“O Menino do Bosque e os Meninos do Quarto Escuro”
Sentado no chão frio do banheiro, com a cueca ainda nos tornozelos, o menino de a pouco olhava o azulejo como quem olha para um abismo.
O corpo aliviado… a alma, não.
Era a quinta vez na semana — talvez a sexta. Já nem contava mais... Na verdade era toda vez que tomava banho, as vezes antes de dormir, até no banheiro da escola... Os pensamentos indesejados, a mão, o prazer do vazio...
Ele pensava, não sabia por que, pensava em Joseph Smith.
Um menino que, com 14 anos, foi ao bosque orar.
E ele, com quase 16, escondia-se no banheiro para gozar e calar seus gritos internos. Suas frustrações, seus desejos mais loucos.
Limpou-se com pressa.
Mas por dentro, seguia sujo.
O banheiro virou bosque.
A vergonha virou pergunta.
“Será que, se eu ajoelhasse agora, Deus me ouviria como ouviu Joseph?”
O Menino do Bosque e os Meninos do Quarto Escuro
Por Abilio Machado
Joseph tinha 14 anos.
Em vez de pornografia, procurava respostas.
Em vez de esconder-se num quarto, entrou num bosque.
Hoje, muitos meninos da mesma idade se trancam.
Não com uma Bíblia nas mãos.
Mas com o celular no modo anônimo, os fones no volume máximo, e um desejo de desaparecer.
Masturbam-se, não pelo prazer real, mas pelo alívio rápido.
Brincam de "strip poker" online com os amigos, fingem risos, se tocam nas câmeras, trocam nudes e confusões de identidade, implorando — sem saber — por um abraço que venha da alma, já fugiram escondidos nos acampamentos da igreja, e é destas brincadeiras de descobertas de saber quem é maior, quem faz xixi mais longe, quem goza mais rápido e... um emprestando a mão amiga ao outro, as sarradas que por vezes escorregam má profundamente e isso dá prazer até mesmo na memória.
É fácil julgá-los, não é mesmo?
Você está me julgando agora porque ousei falar a verdade do que acontece .
Difícil é ouvi-los... Por negarmos que isso acontece não deixamos falarem, e se não podem nos falar como vamos falar sobre isso a eles?
Porque, no fundo, são meninos procurando Deus de um jeito torto.
Não diferem tanto de Joseph — apenas perderam o caminho até o bosque. Ou foram ao bosque e focaram nos corpos e não no espírito.
Eles têm perguntas, sim.
Sobre quem são.
Se têm valor.
Se existe um propósito.
Mas em vez de encontrar líderes espirituais, encontram criadores de conteúdo, criadores de regras.
Em vez de pais que escutam, têm adultos que zombam, que menosprezam seus sentimentos.
Em vez de um Deus que responde, passam a achar que Ele foi embora.
Ainda é possível ajoelhar?
Sim.
O céu não fechou.
O bosque não desapareceu.
A luz ainda pode rasgar a escuridão — mesmo a de um quarto cheio de cheiro de sêmen e fast food.
Mas alguém precisa dizer isso aos meninos.
Alguém precisa dizer que:
– Você não está podre.
– Você não está sozinho.
– Você ainda pode perguntar.
– E Deus ainda pode responder.
Não com relâmpagos.
Mas talvez com o silêncio que cura.
Com a vergonha transformada em perdão.
Com a masturbação substituída por outros sentidos.
Com o vazio sendo preenchido, finalmente, por uma presença real.
Joseph ajoelhou.
Você também pode.
O bosque está em você
Hoje o bosque pode estar escondido atrás de uma porta trancada, dentro de um banheiro abafado, ou nas memórias de um homem velho tentando lembrar quem foi um dia.
Mas o Deus que desceu até o menino de Palmyra,
ainda desce até os becos, banheiros, quartos, e corpos cansados.
Porque Ele não responde apenas os puros.
Ele responde os que perguntam de verdade.
E talvez a maior coragem hoje não seja ser santo
__mas ser um pecador que ainda ousa orar.
Vamos ousar em acreditar?!
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