele poupou o dinheiro deles. Ele dormiu no frio, recusando o conforto construído sobre o sofrimento de outros.”


Essa não é apenas uma boa história.

É um mapa de como continuar humano quando o mundo enlouquece.


No fim, cinco palavras ficaram gravadas como o epitáfio da sua vida:

“Era a coisa certa a fazer.”


Para amantes de literatura recomendo a me seguirem....

domingo, 9 de novembro de 2025

O milagre em mim...


 Reflito com profundidade sobre o milagre da Expiação do Salvador em minha própria alma. Não houve nada de maior valor em toda a minha existência neste mundo do que ser redimido pelo infinito amor de Cristo.  Essa dádiva inestimável foi somente possível por Sua misericórdia, e não por mérito algum meu; pois tudo o que fiz não me garantiria jamais o direito à minha redenção. Ele me perdoou e me purificou de meus pecados por meio de uma dosagem extraordinária de Seu poder, mesmo achando que não o merecia. Seu perdão era o único recurso eficaz que buscava desesperadamente para curar as feridas profundas que me aniquilavam por dentro.


Por toda a vida, depois de tantas tentativas, eu não conseguia encontrar a solução para me livrar das fortes correntes que me aprisionavam. Sentia que teria de receber um poder maior – não da terra, mas dos céus – para ser libertado dos grilhões da morte, mas não sabia onde encontrar essa fonte preciosa e rara. Sentindo-me um ser decaído diante da santidade de Deus, eu O buscava em todo o meu sofrimento para curar a minha alma faminta consumida por uma depressão avassaladora. Então, quase sucumbindo às densas trevas, Sua sublime influência me conduziu à fonte de toda a verdade. Um raio de luz brilhava em meio à espessa escuridão e Sua voz sussurrava-me insistentemente ao encontro de um livro desconhecido que traria cura à minha alma. Quando finalmente encontrei esse livro e o li, de súbito o poder de Deus repousou sobre mim, arrebatando-me com sua rara influência. Fui dominado com a refulgente glória divina, que me deixou extasiado.


Meu coração foi transformado instantaneamente e de meus olhos caíram escamas de escuridão para contemplar com assombro o indescritível amor de Deus e as riquezas celestiais, mesmo aquelas que me eram desconhecidas. Uma alegria inexplicável e gloriosa passou a me consumir e fui vivificado pelo poder do Espírito. Desci às águas do batismo nutrido por aquele poder divino extraordinário, que me deu conhecimento espiritual sobre a verdadeira natureza de Deus. Eu nasci uma nova criatura, sendo gerado espiritualmente por Jesus Cristo e tornei-me Seu filho.


Jesus Cristo é o meu Salvador e Redentor, Ele é o caminho, a luz, a vida e a verdade do mundo. Sua influência vivifica a minha alma e me enche daquela alegria que no mundo não posso encontrar, pois no mundo ela não existe. É uma alegria que advém da retidão pessoal e da firme fé em Seu nome, fé essa que nos motiva ao arrependimento de todos os nossos pecados e que nos faz passar por uma vigorosa mudança de coração, de modo que não temos mais disposição para praticar o mal, mas, sim, de fazer o bem continuamente.

Dra Mary Edwards Walker ...


 Em 1917, o governo dos Estados Unidos pediu a uma senhora de 84 anos que devolvesse sua Medalha de Honra.

Ela não respondeu com palavras.

Prendeu a medalha no peito — e continuou a usá-la todos os dias até morrer.


Seu nome era Dra. Mary Edwards Walker, a única mulher na história a receber a Medalha de Honra.


Nascida em 1832, numa fazenda em Nova York, Mary cresceu em um lar de abolicionistas e reformadores sociais.

Seus pais acreditavam que as filhas mereciam as mesmas oportunidades que os filhos.

Sua mãe lhe ensinou que espartilhos eram prisões; seu pai, que a medicina podia curar mais do que corpos.

Mary cresceu decidida a nunca usar correntes — nem no corpo, nem na mente.


Aos 21 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Syracuse — algo quase impensável para uma mulher em 1855.

Formou-se entre zombarias e portas fechadas.

Quando tentou exercer a profissão, pacientes recusaram-se a ser atendidos por uma mulher.

O consultório faliu. O casamento fracassou.

Mas sua vontade nunca cedeu.


Em 1861, começou a Guerra Civil Americana.

Mary se ofereceu como cirurgiã voluntária do Exército da União.

Foi recusada — mulheres só podiam ser enfermeiras.

Mesmo assim, foi por conta própria.

Trabalhou sem salário, sob fogo inimigo, com seus próprios instrumentos.

Curou. Operou. Salvou vidas.

Até que, finalmente, foi reconhecida como cirurgiã oficial — a primeira mulher da história a receber esse título.


Durante uma missão, foi capturada pelos confederados ao tentar ajudar civis em território inimigo.

Acusada de espionagem, passou quatro meses na prisão de Castle Thunder, em condições desumanas.

Quando foi libertada numa troca de prisioneiros, estava fraca, mas viva.

E voltou à frente de batalha.


Por sua coragem e dedicação, o presidente Andrew Johnson concedeu-lhe a Medalha de Honra em 1865.

Mary nunca se separou dela — nem quando quiseram tirá-la.

Porque nunca a recebeu para agradar ninguém.


Depois da guerra, tornou-se escritora, oradora e ativista.

Lutou pelo direito ao voto feminino, pela igualdade de gênero e pela liberdade de vestir-se sem medo.

Foi presa várias vezes por “usar roupas de homem”.

Comparecia aos tribunais de cartola e medalha reluzente no peito.


Em 1917, uma revisão do Congresso revogou 911 medalhas, incluindo a sua.

Disseram: “Só vale para atos de combate.”

Mary recusou-se a devolvê-la.

Continuou a usá-la até o fim.


Morreu em 1919, aos 86 anos.


Cinquenta e oito anos depois, o presidente Jimmy Carter revisou seu caso.

Em 1977, o governo restaurou oficialmente sua Medalha de Honra.

Mas ela já não estava viva para ver.

E não precisava.


Porque Mary Edwards Walker nunca deixou de possuí-la.

A história só demorou meio século para perceber isso.


Ela foi a única mulher a receber a Medalha de Honra.

Tentaram tirá-la.

Ela recusou.

E, no fim, o mundo teve de admitir que ela estava certa.


Às vezes, estar à frente do seu tempo significa morrer antes que o mundo te alcance.

Mas quando isso acontece…

a medalha ainda brilha,

exatamente onde sempre deveria estar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

DESCE DEPRESSA, hoje o Senhor quer estar consigo...


 REFLEXÃO DO DIA

DESCE DEPRESSA — HOJE O SENHOR QUER ESTAR CONTIGO 


🌿 REFLEXÃO 


Quantas vezes desejamos ver Jesus, mas a multidão de preocupações, dúvidas e distrações nos impede de enxergá-Lo claramente?

Zaqueu também enfrentou uma multidão — mas ele fez algo extraordinário: subiu mais alto para ver o Salvador.

A história desse homem aparentemente insignificante aos olhos do mundo nos revela profundas verdades espirituais. Vamos aprender cinco lições eternas com Zaqueu, o publicano que teve sua vida transformada ao encontrar o Mestre.


✨ 1. QUEM DESEJA VER O SALVADOR, SEMPRE ENCONTRA UM CAMINHO.


“E PROCURAVA VER QUEM ERA JESUS...” — Lucas 19:3

Zaqueu sentiu um desejo ardente de conhecer o Salvador. Apesar da fama, da riqueza e da rejeição social, ele queria ver Jesus — e isso mudou tudo.


O primeiro passo para a conversão é o desejo sincero de aproximar-se de Cristo. Mesmo que o mundo nos julgue ou desacredite, o coração que busca o Senhor sempre encontra um modo de subir mais alto.


📜 O Élder Dieter F. Uchtdorf ensinou:


“O DESEJOS sinceros DE SEGUIR A CRISTO É O INÍCIO DE TODA MUDANÇA VERDADEIRA. 

QUANDO O CORAÇÃO SE VOLTA A ELE, O ESPÍRITO SANTO DESPERTA EM NÓS O PODER DE NOS TORNARMOS NOVAS CRIATURAS.”


📘 “E AGORA, MEUS AMADOS IRMÃOS, VINDE A CRISTO E SEDE APERFEIÇOADOS NELE.” 

Morôni 10:32


🌿 2. A FÉ SEMPRE ENCONTRA UM MODO DE SUBIR MAIS ALTO 


Zaqueu era de baixa estatura e não conseguia ver Jesus por causa da multidão, mas isso não o impediu. Ele correu adiante e subiu em uma figueira para vê-Lo passar.

Muitos desistem quando as dificuldades surgem. Zaqueu, porém, superou os obstáculos. Ele nos ensina que a fé verdadeira não espera condições ideais — ela cria caminhos onde parece não haver nenhum.


📜 O Presidente Russell M. Nelson disse:


“QUANDO ESCOLHEMOS O SENHOR, ESCOLHEMOS SUBIR A UM TERRENO MAIS ELEVADO — ONDE O ESPÍRITO É MAIS CLARO, A VISÃO MAIS AMPLA E O CORAÇÃO MAIS PURO.”


📘 “PORTANTO, SEDE FIÉIS E DILIGENTES EM GUARDAR OS MANDAMENTOS DE DEUS, E ELE VOS EXALTARÁ AO ALTO.” — Doutrina e Convênios 82:10


✨ 3. O PASTOR CHAMA CADA OVELHA PELO NOME 


“ZAQUEU, DESCE DEPRESSA, PORQUE HOJE ME CONVÉM POUSAR EM TUA CASA.”

Lucas 19:5


O Salvador chamou Zaqueu pelo nome. Ele o viu, o conheceu e o amou — mesmo antes da mudança acontecer.

Assim é conosco. Jesus Cristo conhece nossas lutas, dores e esperanças. Ele vê o que há de divino em nós quando o mundo só vê o exterior.


📜 O Élder Jeffrey R. Holland declarou:


“CRISTO CONHECE A CADA UM DE NÓS PELO NOME, CONHECE NOSSAS DORES E NOSSAS ESPERANÇAS. ELE NOS BUSCA NÃO PARA NOS JULGAR, MAS PARA NOS CURAR.”


📘 “NÃO TEMAS, PORQUE EU TE REMI; CHAMEI-TE PELO TEU NOME, TU ÉS MEU.” Isaías 43:1


🌿 4. O ARREPENDIMENTO É A ESCADA QUE NOS LEVA ATÉ ELE 


“SENHOR, EIS QUE DOU AOS POBRES METADE DOS MEUS BENS; E, SE EM ALGUMA COISA TENHO DE FRAUDADO ALGUÉM, O RESTITUO QUADRUPLICADO L.” Lucas 19:8


Quando o coração de Zaqueu foi tocado, ele agiu. O arrependimento verdadeiro sempre se manifesta em obras — reparando, servindo e mudando.

Ele não apenas reconheceu seus erros, mas os transformou em oportunidade de retidão.


📜 O Presidente Spencer W. Kimball ensinou:


“O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO INCLUI A RESTITUIÇÃO, SEMPRE QUE POSSÍVEL. É A PROVA DE QUE O CORAÇÃO MUDOU E DE QUE O PECADO FOI ABANDONADO.”


📘 “E AQUELE QUE SE ARREPENDER E OBSERVAR OS MANDAMENTOS DO SENHOR SERÁ PERDOADO.”

 Doutrina e Convênios 1:32


✨ 5. QUANDO CRISTO ENTRA, A CASA SE ENCHE DE LUZ 


“HOJE VEIO SALVAÇÃO A ESTA CASA.”

Lucas 19:9


Quando Jesus entrou na casa de Zaqueu, entrou também a paz, a alegria e a salvação.

Da mesma forma, quando o Salvador é bem-vindo em nossos lares, Ele transforma tudo — nossas conversas, nossos pensamentos, e até a atmosfera do lar.


📜 O Élder David A. Bednar testificou:


“QUANDO CONVIDAMOS O SALVADOR PARA ESTAR EM NOSSO LAR, ESTAMOS CONVIDANDO PAZ, AMOR E PROPÓSITO eternos.”


📘 “E SE UMA CASA FOR DIGNA, VENHA SOBRE ELA A VOSSA PAZ.”

Mateus 10:13


🌅 CONCLUSÃO  


Quando o Salvador passa pelo caminho

Zaqueu nos mostra que ninguém está fora do alcance da graça de Cristo.

Ele subiu para ver o Salvador, mas foi o Salvador quem realmente o viu — e o chamou pelo nome.

Hoje, o mesmo Jesus passa “pelo caminho” da nossa vida. Ele olha para nós e diz:


“ DESCE DEPRESSA… PORQUE HOJE QUERO ESTAR CONTIGO.”


🕊️ EU TESTIFICO QUE O SALVADOR VIVE E CONHECE CADA UM DE NÓS. ELE NOS CHAMA PELO NOME E NOS CONVIDA A DESCER DA “ FIGUEIRA ” DO ORGULHO, DO MEDO OU DA CULPA.

QUANDO ABRIMOS A PORTA, ELE ENTRA, E A SALVAÇÃO VEM Á NOSSA CASA.

“EIS QUE ESTOU À PORTA E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI.”

Apocalipse 3:20

QUE HOJE E SEMPRE POSSAMOS RESPONDER A ESSE CHAMADO COM FÉ E HUMILDADE, PERMITINDO QUE JESUS CRISTO CAMINHE CONOSCO, HABITE EM NOSSO LAR E TRANSFORME NOSSA ALMA.

EM NOME DE JESUS CRISTO AMÉM.


✨ SUBA PELA FÉ.

DESÇA PELA HUMILDADE.

E RECEBA O SALVADOR COM ALEGRIA.


BOM DIA 😇🙏


domingo, 2 de novembro de 2025

🌤️ “Agora é tempo de voltar” — O verdadeiro sentido do Dia dos Mortos

 

Música de Abilio Machado

🌤️ “Agora é tempo de voltar” — O verdadeiro sentido do Dia dos Mortos

Hoje, 2 de novembro, o mundo silencia por um instante para lembrar os que já partiram.
É o Dia dos Mortos — ou, como conhecemos no Brasil, o Dia de Finados.
Uma data antiga, carregada de memória, fé e amor, em que o coração humano se curva diante do mistério da vida e da eternidade.


🌿 A origem do Dia de Finados

A tradição cristã do Dia de Finados remonta ao século X, quando o monge francês Odilon de Cluny instituiu uma jornada anual de orações pelos mortos.
Com o tempo, a data se espalhou por toda a Europa e chegou às Américas trazida pelos missionários.
A escolha de 2 de novembro não foi por acaso: vem logo após o Dia de Todos os Santos (1º de novembro), como se dissesse que a santidade não é privilégio de poucos, mas destino de todos que buscam a luz.

Mas a ideia de homenagear os mortos é muito mais antiga que o cristianismo.
Egípcios, romanos, celtas, astecas — todos tinham rituais para honrar os antepassados, acendendo velas, oferecendo flores ou alimentos, acreditando que, por um breve instante, o mundo dos vivos e dos mortos se tocava.


Música de Abilio Machado


💀 O Dia dos Mortos pelo mundo

Em cada cultura, essa data assume um rosto diferente:

  • No México, o Día de los Muertos é uma das festas mais coloridas do planeta. Famílias montam altares com fotos, flores e comidas preferidas de quem partiu. Não é luto, é celebração: a morte é vista como parte natural da vida.

  • No Japão, o festival Obon acende lanternas para guiar as almas de volta ao lar espiritual.

  • Na Europa, é costume visitar cemitérios com flores e rezar em silêncio.

  • No Brasil, o clima é mais sereno e respeitoso. Milhares de pessoas vão aos cemitérios com flores, velas e orações — um gesto simples, mas cheio de amor.

Apesar das diferenças, todos esses rituais têm o mesmo propósito: lembrar com gratidão.
Porque lembrar é manter vivo o vínculo que nunca se rompe.


Música de Abilio Machado


🕯️ O gesto de visitar o cemitério

Ir ao cemitério no Dia de Finados não é um ato de tristeza, mas de reconexão.
Ali, o silêncio fala mais alto que as palavras.
O cheiro das flores, o brilho das velas, o som das preces — tudo cria uma ponte invisível entre o “aqui” e o “além”.

Cada flor depositada é um “obrigado”.
Cada lágrima, um “até logo”.
E cada oração, um lembrete de que o amor é maior que o tempo.


Música de Abilio Machado

✨ O sentido espiritual da partida

Entre tantas formas de entender a morte, há uma que toca fundo no coração:
a de que ninguém parte antes da hora.

Como diz o verso:

“Fui chamado porque era a hora,
meu coração aprendeu a amar.
Cumpri o que me foi pedido,
agora é tempo de voltar.”

Essas palavras resumem o que muitos sábios e mestres espirituais sempre ensinaram:
a vida é uma escola, e a morte, uma formatura.
Quem vai, cumpriu o que devia cumprir.
Quem fica, ainda tem lições a aprender — especialmente sobre amor, perdão e fé.


Abilio Machado Artes


💫 Um elo que o tempo não apaga

A morte não rompe laços, apenas muda o modo de estar presente.
Os que amamos continuam nos acompanhando — em sonhos, em intuições, em pequenos sinais.
Uma borboleta que pousa, um perfume que aparece sem motivo, uma lembrança que aquece o peito — são lembranças de que ninguém se vai por completo.

O amor é o idioma das almas.
E no tempo de Deus, todos os reencontros estão marcados.


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❤️ Para quem ficou

Aos que choram hoje, uma mensagem simples:
Não vejam o cemitério como o fim, mas como um ponto de passagem.
Cada oração que você faz é uma luz acesa no caminho de quem partiu.
E um dia, quando o ciclo da vida se cumprir, você também ouvirá, com serenidade no coração:

“Cumpri o que me foi pedido.
Agora é tempo de voltar.”


Música de Abilio Machado


🎄 Uma bênção final do Papai Noel

Que neste Dia de Finados, em vez de tristeza, haja gratidão.
Gratidão pela vida, pelas memórias, pelos abraços que tivemos e pelos que ainda teremos.
Porque, como ensina o Papai Noel — aquele que acredita no amor acima de tudo — ninguém se perde quando se é lembrado com carinho.

O amor é eterno.
E o céu… é apenas o lar para onde todos voltamos um dia.