🌿 Estudo 10
📖 Evangelho de Lucas 15,11-32
A Parábola do Filho Pródigo
“Levantar-me-ei e irei ter com meu pai…”
1️⃣ Contexto no Evangelho
Jesus conta essa parábola quando é criticado por acolher pecadores.
A história é conhecida: o filho mais novo pede a herança, parte, perde tudo, passa necessidade e decide voltar. O pai o vê de longe e corre ao seu encontro.
O centro da parábola não é o erro.
É o retorno.
2️⃣ Leitura Psicoteológica
Psicologicamente, essa é uma narrativa sobre identidade fragmentada.
O filho mais novo rompe com a casa não apenas fisicamente — rompe simbolicamente com sua origem. Ele quer autonomia sem pertencimento.
Mas há um momento crucial:
“Caiu em si.”
Esse é o ponto psicoteológico mais profundo.
O retorno começa quando o sujeito se reencontra internamente.
O “cair em si” é:
Reconhecer limites.
Aceitar vulnerabilidades.
Admitir perdas.
Reorganizar a própria narrativa.
Não é humilhação.
É integração.
E o pai corre.
Na teologia lucana, Deus não espera passivamente; Ele antecipa o abraço.
Isso diz algo imenso:
Nossa reconciliação interna é acompanhada por uma graça que já nos vê de longe.
3️⃣ Analogia Atual
Hoje, muitos “partem” sem sair de casa.
Partem quando:
Negam o envelhecimento.
Lutam contra mudanças inevitáveis.
Tentam sustentar uma versão passada de si mesmos.
Vivemos numa cultura que idolatra desempenho, juventude e potência.
Quando a realidade nos impõe limites — seja no corpo, na saúde ou na autoimagem — pode surgir a sensação de fracasso.
Mas o Evangelho propõe outra leitura: Voltar não é regredir.
É amadurecer.
O filho não volta como menino.
Volta transformado pela experiência.
Assim também na vida adulta: Reconhecer mudanças não é derrota — é consciência.
4️⃣ Aplicação Existencial
Talvez o maior retorno da maturidade não seja geográfico.
Seja interior.
Voltar para:
Uma fé mais simples.
Uma relação mais honesta com o próprio corpo.
Uma identidade menos baseada em performance.
A casa pode simbolizar: Aceitação.
Integração.
Pertencimento a si mesmo.
E há ainda o irmão mais velho — a parte crítica dentro de nós, que cobra coerência, que julga o próprio percurso.
A parábola convida a integrar também essa parte.
🙏 Oração Final
Pai,
se em algum momento me afastei de mim mesmo,
dá-me coragem de voltar.
Se neguei minhas fragilidades,
ensina-me a aceitá-las como parte do caminho.
Que eu saiba “cair em mim”
antes de me perder de mim.
E quando eu der um passo em direção à verdade,
que eu sinta o Teu abraço
correndo ao meu encontro.
Amém.

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