quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

🌿 Estudo 10 - Parábola do Filho Pródigo “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai…”

 




🌿 Estudo 10

📖 Evangelho de Lucas 15,11-32

A Parábola do Filho Pródigo

“Levantar-me-ei e irei ter com meu pai…”

1️⃣ Contexto no Evangelho

Jesus conta essa parábola quando é criticado por acolher pecadores.

A história é conhecida: o filho mais novo pede a herança, parte, perde tudo, passa necessidade e decide voltar. O pai o vê de longe e corre ao seu encontro.

O centro da parábola não é o erro.

É o retorno.

2️⃣ Leitura Psicoteológica

Psicologicamente, essa é uma narrativa sobre identidade fragmentada.

O filho mais novo rompe com a casa não apenas fisicamente — rompe simbolicamente com sua origem. Ele quer autonomia sem pertencimento.

Mas há um momento crucial:

“Caiu em si.”

Esse é o ponto psicoteológico mais profundo.

O retorno começa quando o sujeito se reencontra internamente.

O “cair em si” é:

Reconhecer limites.

Aceitar vulnerabilidades.

Admitir perdas.

Reorganizar a própria narrativa.

Não é humilhação.

É integração.

E o pai corre.

Na teologia lucana, Deus não espera passivamente; Ele antecipa o abraço.

Isso diz algo imenso:

Nossa reconciliação interna é acompanhada por uma graça que já nos vê de longe.

3️⃣ Analogia Atual

Hoje, muitos “partem” sem sair de casa.

Partem quando:

Negam o envelhecimento.

Lutam contra mudanças inevitáveis.

Tentam sustentar uma versão passada de si mesmos.

Vivemos numa cultura que idolatra desempenho, juventude e potência.

Quando a realidade nos impõe limites — seja no corpo, na saúde ou na autoimagem — pode surgir a sensação de fracasso.

Mas o Evangelho propõe outra leitura: Voltar não é regredir.

É amadurecer.

O filho não volta como menino.

Volta transformado pela experiência.

Assim também na vida adulta: Reconhecer mudanças não é derrota — é consciência.

4️⃣ Aplicação Existencial

Talvez o maior retorno da maturidade não seja geográfico.

Seja interior.

Voltar para:

Uma fé mais simples.

Uma relação mais honesta com o próprio corpo.

Uma identidade menos baseada em performance.

A casa pode simbolizar: Aceitação.

Integração.

Pertencimento a si mesmo.

E há ainda o irmão mais velho — a parte crítica dentro de nós, que cobra coerência, que julga o próprio percurso.

A parábola convida a integrar também essa parte.

🙏 Oração Final

Pai,

se em algum momento me afastei de mim mesmo,

dá-me coragem de voltar.

Se neguei minhas fragilidades,

ensina-me a aceitá-las como parte do caminho.

Que eu saiba “cair em mim”

antes de me perder de mim.

E quando eu der um passo em direção à verdade,

que eu sinta o Teu abraço

correndo ao meu encontro.

Amém.

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