🌿 Estudo 11
📖 Evangelho de Lucas 19,1-10 — Zaqueu
“Zaqueu, desce depressa, pois hoje preciso ficar na tua casa.”
1️⃣ Contexto no Evangelho
Zaqueu é chefe dos publicanos. Rico. Malvisto. Pequeno de estatura.
Ele sobe numa árvore para ver Jesus passar.
A cena é simbólica:
Um homem que ocupa posição elevada socialmente, mas que, por dentro, precisa subir numa árvore para conseguir enxergar.
Jesus não o ignora.
Não o condena.
Não exige mudança prévia.
Ele apenas diz:
“Desce.”
2️⃣ Leitura Psicoteológica
Zaqueu representa o sujeito que construiu uma identidade funcional — mas não integrada.
Ele tem dinheiro.
Tem poder.
Mas falta-lhe pertencimento.
Subir na árvore pode simbolizar:
Estratégias de compensação.
Mecanismos de defesa.
Tentativas de superar inseguranças antigas.
Quantas vezes “subimos”? Subimos em títulos.
Em performances.
Em máscaras.
Mas o encontro verdadeiro exige descida.
Psicologicamente, descer é:
Abandonar a autoimagem defensiva.
Permitir-se ser visto.
Aceitar a própria estatura real.
Jesus olha para cima.
E chama pelo nome.
Ser chamado pelo nome é ser reconhecido para além do papel social.
3️⃣ Analogia Atual
Vivemos na era das redes sociais — onde todos sobem em árvores digitais.
Mostramos versões editadas.
Alturas artificiais.
Ângulos favoráveis.
Mas o olhar que cura não é o da multidão.
É o olhar que nos chama pelo nome e diz:
“Desce. Eu quero estar na tua casa.”
Casa, aqui, é interioridade.
Hoje, muitos têm seguidores.
Mas poucos se permitem descer.
4️⃣ Aplicação Existencial
Em fases de maturidade, o convite não é mais subir.
É integrar.
Não precisamos provar tanto.
Precisamos habitar quem somos.
Descer pode significar:
Assumir limites do corpo.
Reconhecer mudanças.
Aceitar vulnerabilidades.
Reorganizar prioridades.
E algo belo acontece:
Quando Zaqueu desce, ele espontaneamente se transforma.
A mudança não vem da pressão moral.
Vem do encontro.
🙏 Oração Final
Senhor,
se tenho subido em árvores para ser visto,
ensina-me a descer.
Se me escondo atrás de papéis e conquistas,
chama-me pelo nome.
Quero abrir minha casa interior,
sem máscaras,
sem defesas.
Que o Teu olhar me encontre
não no alto das compensações,
mas no chão da verdade.
E que, ao descer,
eu encontre liberdade.
Amém.

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